A formação do técnico sob a ótica do MEC

Manaus, 04 de dezembro de 2009.

Abrigados na programação da 66ª Soeaa, os técnicos tiveram espaço garantido para realizar o 1º Encontro dos Técnicos do Sistema Confea/Crea e discutir as principais questões que afetam esses profissionais, entre elas a formação profissional e a fiscalização.

Na tarde da quarta-feira (02), Wilson Concianni, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, do MEC, disse que o “país precisa de técnicos” e que o Ministério vem incentivando a formação de novos valores, mas reconhece que apesar da melhoria nos conteúdos, “os avanços têm sido lentos”.

“A formação evoluiu em quantidade e qualidade.Temos hoje uma nova visão da educação profissional e estamos formando profissionais ensinados por técnicos com experiência prática na profissão. Buscando colocar o  chão de fábrica nas salas de aula, teremos profissionais preparados de fato para desempenhar seu trabalho. Entre os incentivos para o nível técnico está a obrigatoriedade dos Institutos Federais ofertarem 50% de suas vagas  para cursos  técnicos”, informou Concianni. “Anteriormente os Cefets ofertavam quantas vagas quisessem, 50, 10, nenhuma”, completou.

Para Concianni, a formação do técnico precisa ir além do convencional. “Temos muitas pessoas – pedreiros, eletricistas, por exemplo – que estão nos bancos das salas de aula aprendo a teoria do que sabem na prática. Nesses cursos, até bem pouco tempo, a média etária era de 16 anos, hoje é de 30, o que mostra que o profissional sente necessidade de atualizar ou mesmo aprender novos conhecimentos”.

Com um catálogo que registra 300 títulos, os interessados em cursos de nível médio, têm uma variedade bem diversificada de opções, em todas as áreas como saúde, educação, indústria, turismo e administração. Hoje, segundo Concianni, 40% das vagas são ocupadas por esses cursos, incluindo civis e militares em embarcações navais e armas.

Com o foco no incentivo, o representante do MEC na 66ª Soeaa afirmou que a missão do Ministério é formar pessoas que precisam de uma profissão para expressar sua cidadania, e que a criação do Dia do Técnico, 23 de setembro, é uma das ações que visam valorizar a modalidade.

“Sem desmerecer nenhuma profissão ou nível profissional, é o técnico quem dá suporte ao desenvolvimento do país”, afirma Concianni. Ao mesmo tempo ele informa que “ainda perdemos muitos técnicos para a universidade em função do preconceito de boa parte da sociedade, que ainda tem o bacharelado como única opção”.
 
Para Concianni, “as pessoas precisam atender a sua essência. Alguns são bacharéis, outros técnicos e os dois têm a mesma importância”.
Completando essa visão, Concianni recorreu a uma observação feita pelo ex-professor Rubens Alves: “uns são necessários porque desenvolvem ideias, abstrações, outros concretizam as ideias e abstrações”.

Para o representante do MEC, que também foi fundador do Sindicato dos Técnicos em Mato Grosso, uma das maneiras de tornar a carreira de técnico atraente “é fazer com que as entidades de classe  coloquem todos os profissionais no mesmo nível”.

Já para Iracy Silvano, técnica em edificações e conselheira federal do Confea, “os técnicos buscam diálogo com a sociedade” e “o país em desenvolvimento precisa de técnicos e regras para garantir a tão almejada sustentabilidade. “Um eletricista não habilitado pode por em risco a vida de pessoas”, afirma.

Manual de fiscalização sugere abordagem e argumentação
Outro palestrante que falou aos técnicos foi Carlos Poletto, ex-funcionário do Crea-RS e hoje vice-presidente do sindicato gaúcho da categoria.  Polleto elaborou um manual de fiscalização da modalidade que pode se tornar referência.

Para Poletto, o manual “ideal” é o que sugere formas de abordagem e argumentação. E é exatamente esse o conteúdo do manual “feito não dentro de uma sala, mas no campo, junto com os profissionais”, conta. 

“70% de sucesso de uma boa fiscalização se baseiam na argumentação e na abordagem e acaba por fazer com que o fiscalizado agradeça aos fiscais. O que é raro”, observa Poletto, para quem essa “é uma forma simpática de levar a imagem do Confea para a sociedade que precisa entender que os serviços de um profissional habilitado é, não só a garantia de um bom serviço prestado, mas de segurança”.

Para Poletto, defensor de uma fiscalização preventiva, orientadora, “essa briga técnico e engenheiro não existe. O que existe é currículo, responsabilidades e atribuições. No mercado há lugar para todos, diz.

Para ele, dentro do Sistema Confea/Crea, “a principal dificuldade dos técnicos é junto as câmaras dos regionais. É necessária a presença de mais representantes dos técnicos em todos os fóruns do Sistema. Opinião compartilhada por Ricardo Nascimento Alves, técnico industrial, e engenheiro de segurança do trabalho e eletricista que preside o Conselho Nacional dos Técnicos Industriais.

Maria Helena de Carvalho
Assessoria de Comunicação do Confea