Brasília, 16 de maio de 2010.
No segundo dia do Congresso Estadual de Profissionais da Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Acre (CEP-AC), na sexta-feira (14), a mobilização de um grande número estudantes chamou a atenção dos organizadores do evento. Além dos profissionais brasileiros, também participaram bolivianos e peruanos, dando ainda mais forças às discussões sobre inserção internacional, o quinto eixo temático do Congresso Nacional de Profissionais (CNP), que é precedido pelos 27 congressos estaduais.
O presidente do Confea, Marcos Túlio de Melo, ao abrir a programação da manhã do segundo dia do CEP, falou da sua satisfação em ver tatos jovens e dispostos a contribuir com as discussões sobre o futuro das profissões da área tecnológica e com as questões de interesse da sociedade. “Esse é o nosso desafio, trazer a juventude para participar desse processo de mudança e de crescimento que o Brasil está passando”, ressaltou.
Para Marcos Túlio o desafio do Brasil agora é olhar para o futuro e planejar. “Precisamos qualificando o crescimento que queremos”, disse, lembrando que a perspectiva do país é o aumento do Produto Interno Bruto (PIB), mas que para isso ainda há a necessidade de superar a falta de mão de obra qualificada para atender à demanda já existente das obras anunciadas e em andamento.
Halane Barros, estudante de Arquitetura da Faculdade da Amazônia Ocidental (Faao), disse achar importante a participação dos futuros profissionais nos congressos. “Aqui vamos aprender mais sobre os desafios que enfrentaremos e é a partir daqui que vamos antecipar vivências com profissionais já experientes”.
Para o profissional peruano Angel Marces, a tradição do trabalho nas organizações profissionais brasileiras, ao contrário do que acontece no seu país, permite aos profissionais brasileiros eventos com discussões qualificadas, como as realizadas nos CEPs. “No meu país o Colégio de Engenheiros é forte, por isso a minha motivação em participar de um evento de engenharia aqui no Brasil, um país que está investindo tantos recursos em infraestrutura, o que acho importante”.
Palestras – “A rodovia interoceânica no contexto da integração sulamericana” foi o tema da palestra apresentada por Biaggio Sergio Carollo, gerente de obra da Odebrecht. Com a conclusão da rodovia, prevista para dezembro deste ano, segundo o engenheiro, haverá não só a comunicação entre os dois oceanos (Atlântico e Pacífico), permitindo uma ligação física entre Brasil e Perú, mas o incremento da infraestrutura sulamericana.
Biaggio apresentou os grandes desafios de engenharia e geologia para a realização do empreendimento, toda logística para a sua realização, além dos números. Segundo ele, no momento de maior pico da obras, eram 7.314 homens trabalhando e 1.526 equipamentos. Uma obra de 620 quilômetros de extensão, com 141 pontes ou galerias, somando 2.217 metros de obras de arte.
“As escavações em taludes inclinados com solos instáveis, muita neve, frio, formação geológica instável, índice pluviométrico elevado, isolamento na época das cheias e desmoronamentos foram algumas das dificuldades que encontramos. Está obra foi um desafio de engenharia”, disse Biaggio Carollo, revelando que para muitos trechos foram contratados especialistas em alpinismo para que fosse possível vencer os enormes obstáculos da construção.
A projeção para o empreendimento até 2030, quando a Odebrecht deixará de ser concessionária, é de 3.481 veículos por dia. “Havia um estudo anterior à obra com uma previsão de 1.600 veículos/dia em 2023. Com o andamento da execução, em 2009, já atingimos 1.622 veículos/dia. “Com a obra aumentamos em 13 anos a capacidade que tinha sido projetada no passado para o trecho”, revelou Sergio.
A estrada, em tempo de percurso, significa uma economia de 11h45min. Em 2005 o trecho era percorrido em 23h45min. Quando estiver concluída, o tempo de percurso será de 12 horas. O usuário pagará dois pedágios e contará com uma estrutura com sistema de comunicação a cada 10 quilômetros, ambulância, guincho e gruas. “Como benefício a rodovia possibilitará um incremento do comércio bilateral e o incremento da capacidade de compra, além da redução do custo da viagem e a atração de novos negócios e investidores para a região.
“Ética e Valorização Profissional” foi o tema da palestra apresentada por Levi Montebelo, presidente da Confederação dos Engenheiros Agrônomos do Brasil (Confaeab). Ele falou sobre a quebra de conceitos e preconceitos que geram paradigmas que, muitas vezes, prejudicam profissões e profissionais. Convidando os profissionais e estudantes à reflexão, Levi citou Abrahan Lincoln: “pecar pelo silêncio, quando se deve protestar, transforma os homens em covardes”.
“Vamos discutir conceitos de ética, exercício profissional e moral. Vamos fazer aqui uma reflexão sobre nossas profissões e os nossos compromissos, pois a cidadania profissional nos leva à valorização”, afirmou Levi. “O país sofre com a carência de valores. Temos que discutir princípios éticos e moral, pois diante da moral, só se pode obedecer ou desobedecer. Diante da ética é necessário refletir e optar”, afirmou.
Para o presidente do Crea-AC, Amarildo Uchôa, o CEP no estado foi uma vitória da mobilização e da superação do Regional. “No último Congresso Nacional de Profissionais, em 2007, nosso estado foi o único a não apresentar uma única proposição ao CNP. Hoje estamos diante de um cenário diferente, com a participação de profissionais brasileiros, estrangeiros e estudantes”, comemorou.
Ondine Bezerra
Assessoria de Comunicação do Confea
