A inovação tem de ser uma obsessão nacional

Brasília, 21 de fevereiro de 2011.

"Paulo Afonso Ferreira"
“A inovação tem de ser uma obsessão nacional”. Essa foi a mensagem do diretor-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Paulo Afonso Ferreira, na palestra proferia na manhã de hoje durante o Encontro de Lideranças do Sistema Confea/Crea, Mútua e Entidades. Ele defende que, para que o Brasil atinja a meta de se tornar a 5ª economia mundial em 2025, é preciso haver não apenas inovação tecnológica, mas também de gestão.

Paulo Ferreira começou sua palestra, intitulada “Brasil: de país do futuro para o país do presente”, dizendo que o título de “país do futuro” ficou para trás e que cabe a lideranças como as que estão reunidas hoje em Brasília o desafio de aglutinar as forças. “Boas idéias todos nós temos. O que precisamos é ter foco em resultados e capacidade de implementar. As instituições são esses canais e o desafio é aglutinar esforços”.

Ele fez um resgate histórico da situação econômica do Brasil, com ênfase na retomada do crescimento econômico em 2010. Para ele, um dos grandes desafios que devem ser enfrentados é o de agregar valor aos produtos nacionais. “As manufaturas representam 0,7% da exportação brasileira desde 1980”, afirmou Ferreira, ressaltando que, nesse quesito, o Brasil ocupava o 21º lugar no ranking mundial e caiu para 29º em exportador de manufatura em 2009.

Segundo Ferreira, o Brasil deve se preparar para “chegar na frente” de seus verdadeiros concorrentes. O país é hoje a 8ª economia do mundo e tem crescido, em média, 3,3% ao ano (entre 2000 e 2009), o que representa uma taxa semelhante à de países desenvolvidos, como, por exemplo, os Estados Unidos, porém, inferior à de outros países em desenvolvimento, como a Rússia, a China, a Índia e a Coreia do Sul. Essa expansão do PIB não seria o suficiente para levar o país ao patamar de 5ª economia do mundo, como se deseja. “Isso é possível, mas há muitos obstáculos a superar”, pontua Ferreira. “O Brasil deve ter obsessão por educação e inovação, mas hoje, o que temos são ilhas de excelência em educação e em gestão”.

"“A inovação tem de ser uma obsessão nacional”"
Para melhorar o mercado interno e torná-lo mais competitivo a educação seria o grande foco, mas não o único. Além da falta de mão de obra qualificada e inovadora, são outros entraves á competitividade, segundo Ferreira, os altos juros cobrados no país, o que torna caro o capital para investimento; a legislação trabalhista e a legislação tributária. Para ele, falta “coragem” para fazer as alterações necessárias na legislação. “Para que o país seja competitivo, deve haver desprendimento. Todos querem apenas ganhar, mas é preciso haver comprometimento com as necessidades do país”.

Ferreira encerrou sua palestra se dizendo otimista em relação à “oportunidade extraordinária” que o país tem diante de si. “Temos a oportunidade de nos consolidarmos como uma das maiores potências mundiais, mas, para isso, precisamos ampliar a competitividade do país a partir de marcos regulatórios firmados com transparência”, afirma. “A CNI está extremamente imbuída nessa questão da competitividade. Queremos pedir hoje o comprometimento de todos vocês, lideranças do Sistema Confea/Crea: vamos juntar forças para termos um país totalmente diferente daqui a 10 anos”.

Mariana Silva
Assessoria de Comunicação do Confea