Engenharia Mundial discute meio ambiente

Brasília, 5 de dezembro de 2008

Ciência e tecnologia como solução para o desenvolvimento sustentável foi o foco das palestras do Fórum do Desenvolvimento Sustentável – Meio Ambiente, que lotou o auditório Máster JK, durante da Word Engineers’ Convention (WEC 2008), na quinta-feira, dia 4.

Cientistas como Ricardo Sanchez, diretor para a América Latina e o Caribe do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), alertaram para a necessidade de o mundo se voltar para desastres como o de Santa Catarina. “É necessário estabelecer agora as vias para manejar o capital natural, com uma disciplina rigorosa, para não causar danos para a geração futura, privilegiando a proteção dos ecossistemas e evitar o desmatamento”, afirmou.
 
David Mendes, meteorologista e pós-graduado do INPE, da área de estudos científicos sobre a Terra, em sua palestra sobre a urbanização desenfreada afirmou que essas catástrofes são reflexos das mudanças climáticas, pois o que aconteceu com Santa Catarina tem proporções mais gigantescas do o Catarina, de 2003. “Nessa época do ano, a precipitação média é cerca de 150 a 200 mm. Em 10 dias, choveu 850 mm, em uma região de maior índice de desenvolvimento do país. O Porto de Itajaí, que ficará interditado durante seis meses, é o segundo do Brasil em exportações. Os prejuízos são muito grandes.”

O cientista salienta ainda que eventos como a WEC são ideais para mostrar que a diversidade de áreas e profissões pode contribuir para solucionar problemas como estes, porque os desastres estão acontecendo com cada vez mais freqüência. A troca, a remoção da vegetação da Amazônia, por exemplo, traz impactos para toda a América Latina. “Só existe um planeta. Vamos cuidar dele”, alertou.

Mudanças climáticas, vulnerabilidade e impactos foi tema da palestra proferida pelo membro do painel intergovernamental sobre mudanças climáticas, Antônio Rocha Magalhães, que abordou os aspectos gerais das mudanças climáticas globais, que já se refletem no campo dos recursos hídricos, nas ondas de calor e nas enchentes.

“A temperatura da terra vem aumentando sensivelmente no pós-Revolução Industrial, onde os gases do efeito estufa começaram a ser produzidos em maior escala. Nesse sentido, será muito importante a participação da engenharia na criação de inovações que amenizem os impactos provocados por esse fenômeno”, disse.

Ao finalizar este Fórum, o premiado jornalista e escritor André Trigueiro, que apresenta o programa Cidade e Soluções, da Globo News, chamou a atenção para o uso impróprio do Green Buildings em muitos empreendimentos que não desenvolvem este conceito. E que muitas vezes o que prevalece é a regra do bolso.

Segundo ele, os engenheiros são fundamentais para a possibilidade da construção de um mundo melhor. Ele citou o exemplo de Santa Catarina, onde o fator maior da tragédia foi o deslizamento de terra. “Faltou maior fiscalização das encostas e proteção das matas ciliares e gestão pública.”

Para Trigueiro, a crise ambiental não tem precedentes e a engenharia pode contribuir para mudanças. “A sustentabilidade tem cara, cheiro e custo-benefício, pois quem não investir nela vai tempo e dinheiro”. Destacou ainda a necessidade de as universidades formarem os engenheiros para o século 21, para atender à demanda da realidade, sendo urgente acelerar esse processo. “Há vários exemplos de solução da engenharia, coleta da água da chuva, transformação do esgoto em energia, mais ainda é pouco.” Após apresentar um vídeo de algumas soluções para a construção sustentável, ressaltou que o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) falta um ‘s’: Programa de Aceleração do Crescimento Sustentável.

Por Jô Santucci e Janine Gonzalez
Equipe de comunicação da WEC