Brasília, 19 de novembro de 2009.
Manifestação do Sistema Confea/Crea sobre o “apagão” ocorrido no dia 10 de novembro de 2009, na região Sudeste.
No dia 10 de novembro, por volta das 22h13min, as 18 unidades geradoras da Usina Hidroelétrica de Itaipu deixaram de fornecer energia elétrica para as linhas de transmissão, deixando às escuras vários estados, tendo sido este o maior apagão da história do país.
As especulações sobre as prováveis causas problemas nas linhas da energia de Itaipu circularam nos meios de comunicação, entretanto o assunto ainda não foi esclarecido e requer análises técnicas profundas, que deverão ser conduzidas por técnicos e especialistas habilitados, para que seja(m) identificada(s) a(s) causa(s) e implementadas as ações visando à correção das distorções, para que tal fato não se repita no futuro.
Na parte de geração de energia temos capacidade de oferta, o que permite que o Brasil absorva as taxas de crescimento do PIB. Na transmissão, os investimentos continuam sendo feitos, já que nos últimos nove anos foram licitados, e a maior parte construídos, cerca de 32 mil quilômetros de linhas de alta tensão.
Temos energia limpa e barata, mas o fato de as hidrelétricas estarem localizadas a milhares de quilômetros dos centros de consumo torna a operação mais complexa do que naturalmente já é, aumentando as possibilidades de oscilações. A Usina de Itaipu, por exemplo, responde por 20% da geração do país e está a 900 quilômetros do centro de carga.
Os equipamentos falham e, por isso, no sistema elétrico, foram criados caminhos alternativos de transporte de energia, mas se as falhas ocorrerem é necessário buscar formas de fazer o desligamento e o religamento de maneira organizada. Neste sentido, reconhecemos que Operador Nacional do Sistema - ONS tem autonomia e autoridade para operar o sistema minuto a minuto, da maneira mais eficiente possível.
Para dar mais segurança ao sistema elétrico em relação ao fluxo de energia nas linhas, para evitar sobrecargas e oscilações, deve-se investir em alternativas tecnológicas para aperfeiçoar a operação do sistema, bem como, na geração de energia a partir de fontes alternativas.
Com as metas e perspectivas de crescimento e a aproximação da realização de eventos internacionais no país, não se pode ficar na insegurança ou incerteza de que o sistema não está preparado para atender à demanda. O importante é que as recomendações e aperfeiçoamentos sejam implementados para dar mais segurança ao sistema elétrico sem comprometer a modicidade tarifária atualmente em vigor.
O Sistema Confea/Crea, que congrega 800 mil profissionais da área tecnológica, entende que as investigações sobre os motivos do acidente, junto a ONS, a Furnas e a outros Agentes envolvidos no evento, devam ser conduzidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), como órgão regulador, moderador e fiscalizador e pelo ONS para que sejam apontadas as possíveis falhas eventualmente ocorridas.
