Belém, 18 de maio de 2010.
Os profissionais paraenses têm muito que discutir e muitas propostas a formular sobre questões do estado que vão repercutir não só localmente, mas no Brasil. Na abertura do 7o Congresso Estadual de Profissionais da Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Pará (CEP-PA), nesta terça-feira (18), na sede do Crea-PA, o presidente José Viana, anfitrião do evento, deixou claro que o processo de reflexão no Congresso precisa levar em consideração questões locais urgentes. O CEP-PA vai até amanhã (quinta-feira, 20).
Um delas, segundo Viana, é que posição os profissionais devem ter sobre a discussão em torno da construção da Usina de Belo Monte. Uma das questões que envolvem o projeto é a inundação de uma área de 500 km2. “A área que será inundada com a construção da usina equivale ao que é desmatado a cada dois dias, nos últimos dois anos”, chamou a atenção. Para ele a energia a ser gerada com a implantação da usina é fundamental para a continuação do desenvolvimento e do crescimento do Brasil. Belo Monte será implantada no médio Xingu, na Amazônia.
Ainda sobre a necessidade de produção de energia no país para atender ao ritmo de crescimento, Viana lembrou que o Brasil precisaria de uma nova Tucuruvi maior usina hidrelétrica do Brasil totalmente nacional a cada dois anos. “Mesmo assim vemos pessoas, em nome de um falso ‘ecologismo’, impedindo a construção de Belo Monte. O equivalente à área que será inundada se queima no estado do Pará sem nenhuma interferência”, salientou ao afirmar que os profissionais precisam ter proposições sobre essas questões.
Outra questão, que para o presidente do Crea Pará é um desafio, é a discussão sobre a divisão do estado em três. Para ele essa divisão iria gerar três estados pequenos e sem força econômica. “Precisamos discutir e ter uma posição firme, inclusive para influenciar a população no momento em que for realizado o plebiscito”, defendeu.
Sobre os desafios de crescimento do Brasil, que já sente com a falta de qualificação da sua mão de obra, o presidente do Confea, Marcos Túlio de Melo, fez o alerta sobre o baixo número de formação. “O menor número de formação de engenheiros, por população economicamente ativa na América Latina, é a do Brasil. Esse cenário compromete o crescimento. Em 2006 a China já formava 450 mil engenheiros por ano. A Coreia, no mesmo ano, já formava 36 mil, número que o Brasil forma atualmente. Precisamos pensar e formular propostas sobre isso”, sugeriu.
“Será que a qualidade do nosso ensino está à altura para sermos a quinta potência mundial na próxima década, como preveem especialistas?”, questionou Marcos Túlio. Ele ainda lembrou que o Brasil tem muitos problemas a enfrentar para continuar com os níveis previstos de crescimento. “Falta-nos empresas, em números suficientes para o desenvolvimento de projetos, mão de obra qualificada, formação em gestão, atualização e tantos outros desafios que necessitam ser superados. Por isso, a importância de discutirmos e termos propostas para cada um dos eixos temáticos propostos”, lembrou.
A participação do Sistema nas discussões políticas do Brasil, a articulação da agenda institucional com a política para acompanhamento de formulações de leis, a inserção internacional, a pulverização das organizações, a possibilidade de contratação de serviços de engenharia por pregão e muitos outros desafios foram lançados pelo presidente do Confea para discussão. Ele inclusive lançou a sugestão para que do CEP saiam propostas para os candidatos ao governo do Pará, assim como sairão do Congresso Nacional de Profissionais (CNP) aos candidatos à presidência da República. “Nenhum país vai ter futuro se não souber que futuro quer ter”, concluiu Marcos Túlio.
Microrregionais o coordenador do CEP no estado, Harold Stoessel Sadalla, ao falar dos cinco encontros microrregionais, realizados em Tucurui, Marabá, Paragominas, Altamira e Santarém, lembrou o desafio de mobilizar com distâncias tão grandes como as da região amazônica. “Precisávamos escutar todos, pois o sucesso dos CEPs depende da participação dos profissionais. Sadalla destacou a importante participação dos inspetores. A média dos encontros no Pará foi de 130 profissionais e nessa fase os delegados, um para cada encontro microrregional, foram eleitos.
7º Congresso Nacional de Profissionais (CNP)
O Congresso Nacional de Profissionais é precedido dos Congressos Estaduais, do Distrito Federal e dos Microrregionais. Até esta fase já foram realizados mais de 523 eventos. A meta do Sistema Confea/Crea é mobilizar 50 mil profissionais entre engenheiros, arquitetos, agrônomos, meteorologistas, geólogos, geógrafos, tecnólogos e técnicos.
O CNP acontece a cada três anos e, em 2010, será realizado em duas etapas: a primeira em Cuiabá-MT, de 22 a 28 de agosto, durante a 67ª Semana Oficial da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia (Soeaa). E a segunda, no mês de novembro, em Brasília-DF.
Com foco no planejamento estratégico do Sistema, os debates estão sendo realizados em torno da temática central “Construindo uma agenda estratégica para o Sistema Profissional: desafios, oportunidades e visão de futuro”, e as propostas dos profissionais estão sendo desenvolvidas em cinco eixos temáticos: formação profissional; exercício profissional; organização profissional; integração profissional e social e inserção internacional.
Ondine Bezerra
Assessoria de Comunicação do Confea
