Estímulo à inovação começa nas escolas

Brasília, 11 de março de 2010.

Adolescentes de todo o Brasil participaram do primeiro dia da Olimpíada do Conhecimento, nesta quarta-feira (10), no Riocentro, no Rio de Janeiro. Jovens a procura de reconhecimento profissional, capacitação e desejando conhecer um pouco mais a realidade do mercado de trabalho. Muitos deles não sabem, mas quando se formarem já terão emprego garantido, pois o evento é uma vitrine para os empresários.

Milhares de alunos de escolas públicas e privadas se espalharam, aos poucos, pelos 500 mil metros quadrados do centro de convenções. Eles puderam participar de diversos eventos gratuitos: mostra de ações inclusivas (casos de sucesso de cursos oferecidos a pessoas com necessidades especiais), exposições, seminários, palestras, espetáculos culturais, fóruns de discussão sobre temas relacionados à educação profissional e à tecnologia industrial com a participação de especialistas e pesquisadores.

"Estudantes de escolas públicas visitam o evento"
A 6ª Olimpíada do Conhecimento acontece de 10 a 13 de março, das 9 às 17 horas, paralela a primeira edição do torneio WorldSkills Américas - inspirado na competição mundial WorldSkills. O objetivo é trocar experiências entre os países. 

Na competição, que foi precedida de etapas estaduais, 562 jovens de escolas profissionalizantes de todo o país disputarão as medalhas de ouro, prata e bronze em 41 ocupações industriais e cinco do setor de comércio e serviços. Eles terão o prazo de 6 horas por dia até sábado para produzir peças ou procedimentos e serão avaliados por uma comissão de 20 profissionais, sendo um de cada estado. Os vencedores terão vaga garantida no WorldsSkills-2011, que acontecerá em Londres.

"Rafel Nogueira e os companheiros de equipe"
Rafael Nogueira, de 18 anos, está otimista. “Quero ganhar muito a medalha de ouro”, afirma. Ele venceu a etapa estadual de São Paulo e, agora, participa da modalidade “Robótica Industrial” com mais dois companheiros de equipe. A tarefa deles é fazer com que um robô recolha bandeirinhas de forma autônoma, colocando-as em locais específicos de acordo com uma cor - tudo determinado pelos avaliadores. A inovação que tem por trás disso? Esses robôs poderão ir a lugares inóspitos, onde o homem não pode chegar ou em locais onde há risco de morte.

Segundo o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Armando Monteiro Neto, o evento ajuda a criar uma indústria brasileira mais capacitada, capaz de competir globalmente. Prova disso é o desempenho do Brasil no WorldSkills-2007, que ficou em segundo lugar, à frente de países altamente industrializados como Alemanha, Estados Unidos e Japão.

"Atividade infantil"
A iniciativa iNOVA Engenharia disponibilizou um estande no evento. As instituições parceiras do projeto puderam usar o espaço para distribuir materiais que divulgam a atuação das entidades em favor do desenvolvimento tecnológico brasileiro.

Confea incentiva a inovação
Durante a Olimpíada do Conhecimento, o Confea disponibilizou no estande da CNI material de ações que desenvolve em benefício da inovação (revista, folder e vídeo). O tema está na pauta de trabalho dos seus diretores e conselheiros. O Confea é integrante dos comitês dos programas: iNOVA Engenharia, criado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), e do projeto de Inovação na Construção Civil, coordenado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC). Para atrair a participação dos jovens no Sistema Confea/Crea e Mútua, e para que eles sejam os grandes motivadores dos demais estudantes na hora de optar por algum curso tecnológico, o Conselho Federal incentiva a criação do Crea Junior nos estados. Recentemente, criou o programa de webtv Espaço-i, disponível no seu portal www.confea.org.br, que aborda as inovações tecnológicas produzidas no Brasil.   

Inovação na construção civil
Uma das palestras de abertura da Olimpíada do Conhecimenteo, na quarta-feira (10), foi sobre inovação na construção civil. O engenheiro Reinaldo Tockus fez uma abordagem de como momentos de crise econômica podem despertar a necessidade de inovar para sobreviver no mercado de trabalho. “Em 2009, diversas indústrias foram obrigadas a repensar os seus modelos de negócios. Com o apoio do governo federal, empresários do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo, do ramo da construção civil e da madeira, foram a Alemanha conhecer novas tecnologias para a construção de casas. O objetivo era aproveitar a oportunidade dos programas de fomento à construção de moradia popular, no Brasil, para resolver o deficit habitacional e aliar ao desenvolvimento à questão da sustentabilidade”, afirmou.

"Palestra sobre Inovação na Construção Civil"
O engenheiro alemão Tobias Ott explicou como funciona a tecnologia que os empresários conheceram, a chamada Wood Frame. Nela a construção de casas utiliza matérias-primas ecológicas, entre elas madeiras de reflorestando de eucalipto ou pinheiro, toda a cadeia de produção pode ser feita no mesmo país  gerando emprego, há menos consumo de energia no processo, e seu tempo de entrega é de 8 a 12 dias. “Muitas pessoas pensam que casa de madeira não é instável. Isso não é verdade. Precisamos difundir que casas de madeira com a tecnologia Wood Frame é sustentável e pode atender, por exemplo, a necessidade de casas populares. Os países da América do Norte, Leste Europeu, Inglaterra e Irlanda utilizam bastante esse tipo de construção”, ressaltou Tobias.

Na avaliação do engenheiro, outra vantagem é a garantia do preço. O tempo de construção não ultrapassa o previsto. Enquanto o terreno está sendo preparado, a casa é planejada no computador e produzida com elementos pré-fabricados em um galpão. “Parece fácil, mas há uma grande tecnologia por trás de todo esse trabalho”, avaliou.

Melissa Ornelas
Assessoria de Comunicação do Confea