Construções em menor tempo

Lugar Certo - 01 de novembro de 2010

Um ponto a favor da difusão do uso do aço é a redução de até 40% no tempo da obra quando comparado com processos convencionais, conforme a superintendente do Instituto Aço Brasil, Catia Coelho. Isso é possível porque a fabricação da estrutura é feita em paralelo às fundações, permitindo trabalhar em diversas frentes de serviços simultaneamente. “A diminuição de formas e escoramentos e o fato de a montagem da estrutura não ser afetada pela ocorrência de chuvas são outros fatores que contribuem para essa redução”, completa.

Catia diz, ainda, que no mercado de residências na faixa entre R$ 60 mil e R$ 100 mil, os sistemas já desenvolvidos são competitivos comparativamente aos sistemas convencionais, quando se leva em consideração o custo final. “A afirmação de que são mais caros leva em conta apenas o custo comparativo das estruturas, não considerando o custo da obra como um todo, a produtividade da mão de obra e o ganho de tempo propiciado pela velocidade das construções industrializadas”, explica.

Confira as vantagens de se usar o aço

Para a superintendente do Instituto Aço Brasil, a viabilidade financeira do uso do material é uma alternativa, inclusive, para o aumento do acesso a imóveis residenciais. “A nossa história mostrou que a construção convencional sozinha não consegue acabar com o déficit habitacional brasileiro, que hoje é de 8,5 milhões e continua a aumentar. Em um programa dessa envergadura, não é possível conseguir sucesso em um curto espaço de tempo sem lançar mão das construções industrializadas como as de aço”.

A fim de suprir essa demanda, novos processos têm sido pesquisados, procurando criar ou otimizar sistemas construtivos que possibilitem diminuir essa carência de habitação, conforme diz o professor da UFMG Dalmo Figueiredo.

E, para ele, o aço tem um campo imenso para ocupar nesse cenário. “A vantagem dele quanto a ganhos em prazos é evidente. Necessita, ainda, tornar os custos mais competitivos para se inseri-lo definitivamente como alternativa viável.”

Ele aponta que no Brasil já há iniciativas que buscam a inserção de alternativas que viabilizem o uso do material. “Um sistema construtivo em estrutura de quadros de aço leve (steel frame), muito usado no exterior, tem procurado espaço no mercado habitacional, porém, com alguma dificuldade em razão do custo final”, conta Dalmo Figueiredo.

TABUS Superados o receio com relação ao preço, o antigo temor de que o aço enferruja e vencido o medo do desconhecido, os usuários vêm, a cada ano, interessando-se mais pelo sistema, como observa Catia Coelho. “Entretanto, ainda são poucas as empresas brasileiras capazes de arcar com iniciativas do gênero e com experiência para criar parcerias de longo prazo com os clientes.”

Ciente das dúvidas que ainda pairam a respeito do emprego do material, o Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA) lançou o manual Viabilidade Econômica das Construções com Estruturas de Aço. “A publicação orienta desde a escolha dos sistemas estruturais até a análise da viabilidade econômica do investimento.”

Com isso, espera-se que a informação leve ao maior interesse na formação de profissionais capacitados para trabalhar com o material, uma carência do mercado. “A tradição da engenharia brasileira em concreto faz com que a maioria das escolas enfatize esse segmento”, comenta o diretor de Planejamento da Pórtico Construções Metálicas, Flávio Gibram.

De acordo com o empresário, para mudar essa situação é preciso somar esforços. “Um caminho para reverter esse quadro seria o investimento das grandes siderúrgicas em programas de desenvolvimento e capacitação junto a universidades, associações, entre outras instituições”, aponta.

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