Brasília, 18 de novembro de 2009.
“Deixar uma cidade crescer sem planejamento é loucura. É prejuízo”, afirmou Paulo Octávio, que se revelou “um engenheiro frustrado”, e detalhou o que o Governo do Distrito Federal (DF) tem feito nas áreas de saúde, educação, segurança e de infraestrutura, com destaque para as 2032 obras em mil dias de governo e que geram 60 mil empregos diretos e indiretos.
“Temas distritais e nacionais alimentarão as palestras”, adiantou Ronildo de Menezes, presidente do Sindicato dos Engenheiros no DF Senge-DF, promotor do evento que tem também as parcerias do Crea-DF e da Federação Nacional dos Engenheiros. “O pano de fundo da programação são os rumos que a Engenharia nacional pode tomar com a perspectiva real de o país ter bons índices de crescimento”, afirma o presidente do Senge-DF.
Para Murilo Pinheiro, presidente da Federação Nacional dos Engenheiros FNE, é positivo o envolvimento de profissionais que “por todo o país discutem a realidade e os melhores caminhos a seguir para termos um crescimento sustentável”. Ele adianta que as propostas surgidas dos debates serão reunidas em documento a ser entregue aos candidatos das próximas eleições.
“Fica cada vez mais claro para o Brasil que não há nenhuma possibilidade de desenvolvimento sem Engenharia”, afirmou Marcos Túlio de Melo, presidente do Confea. Para ele, a retomada do crescimento em torno de 5% ao ano revelará não só a falta de profissionais habilitados para atender à demanda “mas também a falta de projetos técnicos, motivada pelo desmonte das equipes técnicas, tanto no setor público quanto no privado, o que acabou por praticamente extinguir a engenharia consultiva”. Segundo ele, esses fatores já dificultam muitas obras do Programa de Aceleração do Crescimento. “Imagine se chegarmos a 11%, como já ocorreu no passado?”, pergunta.
Túlio de Melo diz que além de entregar propostas aos governantes e candidatos nas próximas eleições, “é preciso debater com a sociedade um projeto de país para 2020, 2030, 2050”. Ele acredita que esse é um dos caminhos para “evitarmos gargalos futuros”.
Ao falar do desmonte das equipes técnicas, Túlio de Melo defendeu o pagamento, pelos setores público e privado, do salário mínimo profissional. “Em muitos estados, temos relatos de engenheiros que recebem pouco mais de R$ 500,00 ao mês”, informou.
Sobre a formação do engenheiro, o presidente do Confea defendeu a revisão dos currículos oferecidos e disse que é “preciso priorizar o ensino de matemática e ciências desde o 1º grau”. Ele alertou que “só no ensino médio faltam cerca de 200 mil professores de matemática, física e química”.
“O maior desafio da Engenharia no Brasil de hoje é o descompasso estrutural entre oferta e demanda”, detecta Marcos Formiga, um dos palestrantes da desta manhã. Coordenador da iniciativa iNova Engenharia e professor da UnB, Formiga diz que, enquanto o mercado está aquecido, “a formação está desacelerada em termos de quantidade e qualidade”. Ele diz que o sistema educacional reage vagarosamente na montagem de novos conteúdos e na excessiva carga horária exigida.
Para o professor, a formação é ponto chave para uma engenharia de qualidade. “Além de uma graduação moderna, dinâmica, o profissional tem que ter habilidades como trabalhar em equipe, falar um ou mais idiomas e ter uma boa dose de ousadia, para se realizar profissionalmente”, ensina.
Maria Helena de Carvalho
Assessoria de Comunicação do Confea
