São Luís, 2 de abril de 2009
Engenheiros e Técnicos do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Maranhão (Crea-MA), sob comando do presidente Raymundo Portelada, realizaram no último final de semana uma ação fiscalizadora na Usina Hidrelétrica de Estreito, do Consórcio Ceste, formado pelas empresas Suez Energy South América Participações Ltda., Vale, Alcoa Alumínio S.A. e Camargo Corrêa Energia S.A. Os profissionais conversaram com os engenheiros Massilon Gomes Filho e Antonio Geraldo Pinto Maia (ambos da Ceste) e com o economista Eduardo Fhael, diretor administrativo-financeiro da empresa OAS. Na vistoria ficou constatada que o consórcio respeita todas as normas do Sistema Confea/Crea, respeitando também as leis de Segurança do Trabalho, Meio Ambiente e da construção civil.
Segundo o presidente Raymundo Portelada, o consórcio está com todas as suas Anotações de Responsabilidades Técnicas (ARTs) em dia, à exceção dos vistos dos profissionais que não foram identificados no Crea-MA, mas que a empresa está tomando todas as providências para regularização. O gigantesco empreendimento, que tem o consórcio Ceste como vencedora a 12 de julho de 2002 pela Agência Nacional de Energia Elétrica, conforme Edital de Leilão Nº 001/2002 é uma Concessão de Uso de Bem Público, com prazo de 35 anos, para a implantação e operação de aproveitamento hidrelétrico no rio Tocantins, nos estados do Maranhão e Tocantins.
O presidente do Crea, Raymundo Portelada, disse que as obras da Hidrelétrica de Estreito faz parte do conjunto de aproveitamentos propostos para o rio Tocantins, a montante da foz do rio Araguaia, conforme consta dos “Estudos de Inventário Hidrelétrico” aprovados pelo DNAEE – Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica (atual ANEEL), conforme Portaria Nº 123 de 10 de abril de 1992. “Estreito é uma usina hidrelétrica com 08 (oito) unidades geradoras, com capacidade nominal unitária de 135,87 MW e capacidade instalada total de 1.087 MW”, disse.
Desvio do Rio
O diretor de Engenharia da Ceste, Antonio Geraldo Pinto Maia, ressaltou que a área abrangida pelo Complexo compreende as estradas de acesso, as áreas de empréstimo, jazidas de areia e bota-foras, os estoques provisórios de materiais de construção e de equipamentos, área do canteiro industrial e do acampamento destinado à equipe de trabalho na construção. O arranjo compreende as estruturas de concreto da Casa de Força/Tomada d’Água e Vertedouro, contemplado por barramentos em concreto e aterro, complementando o fechamento do rio entre a margem esquerda e a margem direita. O comprimento total da crista do barramento, incluindo as estruturas de concreto, é de aproximadamente 1.300 m.
Nas instalações associadas do Complexo, segundo ainda Pinto Maia, incluem-se almoxarifado, oficina para a operação e manutenção, estrada de acesso até o local das Obras e estradas interligando as várias estruturas do Complexo. O desvio do rio será efetuado em duas fases, sendo que a primeira fase transcorre por cerca de 24 (vinte e quatro) meses contados a partir do início das obras.
Nesta primeira fase, o rio Tocantins escoará pelo seu leito natural enquanto serão construídas as estruturas do Circuito de Geração na margem direita e do Vertedouro na margem esquerda. Para isto, serão construídas em ambas as margens ensecadeiras em forma de “U”, sem restrição do leito natural do rio.
Na segunda fase o rio será desviado pelo Vertedouro, que contará com oito vãos concluídos e seis rebaixados na ogiva desta estrutura. Nesta fase serão construídas as ensecadeiras no leito do rio à montante e à da área de implantação da barragem principal. Para a construção das ensecadeiras estão previstos trabalhos de impermeabilização de camada de aluvião no leito do rio, com a implantação de cortina de “Jet Grouting” na região de vedação das ensecadeiras.
Barragem de Enrocamento com Núcleo Impermeável de Terra Compactado
A Barragem Principal será do tipo Enrocamento com Núcleo Impermeável de Terra, com extensão de cerca de 480,0 m na crista (entre os muros de abraço), com altura máxima de aproximadamente 47,0 m, com coroamento na EL. 160,0 m. Esta barragem terá núcleo impermeável central e espaldares de montante e jusante em enrocamento, assente sobre o aluvião, sendo removida apenas a camada superficial de aproximadamente 5,0 m, mais compressível, em toda a projeção do aterro em planta, com o objetivo de remover a camada superficial mais compressível.
A crista da barragem apresenta largura de 8,0 m, com inclinação dos taludes de montante e jusante de 1,3 H : 1V até a elevação 150,0m e abaixo desta cota, inclinação de1,5 H : 1V.
Com o objetivo de reduzir a percolação de água pela fundação prevê-se a execução de uma cortina de vedação, com parede diafragma, atravessando a camada aluvionar e penetrando cerca de 5,0 m no arenito, a ser executada a montante do aterro da barragem, num tapete que configura uma extensão do núcleo para montante. Combinada à parede diafragma, deverá ser executada uma linha de injeções de calda de cimento no trecho onde a barragem estará assente sobre arenito, para reduzir a percolação pela fundação.
Nos encontros do aterro com a Casa de Força e com o Vertedouro, serão incorporados muros às estruturas para realização do abraço do aterro de modo a garantir melhor impermeabilização destes contatos.
Sistema Extravasor
O extravasamento das vazões de enchente será efetuado pelo Vertedouro, localizado na margem esquerda.
O Vertedouro contará com 14 (quatorze) vãos de 19,10 m largura com crista da ogiva na El. 133,50. A dissipação de energia neste Vertedouro se dará através de uma Bacia de Dissipação. Nas laterais da Bacia de Dissipação estão previstos 2 (dois) muros de concreto com a finalidade de contenção do escoamento no interior da bacia.
Durante o desvio de segunda fase serão mantidos 6 (seis) vãos rebaixados no Vertedouro. Estes vãos terão a ogiva concretada parcialmente até a El. 128,00, durante a referida fase de desvio.
A regra de operação básica considera a descarga de cheias pelo Vertedouro, que tem capacidade de escoar cheias praticamente com tempo de recorrência de 500 anos (45.494 m³/s) com o reservatório no N.A. máximo normal na El. 156,00. Acima desta vazão o nível do reservatório passará a sobrelevar, de modo que, ao se atingir o N.A. máximo maximorum – El. 158,00, estará sendo descarregada a vazão correspondente à cheia decamilenar de 62.719 m³/s.
Circuito Hidráulico de Geração
O circuito hidráulico de geração será construído na margem direita, compreendendo o canal de adução, as estruturas da Tomada d Água, Casa de Força, Áreas de Descarga e Montagem, e o Canal de Fuga.
A estrutura da Tomada d Água será do tipo aliviado em concreto armado, tendo cada bloco das unidades geradoras 3 (três) passagens hidráulicas formadas por 2 (dois) contrafortes laterais e dois pilares centrais. A estrutura será coroada na El. 159,00 e terá altura da ordem de 40 m.
A Casa de Força contará com galerias eletromecânicas localizadas a jusante da estrutura, ficando o deck de jusante, correspondente ao pátio dos transformadores, na El. 154,00.
Os blocos da Área de Montagem e de serviços contarão com instalações de oficina, almoxarifado, ferramentaria, e outras dependências, ficando a jusante destes blocos. Acima da El. 154,00 serão implantados o Edifício de Controle e Administração da Usina.
Subestação e Linha de Transmissão de 500 kV
A Subestação de Estreito em 500 kV, de acordo com estudos recentes de integração da Usina Estreito à rede básica, considera esta subestação inicialmente de uso exclusivo, passando no futuro, com a entrada da linha para o Nordeste (Sobradinho), a pertencer à rede básica.
Será construída na configuração de disjuntor e meio, com 4 (quatro) bays relativos à Usina e 2(dois) bays de entrada e saída de linhas; sendo que um bay para a linha até a SE Imperatriz entrará em operação junto com a Usina e outro, não equipado inicialmente, como previsão futura para interligar com o Nordeste (SE Sobradinho/Ribeiro Gonçalves) e, ainda, previsão de área para outra eventual conexão futura, com destino não definido neste momento.
A interligação dos transformadores elevadores da casa de força à subestação será feita por 4 (quatro) linhas de transmissão – linhas curtas, com cerca de 400 m de comprimento, em 500 kV.
A interligação da subestação Estreito à rede básica se fará com uma única LT 500 kV até a subestação Imperatriz, da Eletronorte, localizada a cerca de 123 km da subestação Estreito.
Mata Roma
Crea-MA
