Manaus, 04 de dezembro de 2009.
Como uma tábua de salvação, a Copa 2014 para o Brasil surge como uma oportunidade nunca vista antes para atender às necessidades do país em habitação, alimentação, saneamento básico, saúde, transporte, energia, telecomunicações e segurança.
“É preciso cuidar para que não haja desvios de recursos entre as áreas a serem contempladas com aproximadamente R$ 80bi – gastos previstos para a conclusão das obras nas 12 cidades-sede até 2014. Ou de R$ 110bi, caso o prazo se estenda até 2020”, alerta Arlindo Moura, presidente da Associação Paulista de Empresários de Obras Publicas, que participou do painel Habitação, Desenvolvimento Urbano e Copa 2014, realizado na tarde de hoje (04), último dia da 66ª Soeaa, que movimentou Manaus atraindo profissionais de diversas profissões ligadas à área tecnológica.
“Temos que aproveitar a Copa para que ela deixe um legado para o país”, afirma Moura, preocupado com a execução correta de projetos, construção, reforma e aplicação dos recursos, como os R$ 7bi destinados à adequação dos aeroportos.
Evento midiático que levou um milhão de turistas à Alemanha em 2002, e por partida coloca cerca de 600 milhões de pessoas distribuídas por 240 países em frente aos aparelhos de TV, a Copa 2014 serviu de pano de fundo para a participação da arquiteta Rosana Denaldi, que abriu o painel falando sobre requalificação urbana.
Contundente e objetiva, Rosana elencou números que dão conta de que as favelas e os loteamentos irregulares ocupam 50% da área urbana de Recife, 22% da capital paulista, 20% do Rio de Janeiro, 35% de Salvador e Fortaleza.
Na sequência, vinculou essa realidade à violência, ao agravamento da questão ambiental e baixa qualidade de vida e apontou Curitiba como exemplo de que cidade planejada não garante ausência de favelas e lotes irregulares.
Permeadas de contrastes, as cidades brasileiras no período de 50 anos – 1950 a 2000 – tiveram suas populações aumentadas de 36% a 80%. Na Região Metropolitana de São Paulo moram 17% da população brasileira e junto com o Rio de Janeiro apresentam um déficit habitacional de 80%. “O contraste dessa realidade é o alto índice de imóveis vazios: na capital paulista são 515 mil e na fluminense, 266 mil”, informou a arquiteta.
Também preocupada com o tipo de legado a ser deixado pela Copa 2014 nas cidades-sede, Rosana citou Caio Prado, reafirmando que “essa situação dos centros urbanos não decorre do desenvolvimento acelerado e desordenado, e sim da condição de subdesenvolvimento do país”.
Maria Helena de Carvalho
Assessoria de Comunicação do Confea
