Andrea Murta – Folha.com. 29 de março de 2011 | 08h55
Em meio a discussões sobre investimentos em agricultura no Brasil durante a reunião anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento em Calgary, no Canadá, a ministra Miriam Belchior (Planejamento) defendeu uma restruturação do setor do álcool brasileiro para evitar importação na entressafra.
O país acaba de mudar a exigência de concentração de álcool anidro para permitir a compra do produto dos EUA em abril, um momento crítico da safra nacional de etanol. A safra de 2011/2012 não deve entrar no mercado nacional antes de maio.
"Sem dúvida acreditamos que é preciso fazer uma mudança de funcionamento do setor, para que ele se estruture melhor e a gente possa trabalhar com um mercado futuro. Acreditamos que somos capazes de aprimorar esses problemas de safra", disse a ministra em entrevista à Folha por telefone.
Ainda na reunião do BID, o Brasil acertou neste final de semana uma linha de crédito de US$ 300 milhões financiada pelo Banco de Cooperação e Investimentos do Japão (JBIC, na sigla em inglês).
Os fundos serão voltados a projetos ambientais já foram apelidados de "linha verde" e serão entregues em reais, com conversão no dia em que o aporte for feito.
Veja a seguir outros momentos da entrevista
Prioridades de investimento
Para o governo brasileiro o destino prioritário dos recursos do BID são obras de infraestrutura e ações de redução da pobreza.
No setor privado, estamos discutindo com o BID já há algum tempo uma linha de crédito para o BNDS financiar projetos de caráter regional [entre países]. Essa é uma inovação dentro do BID. No caso da América do Sul temos uma série de projetos já discutidos, para os quais o desafio é encontrar financiamento.
Entre eles estão rodovias que ligam os demais países ao Brasil, hidrelétricas e saída para o Pacífico, tanto por ferrovias quanto por rodovias [via Bolívia, Equador e outros] para facilitar o acesso aos países da Ásia.
Trem-bala
Temos os recursos no BNDS, então esse projeto não usaria recursos do BID. Alguns interessados na licitação pediram adiamento do prazo e isso está sendo estudado. Mas na última sexta-feira, quando saí do Brasil [para ir ao Canadá], isso ainda estava em análise.
Brasil no BID
Nos encontros se destacaram dois temas em relação ao Brasil. O primeiro é a cooperação técnica na agropecuária, com muitos países interessados em que o Brasil coloque `a disposição a experiência que nós acumulamos com a Embrapa para o aumento da produtividade. O segundo, mais por parte dos países mais desenvolvidos _Espanha, Alemanha, Japão, França _ é o interesse nos nossos investimentos de infraestrutura, citando PAC, Copa e Olimpíadas.
Capitalização do banco
Não foi possível negociar [mais] no ano passado. Foi uma discussão muito dura (feita pelo então ministro Paulo Bernardo) na última reunião, em Cancún. Para as necessidades da região o montante que temos não é o ideal, mas se pudermos contar com esses recursos certamente o banco poderá cumprir com mais capacidade sua função de fomento.
Um adendo na discussão do ano passado foi a necessidade de o banco abrir suas operações também para o setor privado e assim dobrar os recursos para esse setor. Então esse aumento dos investimentos ao setor privado é na verdade fruto de uma participação maior no montante dos recursos do banco [o BID deve destinar supere US$ 3 bilhões para o setor até 2015, contra US$ 1,4 bilhão no ano passado].
