Brasília, 29 de agosto de 2008
O Congresso Mundial de Engenheiros (WEC 2008) foi o tema da reunião do presidente do Confea, Marcos Túlio de Melo, com o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda.
Marcos Túlio apresentou o estágio das ações em preparação à WEC e afirmou que esta “é uma oportunidade única de mostrar a competência da engenharia brasileira para o mundo todo”. O presidente do Confea lembrou que a participação do Governo do Distrito Federal (GDF) na organização do evento já existe e que o objetivo da reunião era “reafirmar que este é um evento nosso e que queremos a parceria do GDF como anfitrião”.
O presidente do Confea também manifestou apoio às ações de desenvolvimento do GDF e colocou à disposição o plenário do Conselho para debater sobre o projeto da cidade digital ou buscar parcerias com o objetivo de, por exemplo, viabilizar a realização da Copa de 2014 em Brasília.
O governador do Distrito Federal confirmou seu apoio e convidou a todos os engenheiros para participarem da WEC 2008 durante entrevista concedida ao Programa de TV Pensar o Brasil, exibido todas as terças-feiras, às 21h00, na Rede Vida.
Segue entrevista completa com o governador.
Tânia Carolina Machado
Equipe de Comunicação do Confea
Entrevista com o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda
Repórter: Thiago Tibúrcio
Pensar o Brasil - O que representa a escolha de Brasília, e do Brasil, para sediar o maior evento da engenharia mundial, o Congresso Mundial de Engenheiros 2008?
José Roberto Arruda – Representa muito porque Brasília nasceu 50 anos atrás como um símbolo do poder de realização da arquitetura e da engenharia brasileira. Acho que Brasília revolucionou a arquitetura moderna, ela é símbolo dessa arquitetura. A engenharia brasileira se pôs à prova: construir uma nova capital a 1000 km de distância do litoral, interiorizar o desenvolvimento brasileiro em apenas três anos. Foi um desafio muito grande. A realização deste Congresso Mundial de Engenheiros é quase uma homenagem a Brasília e é também uma forma de mostrar a cidade para o mundo porque nós teremos aqui engenheiros de todos os países. Acho que eles ficarão positivamente surpreendidos com a obra de engenharia que o Brasil fez realizar aqui.
Pensar o Brasil - O tema do nosso Congresso é “Engenharia: Inovação com Responsabilidade Social”. Como o seu governo tem trabalhado para seguir essa diretriz?
Arruda – Eu acho que o Brasil moderno, o setor produtivo em especial, nos últimos 10 anos, tem trabalhado muito com a questão da inovação, tecnológica inclusive, e a responsabilidade social. Nós aqui em Brasília vamos ter bons exemplos para serem apresentados: nossa empresa de água e saneamento, de obras, de energia elétrica, exemplos de parcerias importantes entre o setor público e o setor privado, tanto na área da inovação tecnológica quanto na responsabilidade social. Esses projetos poderão ser vistos na prática com a construção das vilas olímpicas, com a urbanização de áreas degradadas e poderão ser apresentados também no Congresso. Brasília é uma cidade muito interessante neste aspecto porque ela resume o mapa das desigualdades sociais brasileiras. A cidade é muito mostrada lá fora apenas como a capital do país. Na verdade, nós temos aqui um retrato ¾ das desigualdades sociais brasileiras, que estão sendo atacadas de forma muito clara com a marca da inovação tecnológica e da responsabilidade social.
Pensar o Brasil - Como conciliar esses dois lados da sua formação, como político e como engenheiro eletricista?
Arruda – Acho que eu sou mais engenheiro do que político. Diria que sou um “tecnolítico”. Acho que o raciocínio lógico e a visão cartesiana, a gente traz para a vida pública. Na gestão do Governo do Distrito Federal eu tenho sido desafiado muito mais a ser engenheiro, a buscar soluções objetivas para os gravíssimos problemas que a cidade que cresceu muito rápido tem, do que como político. No dia-a-dia é mais gestão e mais engenharia mesmo.
Pensar o Brasil - O que o senhor destacaria de inovador em Brasília para mostrar às pessoas que nos visitarão?
Arruda – Eu acho que Brasília tem, primeiro, o plano urbanístico. Lúcio Costa conseguiu reinventar o conceito de cidade, sair daquele conceito secular, milenar, de ruas e quarteirões e passar para um conceito de eixos e quadras. Depois, a arquitetura. A arquitetura moderna que nasceu com Le Corbusier tem em Brasília, na verdade, a sua melhor tradução, o seu melhor modelo. O paisagismo é um ponto importante da cidade. A própria construção do lago deu vida à cidade. Eu acho que Brasília tem bons exemplos da arquitetura e do urbanismo moderno. Tem também maus exemplos, que não precisam ser escondidos num Congresso como esse, de parcelas da cidade que cresceram desorganizadamente e trouxeram conseqüências urbanas gravíssimas, inclusive com degradação da qualidade de vida. Brasília é um belo laboratório de experiências dos vários ramos da engenharia, inclusive da engenharia ambiental, e merece ser visitada. Sobretudo, Brasília tem uma rede hoteleira de boa qualidade, restaurantes, enfim, todo o aparato urbano pra receber um Congresso desse porte. Eu penso que os engenheiros do mundo inteiro que virão aqui, estarão agradavelmente surpreendidos com uma cidade carinhosa, uma cidade que recebe bem os seus visitantes, os seus turistas. E eu, como engenheiro e governador, estou muito feliz de ser o anfitrião desse encontro.
Pensar o Brasil – O senhor poderia convidar esses profissionais para participarem da 3ª edição do Congresso Mundial de Engenheiros?
Arruda – Sem dúvida, acho que todos os engenheiros, arquitetos, agrônomos, enfim, todos nossos companheiros de profissão estão convidados a estarem aqui de 3 a 5 de dezembro e eu penso que serão recebidos muito bem pela cidade e pela organização do Congresso. As conferências e os eventos programados serão de dimensão internacional. Vale a pena vir a Brasília, viver momentos agradáveis e que serão também momentos proveitosos para a engenharia nacional.
Foto: Da esquerda para a direita, coordenador da Expowec, Zuhair Warwar, superintendente de Programas e Projetos do Confea e coordenador do Projeto WEC 2008, Antônio Roberto Martins, presidente do Crea-DF, Lia Sá, presidente do Confea, Marcos Túlio de Melo, governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, diretora geral do Serviço de Limpeza Urbana, Fátima Có, presidente do Crea-SP, José Tadeu da Silva, ex vice-presidente do Crea-DF, Flávio Correia de Sousa
