Conferencista explica a história do desenvolvimento urbano brasileiro e sua relação com a violência

Vitória, 13 de agosto de 2009.
 

"João Whitaker"
A programação do primeiro dia (12/8) do Seminário da Região Sudeste “Pensar o Brasil - Construir o Futuro da Nação”, que acontece em Vitória (ES), contou com uma conferência magna sobre “Desenvolvimento Urbano e Segurança” proferida pelo arquiteto e economista Dr. João Whitaker.
 
Professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP) e consultor nas áreas de Arquitetura e Urbanismo, Habitação Social, Desenvolvimento Urbano, Instrumentos Urbanísticos e Estatuto da Cidade, Globalização e Cidades-Globais, Whitaker fez um resgate histórico para apontar a raiz dos problemas de falta de segurança e como eles se relacionam com o desenvolvimento urbano.
 
Para ilustrar o início de sua conferência, o professor apresentou uma foto da ponte estaiada construída no final da Avenida Roberto Marinho ligando essa avenida ao outro lado da Marginal Pinheiros, em São Paulo. “É uma obra de engenharia e arquitetura fenomenal. O indivíduo que vê a ponte acredita que ela representa o atual estágio do desenvolvimento urbano brasileiro, ou seja, nosso país é capaz de ter esse tipo de situação que é comparada aos países de primeiro mundo. Mas se nos aprofundarmos um pouco mais, vamos descobrir que o transporte público é proibido de passar por essa ponte. Ela é imponente, mas exclui parte da população”, exemplificou.
 
A contradição não é uma exclusividade da cidade de São Paulo. “Qualquer outra cidade brasileira tem obras espetaculares em determinados espaços e outros ocupados de maneira informal. São assentamentos precários e insalubres onde vive parte da população que não tem espaço nos prédios e casas bonitas encontrados na cidade formal. Não podemos encarar isso como um fato natural”, disse.
 
O conferencista utilizou outros exemplos que caracterizam essa situação de contrastes e contradições no país. “A cada salto que o Brasil deu para frente se estabeleceu um avanço, mas que foi conduzido pelos setores dominantes. O que parece desenvolvimento é na verdade um mito do desenvolvimento, pois foi feito sob uma matriz antiga que não teve os seus problemas resolvidos. Isso vale por exemplo quando o Brasil passou do trabalho escravo e da produção do café para a industrialização. Mas também é observado no momento em que as empresas terceirizam seus quadros para não terem obrigações com encargos trabalhistas”, esclareceu.
 
Ao final da conferência, Whitaker apontou algumas soluções para resolver as questões mais urgentes da violência urbana, basicamente a inversão radical das prioridades de investimentos das políticas públicas: provisão habitacional, saneamento, transporte e melhoria urbana das áreas periféricas. “É preciso vontade política, afinal somos a décima economia do mundo”, conclui.

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Textos; Márcio Scheppa
Fotos: Fernando Abreu
Assessoria de Comunicação do Crea-ES