Mídia das fontes é tema do 10º Seminário de Comunicação do Confea

Brasília, 18 de novembro de 2010

O presidente do Confea, Marcos Túlio de Melo, abriu o segundo dia do 10º Seminário de Comunicação do Confea onte, 17 de novembro, destacando a necessidade de integração entre a comunicação do Confea, dos Creas, da Mútua e das entidades de classe ligadas ao Sistema. “O Sistema Confea/Crea é um dos maiores sistemas profissionais do mundo. Em debates internacionais, temos sido referência e citados como modelo de organização e fiscalização profissional. Mas no Brasil ainda não somos reconhecidos pela categoria e pela sociedade, porque há desconhecimento do nosso papel na sociedade”, ressaltou Marcos Túlio.

Ele destacou que pesquisas realizadas pelo Confea este ano indicam que a sociedade desconhece o papel do Sistema Profissional e que é papel da comunicação esclarecer, de forma integrada, qual a responsabilidade dos Conselhos e o que têm feito pela categoria e pela sociedade. “Temos a tendência de a nossa comunicação ser voltada mais para dentro, para a categoria, mas deveria ser voltada para a sociedade como um todo”, afirma Marcos Túlio, ressaltando que não cabe aos Conselhos representar uma categoria, mas sim, representar a sociedade. “Temos a responsabilidade de fiscalizar o exercício profissional para garantir a segurança da sociedade e a qualidade dos empreendimentos”, explicou.

Do primeiro painel da manhã, intitulado “Mídia das Fontes”, participaram o jornalista do Senado e pesquisador Francisco Santana, pioneiro no estudo desse assunto, e a coordenadora geral de comunicação do Supremo Tribunal Federal (STJ), Joyce Maria Magalhães Russi. Em sua palestra, Francisco Santana ressaltou que atualmente, as assessorias de comunicação têm a capacidade de dialogar diretamente com a sociedade e de pressionar a imprensa. “o sistema tradicional de assessoria de imprensa, com a divulgação de releases e atendimento de jornalistas, continua funcionando, mas num cenário de mídia das fontes, há uma lógica operacional e jornalística diferente, com uma dinâmica semelhante a de uma redação, com definição de pautas e tratamento editorial de matérias jornalísticas”, explica Santana.

Ele explica que os dois setores – de assessoria de imprensa e de produção jornalística – podem trabalhar de forma congruente. “O Senado, por exemplo, tem sua TV, sua rádio e seu jornal, mas também tem uma assessoria de imprensa. O tratamento editorial é diferente, mas tudo isso passa pelo funil da construção da agenda (isto é, dos assuntos que estarão em pauta) e chega para a sociedade, formando a opinião pública”, afirma Santana, ressaltando que essa comunicação acontece também no sentido inverso, porque as novas tecnologias permitem que a sociedade provoque a imprensa e também a mídia das fontes.

Num cenário de “mídia das fontes”, há uma inversão de papéis, porque as próprias fontes de informação passam a coletar, triar, tratar e difundir informações, já que meios de comunicação de massa podem ser geridos por elas próprias. O ganho desse investimento na profissionalização das fontes de informações são vários, como, por exemplo, suprir deficiências da imprensa, participar do processo de agendamento e influenciar a esfera pública. “Isso deve ser feito com limpidez e honestidade, sem espetacularização das notícia, permitindo o acesso às altas instâncias deliberativas; utilização de linguagem compreensível para a sociedade; domínio do ritual de tomada de decisões e construção da cidadania”.

Na segunda palestra, Joyce Maria Magalhães Russi abordou sua dissertação de mestrado, concluída este ano, sobre o trabalho realizado no Supremo Tribunal Federal (STF) no que diz respeito ao conceito de “Mídia das Fontes” e a evolução da comunicação institucional do órgão de 1989 até 2009. Ela pesquisou a influência do uso de mídias das fontes no processo de agendamento da mídia comercial e sua interferência na forma de produção das notícias pela imprensa e concluiu que o uso de mídia das fontes alterou a produção jornalística.

Ela ressaltou que a estrutura de comunicação do STF é complexa. Além do serviço de assessoria de imprensa, que envolve o atendimento dos jornalistas, o órgão tem portal na Internet, participação em redes sociais, como o Twitter, agência de notícias, canal de TV e emissora de rádio. “Ao todo, temos cerca de 250 jornalistas trabalhando nessa estrutura, entre concursados e terceirizados”, informou. Segundo ela, as notícias, nesses veículos, são atualizadas várias vezes por dia, quase no mesmo ritmo das agências de notícias comerciais.

“Mas, além das notícias, apresentamos informações institucionais, acompanhamento institucional, banco de imagem, glossário jurídico e outras informações de interesse público”destaca Joyce. “A transparência que a mídia das fontes proporciona pode ser interpretada, em alguns momentos, como contrários aos interesses da própria instituição, mas do ponto de vista da imagem da organização, posso afirmar que houve um ganho”.

Mariana Silva
Assessoria de Comunicação do Confea