Cooperativas do Brasil, Rússia, Índia e China discutem mercado e negócios entre os quatro países

Brasília, 15 de abril de 2010.

O fortalecimento das relações comerciais entre as cooperativas integrantes do BRIC (Brasil, Rússia, Índia, e China) está sendo a tônica da reunião realizada nesta quinta-feira (15), em Brasília, pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

Na pauta, segundo deixou claro Márcio Freitas, presidente da OCB, discussões reais e objetivas que possibilitem contatos de negócios entre as cooperativas dos quatro países. “O Brasil precisa ampliar sua relação de negócios internacionais. As cooperativas brasileiras têm uma participação importante nesse processo e na economia, principalmente no agronegócio”.

E os números brasileiros demonstram que o nível de organização das cooperativas no país cresceu e sua participação no mercado alcançou uma fatia importante. As cooperativas existem nos 26 estados da federação e no Distrito Federal, atingindo 30% dos municípios brasileiros (1.407 municípios). Movimentaram em 2009, em exportações, US$ 3,6 bilhões, alcançando 5,39% de participação do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. O faturamento alcançou as casa dos R$ 88,5 bilhões.

E os números brasileiros, de acordo com Freitas, foram construídos a partir de um planejamento estratégico balizado em quatro metas: profissionalização da gestão; educação cooperativista; intercooperação e responsabilidade social com a comunidade.

Números – O Brasil tem hoje 7.261 cooperativas, com 8.252.410 associados e a geração de 274.190 empregos diretos dentro das cooperativas. No país as cooperativas estão distribuídas em 13 ramos de atuação: agronegócio (com 1.615 cooperativas); trabalho (1.408); crédito (1.100); transporte (1.100); saúde (871); educacional (304); habitacional (253); infraestrutura (154); produção (226); consumo (128); mineral (58); turismo e lazer (58) e especial (15).

Área tecnológica – Marcos Túlio de Melo, presidente do Confea, em consonância com a visão político-institucional e o planejamento estratégico do Sistema Profissional, que tem como um dos objetivos a inserção internacional, participou das discussões desta manhã e manteve contato com Márcio Freitas e Li Chengyu – presidente da Federação das Cooperativas de Suprimento e Marketing da China (China Co-op).

Em conversa com Ly Chenyu, o presidente do Confea falou das duas missões chinesas que o Conselho recebeu no ano passado e da ida das cinco delegações brasileira para a Expo Xangai, inclusive com a indicação de nomes para a composição de fóruns temáticos. Marcos Túlio se colocou à disposição para futuras parcerias com a China Co-op.

China – Ly Chengyu deu uma boa notícia aos futuros parceiros das cooperativas do BRIC: o Governo Chinês quer ampliar o cooperativismo no país e já começou com a elevação do aporte financeiro para impulsionar o crescimento dessas cooperativas. O aporte, que passou dos 350 milhões de yuans (moeda chinesa) para 800 milhões de yuans de crédito, tem vinculação com a sustentabilidade e o meio ambiente. A medida resultou na criação de um fundo com capital para o desenvolvimento das cooperativas rurais.

Chengyu afirmou que essa é uma grande oportunidade de se estabelecer alianças, já que os quatro países têm em comum recursos agrícolas e fontes renováveis. “Temos interesse em adquirir conhecimento e realizar intercâmbio visando ao aperfeiçoamento dos recursos humanos”. Ele ainda explicou que o governo da China incentiva as cooperativas no desenvolvimento da logística dos produtos e na modernização das zonas rurais para apoiar a industrialização. Dados da OCB mostram que a China recebeu 9,7% dos cerca de US$ 4 bilhões exportados pelas cooperativas agrícolas brasileiras em 2009.

Para o amadurecimento e a ampliação das relações comerciais entre os quatro países, o presidente da China Co-op deixou como sugestões que fossem feitos esforços para o fortalecimento do intercâmbio e a consolidação das bases de cooperação. Para isso sugeriu visitas mútuas para ampliação das futuras parcerias, a dinamização das áreas de da cooperação – como exemplo citou a soja, o café, o algodão, o chá, implementos agrícolas e produtos renováveis –; e o aprofundamento dos níveis de cooperação, com a troca de produtos, de informações de mercado e treinamentos de recursos humanos entre os países.

O Encontro de Cooperativas do BRIC faz parte da agenda oficial da II Cúpula de Chefes de Estado e de Governo do BRIC, que acontece até amanhã (sexta-feira, 16) em Brasília.

Ondine Bezerra
Assessoria de Comunicação do Confea