Falta engenheiro para demanda na construção civil

Mônica Cussi - Jornal da Manhã, 01 de março de 2011

Há empresas de grandes cidades “roubando” engenheiros civis em Uberaba. Está é a afirmação do diretor do Instituto de Engenharia e Arquitetura de Uberaba e conselheiro do Crea, Roberto Velludo. Ele é empresário do setor há mais de 30 anos e viu o mercado ficar estagnado por um bom tempo, no fim da década de 80. Com o reaquecimento da construção civil e o recente boom nos canteiros de obras, a explicação é de que os profissionais ficaram escassos, já que são necessários, no mínimo, cinco anos para se formar.

Faculdades em Uberaba existem. São no mínimo quatro com oferta dos cursos de Engenharia Civil, inclusive com tecnólogo, mas mesmo assim a demanda é maior do que o número de pessoas especializadas no mercado. “Se hoje temos um déficit de 20 mil engenheiros ao ano, teremos 80 mil daqui a algum tempo, com a aproximação da Copa do Mundo”, acrescenta. E exemplifica que Belo Horizonte terá que construir no mínimo 15 novos hotéis até a Copa. De acordo com o empresário, a falta abrange desde o servente de pedreiro até os projetistas e engenheiros.

O presidente do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), Marcos Túlio de Melo, garante que o apagão de mão-de-obra poderá trazer graves consequências para a economia brasileira. O déficit, nos cálculos dele, deverá aumentar com a demanda dos projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Programa Minha Casa, Minha Vida; além da exploração de petróleo na camada pré-sal; das Olimpíadas de 2016 e da Copa do Mundo de 2014.

A Federação Internacional de Futebol (Fifa) tem se queixado dos atrasos de projetos referentes à Copa e alguns estádios-sede para o evento foram projetados no exterior.

O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, defende que a falta de engenheiros seja suprida por tecnólogos com formação mais curta do que o bacharelado em engenharia. Ele contabiliza a formação de 10 mil tecnólogos e 30 mil engenheiros anualmente no País. Já para o Confea, a ideia é aproveitar engenheiros formados que não atuam na área, contabilizados em 475 mil.

Mercadante disse que o governo trabalha na elaboração de um programa nacional para engenharia para aumentar o número de um engenheiro a cada 50 formandos no país. Muito pouco se comparado a países emergentes como a Índia, com a formação de 220 mil engenheiros por ano.

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