Entrevista: José Leitão de Almeida Viana, presidente do Crea-PA

Belém, 30 de janeiro de 2009.

"Viana continuará interiorização do Crea-PA"
O novo presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Pará, Eng. Civ. José Leitão de Almeida Viana, iniciou seu mandato à frente do Conselho, que se completará em 2011. Antes de completar um mês de gestão, a realização do Fórum Social Mundial, em Belém, onde se discutiu uma nova forma de produção e de consumo, abriu espaço para uma conversa sobre os problemas do país que estão relacionados com as profissões que o Crea fiscaliza.

Repórter: Gostaria que o senhor comentasse os efeitos da crise econômica nas atividades das profissões do Sistema Confea/Crea no Pará.

João Viana: A crise ainda não é sentida tão gravemente no Pará. Contudo, por sermos um estado que produz muitos minérios, realmente essa atividade, principalmente da extração de ferro, está um pouco comprometida. Acho que a crise é, em parte, resultado da falta de obras públicas e, por isso, vejo a importância de o governo não parar as obras do Programa de Aceleração do Crescimento.

Estamos na porta da Floresta Amazônica. Existe um debate grande sobre como administrar esse espaço...

João Viana: Essa é uma questão polêmica, pois acredito que os órgãos de fiscalização ambiental exageram na espécie de controle que fazem. Precisamos preservar a floresta, mas também é necessário melhorar a qualidade de vida dos 23 milhões de habitantes que vivem aqui. Um manejo sustentável é a melhor opção.

Qual a sua opinião sobre a construção de hidrelétricas na Região Norte?

João Viana: Na Região Norte, há muitos problemas em torno das construções de hidrelétricas. Existe até um “Movimento contra as construções de barragem”. É preciso notar que esse tipo de produção energética é a mais limpa que o nosso país consegue produzir. A alternativa, ou seja, as usinas termoelétricas são muito mais poluentes, despejam uma enorme quantidade de gases poluentes na atmosfera. E o país precisa de energia para crescer. Então, as usinas hidrelétricas são muito importantes.

O Crea tem um papel importante em relação ao meio ambiente, principalmente no Pará. Como o Conselho tem trabalhado nessa área?

João Viana: Criamos o Prêmio Crea-PA Meio Ambiente e Recursos Hídricos 2008, em que foram premiados 16 de 60 trabalhos inscritos, sobre as mais diversas áreas. Temos a nossa comissão de meio ambiente que procura interagir com os problemas dessa área, buscando ser uma voz presente nesse campo.

É visível que Belém, a capital do estado, apresenta problemas graves de infraestrutura, de habitação e de saneamento. E a cidade é candidata à sede nacional da Copa do Mundo, em 2014. É muito trabalho pela frente...

João Viana: Sim. Belém teve um grande incentivador de obras públicas: o político Antônio Lemos, que desenvolveu avenidas, palácios e praças em Belém, no fim do século XIX. De lá para cá, as obras diminuíram. Não foram criadas vias e corredores de tráfego adequados ao crescimento da população. Em relação à Copa do Mundo, nosso estádio está praticamente sem acesso. É preciso realizar obras urgentes e com o conceito de construir para o futuro, para que o hiato de quase um século sem construções adequadas não se repita.

O senhor está iniciando o mandato 2009-2011 no Crea-PA. Quais são os principais vetores de ação que o senhor pretende traçar?

João Viana: Conforme anunciamos desde a campanha, nossa administração dará continuidade ao trabalho da gestão anterior. Entendemos que estamos no rumo certo. O principal objetivo é atender bem o usuário. Também queremos continuar o processo de interiorização do Crea, ou seja, vamos trabalhar para criar mais 10 inspetorias no interior do estado, em 2009, que se somarão as 17 já existentes. E um terceiro aspecto importante será melhorar os sistemas de comunicação do nosso trabalho. Hoje, os provedores ainda são muito falhos. Estamos em negociação com o governo do estado para implantar a tecnologia do Navega Pará, um sistema muito bom, nas atividades do Crea. Além disso, vamos continuar a campanha pelo cumprimento do salário mínimo profissional.

Thiago Tibúrcio
Equipe de Comunicação do Confea