Embrapa mostra que é possível recuperar áreas degradada pela agropecuária

A Crítica, 23 de Fevereiro de 2011

Pesquisadores e especialistas em práticas em recuperação de pastagens degradadas realizam no município de Lábrea, no sul do Amazonas, nesta quinta-feira (24) experimentos de como é possível adotar uma atividade agropecuária mais sustentável. As informações são da assessoria de imprensa da Embrapa.

Para apresentar estes experimentos e resultados obtidos nesse sentido, a Embrapa Amazônia Ocidental em parceria com Embrapa Acre e o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal do Amazonas (Idam), realizam o Dia de Campo “Recuperação de Pastagens pelo Sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). As informações são da assessoria de imprensa da Embrapa.

O Dia de Campo acontece das 8h às 13h e conta com a abertura pelo chefe-geral da Embrapa Acre, Judson Valetim. As orientações têm como público alvo técnicos de extensão rural, estudantes de Agronomia, pequenos e grandes produtos e fazendeiros.

O sistema de Integração Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF) é uma estratégia de produção que se baseia na adoção de práticas conservacionistas, como o plantio direto, a rotação e a sucessão de culturas, o consórcio de espécies, o manejo animal e a produção de madeira.

O sistema de ILPF é recomendado para o aumento da produção em áreas já alteradas, por possibilitar a recuperação e a conservação do solo e das águas, unindo a adequação ambiental e a viabilidade econômica.

Na avaliação da Embrapa, os índices atuais de produtividade da pecuária no Amazonas são baixos e os resultados da adoção do sistema de ILPF mostram que é possível melhorar esses índices na região.

A proposta é reduzir a mortalidade do rebanho dos atuais 10% para 5% e aumentar a natalidade dos atuais 60% para 90%, a partir de melhor e maior disponibilidade de alimento para o rebanho gerando maior excedente em  produção de carne.

Eficiência

A quantidade de alimento disponível para o rebanho, medida como produção de matéria seca, atualmente chega a 10 toneladas/hectare/ano e com o ILPF pode alcançar de 12 a 19 ton/ha/ano.

A taxa de desfrute, que é a capacidade do rebanho gerar excedente em quilos/unidade de animal, fica em torno de 5% e pode ser elevada para 10%. Também a ocupação de áreas por animal pode se tornar mais eficiente, saindo do índice atual de 0,5 a 1 animal por hectare para 2 a 5 unidades de animal por hectare.

As pesquisas no Amazonas demonstram que é possível recuperar pastagens degradadas no período de quatro meses, com preparo do solo e plantios que combinam variedades de pastos e de milho adequadas às condições da região.

O pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental, Rogério Perin, cita que o investimento para recuperação de pastagens por esse sistema fica em torno de R$ 3.260 por hectare incluindo preparo e correção do solo, adubos e sementes.

A receita obtida após um ano chega a R$ 7.700. Os dados foram calculados com referência aos preços e a logística em Manaus-AM.

Há variação de acordo com a localização do empreendimento. Os custos no local do experimento no sul do Amazonas, por exemplo, são menores em razão do acesso logístico pelos estados do Acre e Rondônia.

Ambiente

Além das vantagens econômicas há os ganhos ambientais. Conforme explica o pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental, Jasiel Nunes, após a colheita do milho ficam resíduos de fósforo no solo e restos de palhada que influenciam na melhoria das condições da pastagem.

A etapa seguinte é o plantio de árvores no sistema, que podem ser espécies florestais e frutíferas, permitindo sombreamento e conforto para os animais, e melhorias para o solo com a decomposição de folhas e fixação de nutrientes.

As árvores selecionadas para plantio entram também como um componente de valor econômico, pois podem servir para venda do fruto, madeira, resinas ou sementes. Entre as espécies que vem sendo utilizadas no Amazonas destacam-se a andirobeira, castanheira, piquiá e mogno, entre outras.

O sistema é adaptável tanto para grandes pecuaristas quanto para pequenos produtores, pois as espécies florestais e frutíferas podem ser selecionadas de acordo com o perfil e interesse do produtor, observa Jasiel.

As pesquisas e transferência de tecnologias do sistema ILPF estão sendo desenvolvidas em nível nacional pela Embrapa como uma estratégia para recuperação de pastagens degradadas, com práticas que combinem maior eficiência produtiva e conservação ambiental e contribuam para a redução das emissões de carbono para a atmosfera.

No Amazonas, os experimentos com recuperação e manejo de pastagens em sistemas de ILPF estão sendo feitos em campo experimental na rodovia BR 174 e nos municípios de Lábrea, Apuí, Autazes, Careiro da Várzea, Itacoatiara e tem previsão de início em Parintins.

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