DFTV - O Globo, 17 de fevereiro de 2011 | 15h46
BRASÍLIA - O Ministério Público quer que as construtoras responsáveis pela obra da Ponte JK, em Brasília, e a antiga diretoria da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) devolvam R$ 210 milhões aos cofres públicos. É o que determina uma ação civil pública ajuizada pela Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público Social (Prodep). O valor corresponde a contratos inflacionados por erros no projeto. No fim de janeiro, a estrutura teve de ser interditada após problemas de desnível do piso, reflexo do desgaste de um dos pilares.
Inaugurada em dezembro de 2002, a Ponte JK tem 1.200 metros de comprimento e é uma das principais vias de ligação entre o Plano Piloto - onde funcionam as estruturas administrativas do governo federal, o Congresso Nacional e órgãos do Judiciário - ao Lago Sul, cidade satélite considerada bairro nobre de Brasília.
Os problemas na estrutura da ponte fizeram o MP a investigar desvios de recursos. Em 1998, foi promovido um concurso para selecionar o projeto de construção da ponte que ligaria o Lago Sul, na altura das QLS 24 e 26, ao Setor de Clubes.
A empresa Projconsult, que criou os famosos arcos, venceu o concurso e previu inicialmente um custo de R$ 39 milhões para execução da obra. De acordo com a ação do MP, esse primeiro projeto básico era absurdo e resultaria na construção de uma ponte incompleta, que não chegaria à outra margem - seria necessário aumentar o comprimento em 144 metros ou aterrar parte do Lago Paranoá.
No edital de licitação para a escolha da empresa responsável pela obra, o valor estimado subiu para R$ 76 milhões - quase o dobro do previsto pela Projconsult. O consórcio Via Engenharia/Usiminas foi escolhido para fazer a obra e apresentou uma proposta de R$ 78 milhões.
Depois do contrato assinado, a Novacap apresentou um estudo de tráfego e constatou que a ponte deveria ter mais duas vias de rolamento, o que aumentou em R$ 19 milhões o custo total da obra e foi necessário fazer um aditivo no projeto.
Por lei, ajustes durante obras públicas podem ser feitos, mas com valor de até 25% do valor que foi previsto no edital. Com a inclusão de mais duas faixas de rolamento na ponte o custo total da obra chegou a esse limite e não poderia ter mais nenhum aumento, mas não foi o que ocorreu.
