Belém, 17 de abril de 2008
Em 1724, a coroa portuguesa ordenava que qualquer fortificação no Pará fosse construída de acordo com a opinião do engenheiro Sebastião Pereira Paris, que, na época, foi o responsável pela construção do Forte de São Paulo e pela ampliação do Forte de São Marcelo, ambos na Bahia, então sede da administração colonial. Aquela foi uma das primeiras intervenções do Estado em regularizar o exercício de uma atividade ligada à tecnologia.
Passados mais de 200 anos, os regulamentos da área tecnológica continuam com o Estado, através do Conselho Federal e dos Conselhos Regionais de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Creas), criados pelo governo Vargas, entre 1933 e 1934. O primeiro Conselho da Amazônia foi o Crea-PA, que completa 74 anos no dia 23 de abril.
A solenidade de aniversário será no dia 30 e homenageará os profissionais que são ou foram referência no Estado. O evento contará com diversas autoridades e vai dar espaço para o lançamento do Prêmio Crea Pará de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, previsto para ser realizado no fim deste ano.
Diploma e Livro do Mérito
O aniversário da Regional Pará não se restringe às autoridades e funcionários do Conselho. A cerimônia também é para os profissionais. Embora todos não possam ser convidados, eles se fazem presentes através da homenagem a personalidades estaduais ou nacionais que se destacaram por ações em prol do Sistema Confea/Crea.
As indicações partem das seis câmaras especializadas. Este ano serão 15 homenageados, sendo que nove deles receberão o Diploma do Mérito e cinco terão os nomes escritos no Livro do Mérito, destinado aos profissionais falecidos e que, no evento, são representados por familiares. A Universidade Federal do Pará, que completou 50 anos em 2007, também será homenageada. A instituição é referência em tecnologia na Amazônia e concentra boa parte dos cursos superiores que integram o Crea-PA.
Preocupação com o Meio Ambiente
Dia 30 também será o lançamento do Prêmio Crea Pará de Meio Ambiente e Recursos Hídricos. O objetivo é premiar iniciativas que, de alguma forma, agiram em favor da natureza, da preservação e melhor utilização da água e da qualidade de vida no Estado. A premiação também se propõe a divulgar valores ambientalmente corretos que possam servir de exemplo na vida de pessoas e organizações. Ao todo são oito categorias: saneamento, geologia e engenharia de minas, produção limpa, produção agronômica, meio ambiente rural, educação ambiental e imprensa - nas modalidades impresso, TV e rádio.
Nesta primeira edição, os organizadores vão escolher a marca e o troféu do evento por meio de um concurso. O autor do trabalho escolhido para representar visualmente o prêmio, vai receber a quantia de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais), que será entregue no dia da cerimônia, prevista para novembro.
As indicações para concorrer ao prêmio podem ser feitas por qualquer pessoa ou instituição pública ou privada. Segundo o geólogo e conselheiro regional Francisco Matos, integrante da Comissão de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Crea-PA, este caráter democrático serve para mostrar que as soluções e idéias para preservar e conservar a natureza não devem ser de exclusividade da classe tecnológica. "Todos somos responsáveis e estamos à mercê das catástrofes naturais, por isso todos devemos contribuir para a preservação da vida", disse.
74 anos de Pioneirismo
O Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Pará não nasceu restrito ao Estado em que hoje atua. Quando foi criado, em 23 abril de 1934, ele era conhecido com o Crea da 1ª Região e respondia pelos Estados do Amazonas, Maranhão, Piauí e pelo então território federal do Acre. Segundo relatos do arquiteto Antônio Albuquerque, que escreveu um breve histórico do Conselho, o primeiro registro profissional só foi feito sete meses depois, em novembro, com o engenheiro civil Jorge de Araújo Martins, natural de Soure. Ainda segundo Albuquerque, no ano seguinte à criação, houve um modesto avanço nos registros. "Em 1935, mais de 14 profissionais se inscreveram no Crea", confirmou. Hoje, depois de 74 anos, o Conselho já ultrapassa a marca de 20 mil profissionais registrados.
Lucas Filho
da Equipe de Comunicação do Crea-PA
