Brasília, 13 de agosto de 2009.
Holanda, Dinamarca e Finlândia são alguns dos países que se destacam na utilização da cogeração de energia. Respectivamente em cada um deles, a cogeração responde por 30%,47% e 30% do total da energia produzida nesses países. No Brasil, embora não haja dados concretos sobre a utilização da cogeração, especialistas afirmam que esse número é inferior a 10%. Embora ambiental e energeticamente eficiente, nem sempre a cogeração compensa do ponto de vista financeiro os investimentos que um projeto demanda.
Entenda melhor o que é a cogeração de energia.
De acordo com esses especialistas, há uma série de motivos pelos quais o Brasil não é um grande utilizador do sistema de cogeração de energia. Para o vice-coordenador do Programa de Planejamento Energético (Coppe) da UFRJ, Alexandre Szklo, um desses motivos é o fato de o modelo elétrico brasileiro oferecer segurança e estabilidade na rede. “Em 2001 houve um ‘boom’ na cogeração, pois empreendimentos como hospitais, por exemplo, não podiam ficar a mercê do apagão”, explicou. “Hoje em dia, além de estável, o sistema energético brasileiro ainda é barato”, disse. Além disso, quando o combustível utilizado for o gás natural, a volatilidade do preço desse combustível pode assustar o investidor. “O preço do gás natural está atrelado à taxa de câmbio e ao preço do petróleo – o que não acontece com a energia elétrica normal do país”, explicou.
Outro fator que minimiza a utilização da cogeração, segundo a superintendência de regulação dos serviços de geração da Aneel, é que não há restrições ambientais no Brasil, diferentemente de países que estão no limiar do cumprimento das metas do Protocolo de Kyoto. “O uso da cogeração acontecerá pela ordem econômica. Na medida em que o preço da energia elétrica for se elevando, a indústria se forçará a investir na produção eficiente de energia”.
Alexandre Szklo, da UFRJ, explicou que a viabilidade da implantação de um projeto de cogeração dependerá da comparação entre os preços da energia elétrica e do combustível a ser utilizado. A essas variáveis, Nivalde de Castro, também da UFRJ, acrescenta que a tecnologia utilizada também influenciará no custo total do projeto. “O custo de investimento em uma planta de cogeração no setor sucroalcooleiro que utilize a tecnologia da extracondensação capaz de produzir em torno de 96 KWh por tonelada de cana processada está na ordem de R$ 3 mil por KW instalado”, exemplificou Nivalde.
Enquanto para a maioria dos setores ainda não há muitas vantagens econômicas em investir na cogeração no Brasil, a indústria sucroalcooleira apontada por Nivalde, pelo contrário, explora bem essa técnica. Para a Aneel “a cogeração e a indústria sucroalcooleira dão um casamento perfeito”. A Agência explica que, antigamente, a indústria utilizava o bagaço de cana apenas para a produção de vapor de processo e a demanda de energia elétrica da indústria era atendida pela rede. Tal relação era maléfica ao meio ambiente, uma vez que o bagaço não utilizado era simplesmente queimado com alta emissão de poluentes. Com a elevação dos preços da energia elétrica, a indústria buscou a produção própria de energia através da cogeração. “Hoje, essa indústria não só atende a sua própria demanda como é uma forte exportadora de energia elétrica”, explicou. “Enquanto que em outras indústrias o custo de um projeto de cogeração de energia depende essencialmente do combustível e da eletricidade e calor demandados, na indústria sucroalcooleira, o combustível é um resíduo do processo, o que viabiliza facilmente o emprego da cogeração”.
Futuro de energias limpas no Brasil?
A visão de uma perspectiva de utilização da cogeração no futuro no Brasil varia de especialista para especialista. Para Alexandre, as perspectivas para a cogeração a partir de biomassa (o bagaço da cana, por exemplo) são muito boas. “A tendência é aumentar”, disse. “Mas para o gás natural a perspectiva não é muito boa”.
Já o vice-presidente de sustentabilidade da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento, Samoel Vieira de Souza, apresenta uma ideia mais otimista. Segundo ele, a cogeração cresce acima do PIB do país e é considerada uma solução inteligente e verde para a recuperação e redução das emissões de carbono. “Um projeto de cogeração de grande porte pode gerar créditos de carbono, cujo valor de mercado pode amortecer boa parte dos investimentos. Por tudo isso, a nosso ver, esta área tem um potencial de crescimento”, completou.
Nivalde de Castro, da UFRJ, acredita que no setor sucroalcooleiro a expectativa é que cada vez mais a comercialização de energia elétrica se constitua em uma outra fonte de renda para os usineiros. “Por sua vez, investimentos em cogeração a gás natural tendem a crescer com o aumento da oferta de gás nos próximos anos e será um elemento estratégico de segurança energética e competitividade das empresas que realizarem investimentos de forma adequada”. Visão contrastante com a da Agência Nacional de Energia Elétrica: “a expectativa do Brasil não é o uso crescente da cogeração, por conta da recente crise de abastecimento de gás natural”.
Beatriz Leal
Assessoria de Comunicação do Confea
Holanda, Dinamarca e Finlândia são alguns dos países que se destacam na utilização da cogeração de energia. Respectivamente em cada um deles, a cogeração responde por 30%,47% e 30% do total da energia produzida nesses países. No Brasil, embora não haja dados concretos sobre a utilização da cogeração, especialistas afirmam que esse número é inferior a 10%. Embora ambiental e energeticamente eficiente, nem sempre a cogeração compensa do ponto de vista financeiro os investimentos que um projeto demanda.
Entenda melhor o que é a cogeração de energia.
De acordo com esses especialistas, há uma série de motivos pelos quais o Brasil não é um grande utilizador do sistema de cogeração de energia. Para o vice-coordenador do Programa de Planejamento Energético (Coppe) da UFRJ, Alexandre Szklo, um desses motivos é o fato de o modelo elétrico brasileiro oferecer segurança e estabilidade na rede. “Em 2001 houve um ‘boom’ na cogeração, pois empreendimentos como hospitais, por exemplo, não podiam ficar a mercê do apagão”, explicou. “Hoje em dia, além de estável, o sistema energético brasileiro ainda é barato”, disse. Além disso, quando o combustível utilizado for o gás natural, a volatilidade do preço desse combustível pode assustar o investidor. “O preço do gás natural está atrelado à taxa de câmbio e ao preço do petróleo – o que não acontece com a energia elétrica normal do país”, explicou.
Outro fator que minimiza a utilização da cogeração, segundo a superintendência de regulação dos serviços de geração da Aneel, é que não há restrições ambientais no Brasil, diferentemente de países que estão no limiar do cumprimento das metas do Protocolo de Kyoto. “O uso da cogeração acontecerá pela ordem econômica. Na medida em que o preço da energia elétrica for se elevando, a indústria se forçará a investir na produção eficiente de energia”.
Alexandre Szklo, da UFRJ, explicou que a viabilidade da implantação de um projeto de cogeração dependerá da comparação entre os preços da energia elétrica e do combustível a ser utilizado. A essas variáveis, Nivalde de Castro, também da UFRJ, acrescenta que a tecnologia utilizada também influenciará no custo total do projeto. “O custo de investimento em uma planta de cogeração no setor sucroalcooleiro que utilize a tecnologia da extracondensação capaz de produzir em torno de 96 KWh por tonelada de cana processada está na ordem de R$ 3 mil por KW instalado”, exemplificou Nivalde.
Enquanto para a maioria dos setores ainda não há muitas vantagens econômicas em investir na cogeração no Brasil, a indústria sucroalcooleira apontada por Nivalde, pelo contrário, explora bem essa técnica. Para a Aneel “a cogeração e a indústria sucroalcooleira dão um casamento perfeito”. A Agência explica que, antigamente, a indústria utilizava o bagaço de cana apenas para a produção de vapor de processo e a demanda de energia elétrica da indústria era atendida pela rede. Tal relação era maléfica ao meio ambiente, uma vez que o bagaço não utilizado era simplesmente queimado com alta emissão de poluentes. Com a elevação dos preços da energia elétrica, a indústria buscou a produção própria de energia através da cogeração. “Hoje, essa indústria não só atende a sua própria demanda como é uma forte exportadora de energia elétrica”, explicou. “Enquanto que em outras indústrias o custo de um projeto de cogeração de energia depende essencialmente do combustível e da eletricidade e calor demandados, na indústria sucroalcooleira, o combustível é um resíduo do processo, o que viabiliza facilmente o emprego da cogeração”.
Futuro de energias limpas no Brasil?
A visão de uma perspectiva de utilização da cogeração no futuro no Brasil varia de especialista para especialista. Para Alexandre, as perspectivas para a cogeração a partir de biomassa (o bagaço da cana, por exemplo) são muito boas. “A tendência é aumentar”, disse. “Mas para o gás natural a perspectiva não é muito boa”.
Já o vice-presidente de sustentabilidade da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento, Samoel Vieira de Souza, apresenta uma ideia mais otimista. Segundo ele, a cogeração cresce acima do PIB do país e é considerada uma solução inteligente e verde para a recuperação e redução das emissões de carbono. “Um projeto de cogeração de grande porte pode gerar créditos de carbono, cujo valor de mercado pode amortecer boa parte dos investimentos. Por tudo isso, a nosso ver, esta área tem um potencial de crescimento”, completou.
Nivalde de Castro, da UFRJ, acredita que no setor sucroalcooleiro a expectativa é que cada vez mais a comercialização de energia elétrica se constitua em uma outra fonte de renda para os usineiros. “Por sua vez, investimentos em cogeração a gás natural tendem a crescer com o aumento da oferta de gás nos próximos anos e será um elemento estratégico de segurança energética e competitividade das empresas que realizarem investimentos de forma adequada”. Visão contrastante com a da Agência Nacional de Energia Elétrica: “a expectativa do Brasil não é o uso crescente da cogeração, por conta da recente crise de abastecimento de gás natural”.
Beatriz Leal
Assessoria de Comunicação do Confea
