Porto Alegre, 29 de julho de 2009.
Futebol, uma paixão mundial, capaz dos mais profundos sentimentos, ações irracionais, desejos de vitórias e extrema rivalidade, como a dos times de Porto Alegre, Inter e Grêmio, dois campeões mundiais. Com a mesma intensidade, uma Copa do Mundo de Futebol significa para o país-sede uma grande oportunidade de qualificação e melhorias em infraestrutura para suas cidades, ou seja, um grande presente do negócio futebol, responsável por 3% a 4% do PIB nacional. Para 2014, portanto, o Brasil terá de aprender a planejar antecipadamente todas as suas ações técnicas que envolvam o tema. Há um grande desafio pela frente, dos governos federal, estadual, municipal e iniciativa privada, que devem andar juntos para que os projetos saiam do papel.
Representa riscos e dificuldades, mas também pode agilizar e acelerar um programa de investimento consistente, como o que está ocorrendo em Porto Alegre, escolhida como uma das cidades-sede dos jogos. Projetos como o Gigante para Sempre, do Sport Club Internacional – estádio oficial da Copa em Porto Alegre –, e o da Arena, do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, ultrapassam os campos, prometendo mudar o seu entorno, proporcionando muitos empregos e valorização dos profissionais da área tecnológica.
Em termos de futebol, as lembranças da última vez que o país sediou uma Copa do Mundo não são muito boas, já que, mesmo com um time considerado favorito, o Brasil perdeu a final da Copa de 1950 para o Uruguai, fazendo com que um lotado Maracanã, estádio construído para esta competição, no Rio de Janeiro, se calasse. O mais importante, porém, são os legados sociais e econômicos, que podem ser deixados para as cidades, impulsionando, por exemplo, o setor da construção civil brasileiro.
É o que afirma a Associação Brasileira das Indústrias de Base (ABDIB), entidade que estabeleceu um termo de cooperação técnica com o Governo Federal, por meio do Ministério do Esporte, e Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para realizar um estudo inédito, objetivando indicar a situação da infraestrutura nas cidades candidatas e os investimentos necessários para atingir os patamares adequados para receber a Copa. A Abdib visitou as 18 cidades candidatas, entre elas Porto Alegre. Este estudo contemplou nove áreas – portos, aeroportos, mobilidade urbana, saneamento básico, telecomunicações, energia elétrica, segurança pública, saúde e hotelaria.
Segundo o vice-presidente executivo e coordenador do grupo de trabalho da Copa 2014 da Abdib, Ralph Lima Terra, no diagnóstico da situação da infraestrutura nas cidades-sede elaborado pela entidade, foi detectado, por exemplo, que o setor de telecomunicações está bem desenvolvido. Entretanto, a questão da mobilidade urbana merece atenção em todas as sedes. “É preciso que os planejamentos sejam encarados com uma lógica privada, evitando o comprometimento de recursos públicos em setores em que a iniciativa privada tem plenas condições de atuar, tanto nos investimentos quanto na operação dos sistemas”, diz Ralph.
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Carla Damasceno e Jô Santucci
Jornalismo Crea-RS
