Espírito Santo realiza última etapa do Congresso Estadual de Profissionais

Vitória, 12 de junho de 2010.

"Renato Casagrande, Marcos Túlio e Luís Fiorotti
"
Com a presença de líderes políticos do estado, a exemplo do senador Renato Casagrande, de deputados federais e estaduais, além de secretários e lideranças de entidades e sindicatos ligados ao Sistema Confea/Crea, a abertura do 7o Congresso Estadual de Profissionais do Espírito Santo, na noite desta sexta-feira (11), em Vitória, mostrou o quanto o Crea-ES está se articulando com o poder público para ter espaço político nas discussões sobre as novas políticas públicas no estado.

O presidente do Confea, Marcos Túlio de Melo, defendeu que o país tem que resgatar a cultura do planejamento de longo prazo. “Necessitamos de um projeto de Nação, por isso temos que provocar nos nossos congressos o debate com esta visão. Um projeto que deve ser defendido também pela sociedade, mesmo com a alternância de governos. Pautado na ética e na responsabilidade ambiental e social”.

Marcos Túlio ainda chamou a atenção dos congressistas sobre a atuação brasileira internacionalmente  quer do governo ou de empresas  o que coloca na agenda do Sistema Confea/Crea a necessidade de discussão sobre inserção internacional. “Precisamos planejar de que forma iremos atuar nesse novo cenário internacional”.

O presidente do Crea-ES, Luis Fiorotti, afirmou que o objetivo do Conselho no estado foi o de estender o debate para as várias regiões do Espírito Santo. “Focamos na visão de futuro, por representarmos 23 mil e 500 profissionais e mais de 5 mil empresas. Por isso nossas propostas são tão importantes, pois representarão todos nós no Congresso Nacional de Profissionais (CNP).

Sobre o papel do Crea no estado, o presidente Fiorotti afirmou que pesquisa recente mostrou que mais de 80% dos profissionais aprovam a atual gestão. “O Crea-ES também reafirmou sua participação na sociedade como instituição cidadã”.

Já o senador Renato Casagrande, que é engenheiro florestal, firmou que “as nossas profissões e o nosso setor vivem um momento importante. O Brasil passou muito tempo pagando a sua dívida externa. Depois passamos a fazer superávit para pagar a nossa dívida interna. Sem dinheiro para nada. Um apagão de infraestrutura”.

“Estamos agora apontando para investimentos nessas áreas aqui no Espírito Santo. Com o governo recuperando a sua capacidade de investimento  15% do seu orçamento. Isso gera emprego e renda. Mas ainda temos muito que avançar e o Crea tem que ser cada vez mais ouvido, pois o desafio que temos aqui no estado é grandioso e as nossas profissões têm um papel fundamental nessa construção”, afirmou Casagrande.

Palestra  Para falar sobre a Conjuntura e os desafios para o desenvolvimento brasileiro, Hamilton Pereira, ex-presidente da Fundação Perseu Abramo, estudioso do desenvolvimento regional brasileiro e colaborador do Pensar o Brasil  Construir o Futuro da Nação  projeto desenvolvido pelo Confea, contextualizou a conjuntura econômica mundial e brasileira, os efeitos do neoliberalismo e capitalismo e o processo de desenvolvimento do país.

O palestrante começou sua análise lembrando que a crise econômico-financeira sacudiu, em setembro de 2008, os alicerces do sistema capitalista mundial. Segundo ele, seus desdobramentos ainda não se esgotaram, sentidos ainda agora no início de 2010, com a dificuldade enfrentada pela União Européia para socorrer a Grécia. “A extensão e a profundidade da crise revelam com clareza que o mercado não é capaz de conduzir um processo de desenvolvimento econômico, social, cultural e ambientalmente sustentável”, defendeu Hamilton.

Ele afirmou que a crise fez o mundo perceber a importância do papel do estado como regulador e indutor da economia mundial. “Depois de três décadas de vigência, a perspectiva neoliberal de desregulamentação e privatização e do primado do mercado sobre qualquer possibilidade de regulação pública produziu instabilidade econômico-financeira em diferentes partes do mundo, quebrando muitas economias”, afirmou.

Hamilton lembrou que somente o Brasil, por três vezes, ao longo dos anos 90, teve que recorrer a empréstimos do FMI. “Após atingir Wall Street, a crise disseminou-se como uma infecção por todas as economias do mundo”. A partir daí, de acordo com o palestrante, a defesa neoliberal de que o mercado era capaz de se auto-regular foi colocada em xeque e coube ao estado assumir esse papel e evitar uma quebra mundial, como a de 1929.

Brasil  Sobre a experiência brasileira e a reação do país diante da crise  mundial, bem como sobre a preparação do país para o desenvolvimento, Hamilton Pereira lembrou que desde meados desta primeira década do século, o Brasil retomou o crescimento econômico, depois de um longo período de estagnação, época em que o crescimento médio anual do PIB (nos anos 90) era de 2,32%.

Ele lembrou que o país superou os estigmas anteriores de crescimento. “Antes, crescíamos sob ditaduras, hoje, crescemos com democracia. Antes crescíamos com inflação e concentrando renda, hoje distribuímos para crescer, consolidando um mercado interno de massas. Incorporamos cerca de 32 milhões de brasileiros à classe média”.

Para ele esse foi um diferencial do país. “Esse salto foi obtido por meio de um conjunto de políticas sociais, que vão desde a transferência de renda direta por meio do Bolsa-Família, passando pela elevação real do salário-mínimo, até a adoção do crédito consignado. Essa iniciativas do governo produziram uma forte expansão do mercado interno, fator decisivo no momento de enfrentar a crise”.

Hamilton ainda falou dos desafios do Brasil: expansão e consolidação do mercado interno; consolidação das redes físicas do continente; estímulos à inovação tecnológica; integração profissional no continente; reforma do estado  como indutor do desenvolvimento, superação dos limites do mercado e fortalecimento da democracia.

Fizeram parte da mesa de abertura do CEP-ES o presidente do Confea, Marcos Túlio, o presidente do Crea-ES, Luis Fiorotti, o senador Renato Casagrande, o deputado federal Lelo Coimbra, deputado estadual Claudio Verezza, o secretário de Desenvolvimento das Cidades Kleber Frizzera,  a coordenadora do CEP no estado, Magda Cecília Felner e o  vice-presidente da Câmara de Vereadores de Vitória, vereador Sérgio Magalhães. Os conselheiros federais do Confea, Anderson Fioreti e Regina Morandi, estavam presentes.

Visita  antecedendo a abertura do CEP-ES, o presidente do Confea, Marcos Túlio de Melo, acompanhado do presidente do Crea-ES, Luis Fiorotti, fez uma visita ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (IFES). Recebidos pelo diretor-geral do Campus Vitória, Jadir Pela, e por diretores dos demais Campi no estado, além de três pró-reitores da instituição, a conversa envolveu educação e a necessidade do aperfeiçoamento da formação profissional para as novas perspectivas de crescimento do país.

Durante o encontro Jadir Pela lembrou que desde 1998, quando assumiu o IFES, foi iniciado uma ação de aproximação com o Crea-ES para a construção do crescimento da categoria. “Naquela época parecia muito distante, mas hoje estamos juntos”. O IFES conta com 18 Campi e cerca de 30 mil alunos.

“Estamos construindo aqui no Espírito Santo, junto com o Crea, um projeto coletivo, independente da ideologia partidária, pois precisamos avançar na ciência e tecnologia no nosso estado”, defendeu Jadir Pela.

O presidente Marcos Túlio defendeu ao grupo a importância do fortalecimento da formação ética no ensino das profissões. “O processo ético precisa ser consolidado no nosso país. Ele ainda não está, mas já começa a quebrar oligarquias para nascer um Brasil novo, que já está sendo gestado. Isso vai gerar um avanço social e político enorme”.

Ondine Bezerra
Assessoria de Comunicação do Confea

Crédito da Foto: Samuel Vieira