São Paulo, 23 de julho de 2010.
O mundo vem travando uma verdadeira luta para combater práticas de corrupção que, a cada dia, corroem as estruturas públicas e privadas, gerando prejuízos não só financeiros, mas também morais e éticos. Integrante dessa luta contra práticas corruptas, o Confea, coordenador do Movimento Anticorrupção da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia, se reuniu com a Controladoria-Geral da União (CGU), o Instituto Ethos e entidades ligadas ao Movimento, nesta quinta-feira (22), em São Paulo, para planejar ações conjuntas e traçar uma agenda de trabalho.
Durante o encontro o presidente do Confea, Marcos Túlio de Melo, fez uma apresentação do Movimento a Mário Spinelli e a Vânia Vieira, respectivamente secretário e diretora de Prevenção da Corrupção e Informações Estratégicas da CGU, além de fazer um breve relato das ações já realizadas. A ideia do encontro foi promover uma aproximação do Movimento com a CGU, que já mantém uma parceria com o Instituto Ethos (signatário do Manifesto do Movimento Anticurrupção), e também iniciar uma agenda mais concreta de trabalho.
“Temos que fazer uma ação política forte no Congresso sobre a necessidade de mapeamento das práticas de corrupção existentes no país”, defendeu Marcos Túlio. Para Mário Spinelli há uma necessidade urgente de se ampliar no país a competitividade: “hoje os editais acabam gerando subcontratações e isso, muitas vezes, levam a obras paralisadas. O custo para a sociedade é enorme”.
O vice-presidente do Ethos, Paulo Itacarambi, propôs que o Confea e as entidades integrantes do Movimento Anticorrupção passem a fazer parte do Grupo de Trabalho de Combate à Corrupção do Instituto. “Reforçaríamos o GT com a entrada de vocês, que assumiriam o mapeamento das práticas de corrupção, junto com a CGU, identificando as práticas existentes no universo de atuação do Movimento”.
Segundo o secretário Mário Spinelli, a CGU já tem um mapeamento identificando onde acontecem as ações de corrupção. Diante da existência desses dados, o grupo acordou em fazer uma reunião em Brasília para que a Controladoria apresente esses dados. Durante a reunião, que acontecerá nos próximos dez dias, o grupo irá elaborar um plano de trabalho conjunto.
No encontro, realizado durante a Conferência Latino-Americana sobre Responsabilidade Corporativa na Promoção da Integridade e no Combate a Corrupção, o presidente do Confea se comprometeu a conversar com três entidades signatárias do Movimento – o Sinaenco (Sindicato da Arquitetura e da Engenharia Consultiva), a Cbic (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) e o Ibraop (Instituto Brasileiro de Auditoria de Obras Públicas) – para articular uma aproximação entre a cadeia produtiva da construção civil, o Ethos e a CGU para, juntos, reforçarem a luta contra a corrupção.
GT – Criado em 2007 pelo Ethos, o GT de Combate à Corrupção é aberto a todas as empresas e entidades signatárias do Pacto Empresarial pela Integridade e Contra a Corrupção. O objetivo é promover o aprendizado entre as empresas e entidades por meio de discussões e troca de experiências sobre as atividades já desenvolvidas, objetivando a aplicação das práticas do Pacto e o desenvolvimento de um banco de práticas anticorrupção, além de prover a sustentabilidade da mobilização por meio de estratégias de captação de recursos e pela colaboração direta de empresas e entidades.
Participaram da reunião Marcos Túlio de Melo (Confea), Mário Spinelli (CGU), Vânia Vieira (CGU), Paulo Itacarambi (Ethos), José Gilberto (Crea-SP), Fernando Branquinho (AEABB), Luiz Zigmantas (Aneac), Fausto Emílio (Aber/Dnit), Mário Lucas (Dnit) e Edinaldo Marques (professor da UFAL).
Movimento Anticorrupção – Lançado pelo Confea em fevereiro deste ano durante o 5º Encontro de Lideranças, em Brasília, o Movimento Anticorrupção da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia tem como meta eliminar a prática da corrupção que compromete a economia, a gestão pública e a privada, o desenvolvimento sustentável e a democracia brasileira. Números do Relatório Global de Corrupção 2009 apontam que cartéis de fixação de preços, por exemplo, causaram perdas diretas aos consumidores, com superfaturamentos superiores a U$ 300 bilhões no mundo, no período de 1990 a 2005.
O Movimento Anticorrupção, além de propor o aperfeiçoamento de processos de contratação e execução de obras e serviços nas áreas da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia, também defende o financiamento público de campanhas eleitorais, como forma de dar transparência aos processos de decisão política.
Ondine Bezerra
Assessoria de Comunicação do Confea
