"Wollinger: Ética é fundamental na formação" Desigualdades geográficas e de áreas de atuação são dois problemas diagnosticados pelo diretor de regulação e supervisão da educação superior da Secretaria do Ensino Superior do Ministério da Educação (Sesu/MEC). Em visita à Sessão Plenária do Confea, na tarde desta quarta-feira, Paulo Roberto Wollinger abordou a formação profissional da área tecnológica.
De acordo com Wollinger, hoje há cerca de 2.240 instituições de ensino no Brasil, porém não muito bem distribuidas. “Isso gera um problema de migração para os grandes centros. Depois, o estudante não costuma voltar para sua cidade. Nesse processo, algumas regiões do país ficam escassas em profissionais qualificados”, explicou. “A Sesu tem desafios marcantes para reduzir a desigualdade educativa geográfica do Brasil”. Além das desigualdades locais, Wollinger destaca a escassez de alunos. “Para um país com 180 milhões de habitantes, com 50 milhões de estudantes no ensino básico, um contingente de seis milhões de alunos matriculados nas instituições de ensino superior é muito pouco”, afirmou.
Wollinger explicou, ainda, que dos 250 diferentes cursos de graduação disponíveis no país, cinco tomam praticamente metade do total das vagas fornecidas. “Isso causa uma desigualdade no número de profissionais. Enquanto o mercado de trabalho está saturado em algumas áreas, em outras, há carência de profissionais qualificados”, concluiu.
Outro ponto destacado pelo diretor do MEC foi a ética. Segundo ele, é fundamental que haja disciplinas voltadas para o assunto em todos os cursos de formação profissional. “Na área tecnológica, em especial, essa discussão é ainda mais necessária. O estudante deve se formar consciente tanto do papel da tecnologia na inserção social quanto do valor que ele, profissional, tem no momento em que faz um projeto”, disse.
“Problema grave” Para Wolliger, uma grande dificuldade no sistema profissional do Brasil é o fato de algumas profissões já consolidadas em certas regiões do país não terem ofertas de cursos de formação profissional. “Então profissionais não qualificados fazem o serviço”, disse. “Há carência de profissionais qualificados e especializados no Brasil, principalmente na área tecnológica”.
Mútua Outra apresentação feita na mesma tarde foi a do presidente da Mútua Caixa de Assistência dos Profissionais do Crea, eng. civ. Ânjelo da Costa Neto. Entre os assuntos abordados, Neto explicou sobre o funcionamento e o andamento do projeto Tecnoprev, plano fechado de previdência complementar instituído pela entidade.