Recife, 25 de março de 2009

“Em 1972, criou-se a primeira lei sobre resíduos na Alemanha. Nesse período, havia 50 mil lixões. O nível de poluição atmosférica era muito alto. Muitas crianças faleceram com doenças respiratórias. Então, no final dos anos 80, surgiu um movimento verde, formado pela sociedade, exigindo soluções. Hoje, temos cerca de 500 aterros”, explicou Hermann Knoblich.
Uma das principais medidas foi a criação, em 1991, do regulamento para embalagens, no qual as indústrias e comércio são obrigados a encontrar soluções para a devolução obrigatória dos recipientes usados. Até 2015, a meta é de que todos os materiais emitidos sejam reciclados, na Alemanha.
A população alemã ganhou ainda mais com a criação da lei de reciclagem e de resíduo, em 1996, que fomenta a reciclagem, preservação dos recursos naturais e a eliminação ecologicamente correta dos materiais. “Os fabricantes de produtos, como pilhas, baterias, lâmpadas, TVs, óleos e lubrificantes têm obrigação de disponibilizar postos de recolhimento desses produtos para a população”, ressaltou o consultor.
Recentemente, em 2005, a lei alemã foi mais dura e proibiu aterros no país. Segundo o palestrante, os resíduos domésticos e industriais são tratados de maneira que nos depósitos não seja necessário nenhum processo de transformação biológica. Montou-se também um consórcio formado pela cidade e pelo distrito, responsável pela eliminação dos resíduos.
Para um bom resultado do processo, é feito periodicamente campanha de publicidade para disseminar a ideia de coleta seletiva entre a população. Além disso, a infraestrutura é composta por ilhas para recicláveis (vidro e materiais leves), pátios de reciclagem e reciclagem móvel (carro) para os lugares mais distantes e locais de compostagem. A população paga uma taxa de 161 euros (R$ 483, de acordo com a cotação da moeda de hoje em R$ 3) por ano.

O alemão Knoblich é especialista em concepção de sistemas de coleta de resíduos, reciclagens e conscientização da população, através de ações em escolas infantis e consultoria para adultos, além de outros assuntos ligados à sustentabilidade e meio ambiente para centros urbanos.
Kele Gualberto
Equipe de Comunicação do Crea-PE
