Especialistas se reúnem para discutir construções sustentáveis

Brasília, 28 de junho de 2010.

Na abertura do Seminário “Construções Sustentáveis” realizado na última quinta-feira (24), em Brasília, o deputado Paulo Teixeira (PT/SP) - autor do requerimento sobre o assunto na Comissão de Desenvolvimento Econômico e Sustentável na Câmara dos Deputados -, ressaltou a importância de reunir especialistas para discutir ações para o desenvolvimento sustentável do país. Segundo ele, o Brasil tem potencial para dar um salto de qualidade nessas questões, mas é preciso avançar no marco legal.

De acordo com o deputado Cássio Taniguchi (DEM/PR), no Brasil, mais de 80% da população mora nas cidades. “Cada vez mais temos de nos conscientizar de que as cidades abrigam a maior parte das pessoas, ocupando, talvez, cerca de 2% da área do planeta, mas consumindo aproximadamente 75% de toda energia do planeta e gerando cerca de 80% dos gases de efeito estufa”. Para ele, é preciso desenvolver novas tecnologias e revitalizar os centros urbanos.

O alto grau de informalidade
José Carlos Martins, vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, destacou o alto grau de informalidade no setor da construção nos últimos anos. “87% das construções de habitação de interesse social eram feitas em autogestão. Imagine a quantidade da perda de materiais e de produtividade”, indagou. Nesse sentido, segundo ele, aí se encontra a importância de programas como o “Minha Casa, Minha Vida”, que veio atacar os três pilares da sustentabilidade: social, econômico e ambiental. “Não é só o meio ambiente e, às vezes, nos esquecemos disso”. E é nesse sentido que, segundo ele, devem ser elaborados os projetos que visam à sustentabilidade e que a CBIC tem focado seus programas com o objetivo de sugerir políticas públicas para o setor.

A construção civil além da técnica
Marcelo Vespoli Takaoka, presidente do Conselho Deliberativo do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CDCS), falou sobre questões que envolvem o setor da construção de forma indireta, como transporte, saúde, e outros. Citando o economista inglês Nicholas Stern (conhecido por elaborar relatório com cálculos sobre o custo das mudanças climáticas para o mundo), disse que se todas as florestas do mundo fossem derrubadas, seriam necessários ao menos três PIBs mundiais para prover máquinas que fariam o mesmo trabalho. Ele destacou ainda que o CDCS integra iniciativa da Organização das Nações Unidas para o setor de habitação de interesse social. Isso porque a construção civil é responsável por 10% do PIB, 40% do uso de materiais; 30% da geração de lixo e 35% de toda energia consumida pela sociedade e tem, também condições para reduzir esse consumo. Entretanto, para isso, diz: “devemos enxergar a construção civil além da técnica da engenharia e formar um grupo para tratar das questões interdepartamentais”.

Emissões de GEE
O chefe de gabinete do Ministério do Meio Ambiente, Ivo Bucaresky, afirmou: “Nós sabemos que qualquer presença humana tem impacto na área ambiental, não há como evitar, mas temos de discutir como mitigar esses impactos e garantir meio ambiente saudável par a nossa geração e para as gerações futuras”. Ele destaca que a construção civil é o setor da economia que mais impacta o meio ambiente. “35% das emissões de gás carbônico no mundo são gerados pela cadeia produtiva da construção civil”. Ainda, segundo Ivo, o setor gera cerca de 450 kg/hab de resíduos sólidos. Para mudar essa realidade, ele acredita que seja necessário o envolvimento não só do governo, mas de toda a sociedade e do empresariado.

A reestruturação industrial
Para Roberto Smith, presidente do Banco do Nordeste do Brasil, está em marcha no país um processo de mudança de cultura em relação à sustentabilidade. Segundo ele, o Banco tem se empenhado em incentivar o desenvolvimento industrial de acordo com essas novas demandas, em prol de energias renováveis e, especialmente no Nordeste, em energia eólica. Roberto explica, ainda, que, para promover essa reestruturação industrial, o Banco tem mantido contato com grupos espanhóis com o objetivo de agregar conhecimento a partir da experiência existente naquele país.

Programas sustentáveis
De 2003 a 2010, os investimentos da Caixa Econômica Federal em saneamento, habitação e infraestrutura cresceram de R$ 7,3 bilhões para R$ 60,0 bilhões, contou Márcia Kumer, superintendente nacional de desenvolvimento sustentável do banco. Segundo ela, essa é uma garantia de que as políticas públicas assumiram um novo papel no contexto da sustentabilidade. Destacou, nesse cenário, o Programa Minha Casa, Minha Vida. “Este é o nosso grande ponto de inflexão”, disse, exemplificando que, com a adoção do sistema de energia solar, há uma redução de 30% do gasto das famílias carentes, o que as beneficia para que tenham mais renda para outras destinações. Por último, ela lembrou que o recém-lançado Selo Casa Azul busca fomentar todo o setor da construção na busca da maior sustentabilidade.

Novos interesses
O gerente-executivo da Unidade de Desenvolvimento Sustentável do Banco do Brasil (BB), Maurício Messias, disse que o BB é reconhecido pela atuação em alguns setores como o agronegócio, comércio exterior, micro e pequenas empresas e pessoas físicas, mas que tem desenvolvido recentemente um movimento especificamente voltado para o setor habitacional. Segundo ele, o objetivo é oferecer soluções financeiras para os diversos segmentos: “Cabe à nossa Unidade entender o segmento e a proposta e articular com as diversas áreas do banco para que possamos oferecer soluções para o setor”.

Tânia Carolina Machado
Assessoria de Comunicação do Confea