Importação de cérebro - escassez de profissionais é tema de palestra na próxima segunda-feira em Fortaleza

Brasília, 26 de setembro de 2010

Os projetos estratégicos do Confea “Pensar o Brasil” e “Valorização Profissional” são pontos de partida para palestras, visitas técnicas, reuniões de trabalho e mini-cursos da 4ª Jornada Cearense de Engenharia, evento que ocorre desde setembro e segue até dezembro. Os encontros vão discutir temas de interesse da Engenharia e do desenvolvimento sustentável do estado. A Jornada é realizada pelo Clube de Engenharia do Ceará, com apoio do Confea, Crea-CE, Mútua, Secretaria da Infraestrutura do Ceará e Universidade de Fortaleza (Unifor).

Na próxima segunda-feira (29/11), a programação da Jornada conta com a palestra “Importação de cérebros – escassez de profissionais”, a ser ministrada pelo assessor do Confea Danilo Borges, às 18h30, no auditório do Crea-CE. “Nós ouvimos todos os dias que está faltando ou vai faltar engenheiros no mercado de trabalho”, explica Danilo. “Uma das soluções para isso é trazer engenheiros de fora que complementem essa escassez. Isso é bom ou é ruim? Minha palestra é sobre isso, com exemplos que deram certo e errado no passado”, disse. (Leia mais sobre o tema “Importação de cérebros” no fim da matéria). De acordo com Danilo, 60% do total de vagas para Engenharia nas universidades brasileiras estão vazias. “Isso ocorre, pois as vagas já não são preenchidas no vestibular e, ainda, há um índice alto de evasão”, explicou.

No último dia 11, o tema na Jornada Cearense de Engenharia foi a Lei nº 11.888/08 (sobre assistência técnica gratuita nas áreas de Engenharia e Arquitetura para famílias de baixa renda no projeto e construção de habitações de interesse social), em palestra proferida pela conselheira regional do Rio Grande do Sul Rosana Oppitz. O projeto do Confea Pensar o Brasil esteve presente na Jornada em setembro, quando o coordenador do projeto, José Carlos Xavier, apresentou o documento “Propostas para o Desenvolvimento Sustentável”, que aborda diversos temas da infraestrutura brasileira, como transportes, meio ambiente, energia, pré-sal, habitação, saneamento, recursos hídricos etc. Conheça as propostas (LINK).

Em dezembro, a 4ª Jornada Cearense de Engenharia receberá as palestras “Infraestrutura do Porto do Pecém – ampliação do Porto, Refinaria e Siderurgia” (dia 4/12) e “Relacionamento interpessoal na área tecnológica” (dia 6/12), a serem ministradas, respectivamente, pelo secretário adjunto de Infraestrutura do Ceará e ex-presidente do Crea-CE, Otacílio Borges Filho, e pela pedagoga Iracema Romcy.

Importação de cérebros
A demanda por importação de engenheiros estrangeiros divide-se em três tipos, conforme explica Danilo Borges: há profissionais comuns que se mudam para o Brasil para buscar empregos na área tecnológica brasileira, há aqueles que já vêm ligados a empresas estrangeiras que operam aqui e há aqueles de altíssimo conhecimento que colaboram com o desenvolvimento do país. É este último tipo de profissionais estrangeiros atuantes no Brasil que Danilo Borges destaca em sua apresentação “Importação de cérebros”. Ele cita exemplos como a criação da Embraer e da Petrobras. “Nos anos 1940, o Instituto Tecnológico da Aeronáutica – ITA – trouxe engenheiros aeronáuticos do exterior para montar seus cursos, que posteriormente deram origem à Embraer. Já no caso do início da criação da Petrobras, não havia geólogos e engenheiros de minas suficiente no Brasil e o índice de fracasso nas perfurações dos poços era muito grande. Até que um geólogo americano, Walter Link, reestruturou a Petrobras, investiu em recursos humanos e hoje a Petrobras é o que é”, conta Danilo. Segundo ele, a importação de cérebros é algo que existe há algum tempo e não só em países em desenvolvimento. Após a Segunda Guerra Mundial, por exemplo, com a derrota da Alemanha, os cientistas alemães, famosos por criação de foguetes, foram “exportados” e divididos entre Estados Unidos e União Soviética e tiveram seus conhecimentos utilizados durante a corrida armamentista da Guerra Fria. “Nós temos que drenar cérebros também. O número de gênios no mundo é bem limitado. Nós temos é que buscar. Se o cara é bom, traz ele e dê as condições!”, disse Danilo.

Beatriz Leal
Assessoria de Comunicação do Confea