Fórum de Valorização Profissional acontece sob a ótica da ética

Brasília, 09 de dezembro de 2009.

Muitos profissionais presentes ao 1º Fórum Nacional de Valorização Profissional, no último dia 05, em Manaus, puderam aprofundar o debate sobre ética.  Os painelistas Fernando Siqueira, da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet); Henrique Luduvice, ex-presidente do Confea; José Medem Sajuan, ex-presidente da FMOI; Cezar Motta, presidente da Ibraop – Instituto Brasileiro de Auditoria de Obras Públicas e Enzo Betancourt, vice-presidente da UPADI.

Negligência e descasos que resultam na desvalorização das profissões, a corrupção nas obras e serviços dos governos, a responsabilidade dos que atuam nos órgãos públicos, a recuperação da valorização da área tecnológica pelo cumprimento do salário mínimo profissional e melhores condições de trabalho, construindo-se uma proposta que literalmente alcance o reconhecimento e a valorização dos profissionais, foram abordados pelos palestrantes.

Segundo Motta, palestrante do Ibraop, Instituto que possui atividade relativamente nova no Brasil e que faz o controle e fiscalização dos recursos federais distribuídos em obras públicas pelo país, a falta de bons projetos é o que acaba resultando em obras públicas de má qualidade. “O Ibraop é um órgão que pretende conscientizar a sociedade sobre a necessidade e o efetivo emprego de bons profissionais com muito conhecimento de engenharia, no quadro técnico, como ainda a uniformização de entendimentos para que tenha bons resultados”, disse.

“Projetos, desenhos, orçamentos e demais elementos técnicos não são peças burocráticas. São partes do empreendimento e representam investimentos”, disse rebatendo aos críticos da ação burocrática do órgão.  E completou ressaltando que o Instituto tem apoio nos 34 Tribunais de Contas brasileiros que se articulam para que normas de auditoria nas obras públicas se tornem nacionais. “Acredito que damos nossa contribuição para que o Estado volte a ter estrutura qualificada dos órgãos executores das obras públicas e o sistema profissional seja mais valorizado”, conclui.

O painelista Siqueira, da Aepet, abordou a conjuntura internacional do petróleo depois de historiar o nascimento do pré-sal. Defendeu com veemência a retomada dos direitos que foram subtraídos da Petrobras em governos passados e disse, referindo-se ao pré-sal, que a engenharia será a mais beneficiada pela grandeza das instalações e projetos que poderão oferecer 750 mil empregos diretos e 500 mil indiretos. “Não podemos perder essa oportunidade de aproveitar a riqueza que temos”.

Quem assistiu a todas as palestras do 1º Fórum saiu convicto de que o país precisa realmente de um projeto de reconstrução nacional, com a participação de bons profissionais focados na ética e no conhecimento técnico para erradicar a corrupção principalmente nas obras públicas. A apresentação de Medem focou na defesa da ética nas profissões e deixou no Fórum o conhecimento e o comportamento das categorias profissionais de outros países. Tanto Medem quanto Betancourt tiveram como meta expor o comportamento ético das profissões em diversas nações.

Henrique Luduvice apresentou um mercado crescente, na área da energia, e cobrou responsabilidades dos que atuam nos órgãos públicos e manipulam a gestão de grandes empreendimentos que movimentam bilhões de reais. Disse ainda haver espaço para que se construa uma proposta real e concreta que alcance o reconhecimento e a valorização profissional, tendo em vista o crescimento da economia e a elevação da qualidade de vida.

A mesa dos trabalhos foi coordenada por representantes da Federação Interestadual de Sindicados de Engenheiros (Fisenge), da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) e da Federação Nacional de Arquitetos e Urbanistas (FNA).

Eanes Melo
Assessoria de Comunicação do Crea-AL