Mais de 400 inscritos no Congresso Estadual de Profissionais de Sergipe

Aracajú, 20 de maio de 2010.

A preocupação com o desenvolvimento sustentável do Brasil, com a formação e a preparação de profissionais qualificados para a demanda do mercado interno, a inserção internacional e a conjuntura econômica do país. Essas foram algumas das questões debatidas no segundo dia (nesta quinta-feira, 20) do 5º Congresso Estadual de Profissionais da Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Sergipe, que acontece até hoje (sexta-feira, 21), em Aracajú.

Para o presidente do Confea, Marcos Túlio de Melo, que vem participando dos CEPs nos estados, há a necessidade urgente de a categoria profissional e o Sistema Confea/Crea participarem das discussões de interesse social, para que interfiram na formulação das políticas públicas.

E esses debates, segundo Marcos Túlio, devem levar em consideração a formulação de uma proposta para o futuro. “O que queremos construir para ajudar a nossa categoria e o país a ter um salto qualitativo nessa perspectiva de desenvolvimento?”, questionou.

Cenário – “No passado, nos outros Congressos Nacionais de Profissionais (CNP), vivíamos outra conjuntura. Os problemas envolviam a falta de mercado de trabalho e os baixos salários. Agora vamos realizar o CNP numa outra conjuntura, com a falta de profissionais qualificados para atender à demanda que se instalou no país. Em 2007 já começávamos a discutir a falta de profissionais até para a engenharia civil, uma das mais penalizadas nas décadas de falta de investimentos”, relembrou Marcos Túlio.

“A nossa realidade agora é diferente daqueles congressos que realizamos na década de 90. Hoje temos uma perspectiva de crescimento entre 5 e 5,5% (projeção do governo) e de 7% , projeção dos bancos. O preocupante é que a nossa estrutura produtiva ainda não está preparada para um crescimento da economia dessa ordem”, disse o presidente do Confea.

Sobre o papel do estado na regulação da economia, o presidente do Confea relembrou que na recente crise econômica mundial, coube ao estado a intervenção, inclusive com injeção de recursos, para conter a bolha mundial provocada pela produção da falsa riqueza com a especulação financeira. “O mundo começou a repensar o modelo neoliberal e a rediscutir o papel do estado na regulação da economia. Nossa categoria também precisa fazer essa reflexão. Daqui precisamos formular propostas para contribuir com o país e ajudar o Brasil a desenvolver um novo projeto”.

“O Brasil tomou consciência de que não basta apenas crescer. Temos que crescer com sustentabilidade e com justiça social. Temos que projetar com um padrão ambiental que leve em conta as compensações necessárias para preservar o meio ambiente e impactar o menos possível”, advertiu Marcos Túlio. Ele lembrou que essa preocupação, de não inviabilizar a vida na terra, foi amplamente discutida durante a COP-15, em Copenhague, inclusive com a participação de uma delegação do Confea.

“O que de fato devemos fazer para sermos a quinta potência mundial nos próximos 10 anos? Esse é o desafio que coloco para todos”, finalizou Marcos Túlio.

O presidente do Crea-SE, Jorge Silveira, demonstrou sua preocupação com a falta de profissionais da área tecnológica no setor público. Em Sergipe, segundo ele, há uma carência de profissionais resultante da falta de concurso para a composição dos quadros técnicos do estado. “Esse cenário foi resultante da perda dos profissionais para o setor privado em função dos baixos salários”, afirmou.

Em Sergipe o 5º CEP é coordenado por Arício Resende. Na abertura do congresso, na quarta-feira (19), ele falou da sua satisfação com os mais de 400 inscritos. Na solenidade, realizada na Associação dos Engenheiros Agrônomos de Sergipe, o conselheiro federal Etelvino Freitas representou a presidência do Confea.

Palestras 1 – A troca de experiências entre os Creas, com apresentações de ações desenvolvidas nos Regionais, faz dos CEPs, além de um momento de mobilização da categoria, também de fortalecimento e disseminação dessas boas experiências. Exatamente com essa visão, o presidente do Crea-PR, Álvaro Cabrini, apresentou nesta quita-feira (20), a palestra “O fortalecimento das organizações profissionais –  A experiência do Paraná”.

“O nosso Sistema defende os interesse públicos e da sociedade. As nossas entidades fazem a defesa dos nossos profissionais, por isso montamos esses programas no Paraná”, afirmou Cabrini ao fazer referência aos programas desenvolvidos no estado em parceria com as entidades profissionais.

Um dos destaques no estado é a Agenda Parlamentar. “As nossas entidades fazem um diagnóstico nos municípios do Paraná e apresentamos às lideranças políticas desses locais, e também ao governo estadual, a nossa agenda. As nossas discussões envolvem outros agentes da sociedade civil, não só nossa categoria”, revelou o presidente do Crea-PR.

Para se ter uma ideia dessa mobilização, somente em 2009, foram visitadas as 31 maiores cidades do Paraná, com a realização de 1.500 audiências, a participação presencial de quatro mil pessoas, mais de 100 mil acessos ao blog da agenda parlamentar do estado e 236 propostas apresentadas aos governos.

Em 2010 a meta é envolver os 399 municípios (100% do Paraná) – nas 18 microrregiões do estado. Sobre ética, Cabrini foi enfático: “temos que parar de discutir ética profissional internamente. O que precisamos é discutir ética com a sociedade. Precisamos mostrar à sociedade o nosso código de ética. Quando isso acontecer, o cliente vai cobrar do profissional a sua correta atuação”, defendeu.

Palestra 2 – Já o presidente do Crea-BA, Jonas Datas, falou sobre “Os novos desafios para os profissionais de Engenharia, Arquitetura e Agronomia”.  Segundo ele, a realização dos CEPs, antes de qualquer coisa, é uma conquista política dos profissionais. “O nosso Sistema tem essa prerrogativa de formatar propostas que não só valorize os profissionais, mas que contribuam para o desenvolvimento que o Brasil necessita”, defendeu.

Para ele, os profissionais têm que ter em mente uma questão objetiva para construir essa agenda positiva: “que essa é uma etapa, mas para que consigamos dar dimensão e para que essas propostas ganhem espaço e tenham eco na sociedade, temos que nos mobilizar cada vez mais”, defendeu.

Jonas, para estimular o debate dos profissionais sergipanos, fez um retrospecto dos últimos 50 anos, falando das conquistas já obtidas pela categoria e aquelas ainda a serem realizadas. A arquitetura moderna, a instalação de estaleiros para a construção naval, o desenvolvimento das atividades agropecuárias e o domínio de técnicas para o enriquecimento de urânio foram alguns dos exemplos apresentados.

Sobre o enriquecimento de urânio, Jonas foi enfático: “temos que radicalizar o debate, até por conta da expectativa da instalação de duas usinas no Nordeste. Não podemos deixar de participar dessas discussões”. Quando o debate envolveu a questão agropecuária, ele disse que “independente de todos os impactos da atividade, não podemos deixar de admitir que já evoluímos muito”.

“Precisamos democratizar os recursos hídricos, sair da linha de dependência tecnológica em muitos processos, a exemplo dos transgênicos. Não dá para o Brasil continuar usando tecnologias que não tenham a ver com o seu bioma. Não precisamos, por exemplo, fazer o uso de transgênicos. Podemos desenvolver a nossa agricultura com qualidade biológica”, afirmou Jonas.

Ondine Bezerra
Assessoria de Comunicação do Confea