Brasília, 22 de fevereiro de 2011.
Nesse contexto, hoje, a educação superior no país precisa de um replanejamento em diversas áreas. São cerca de 28 mil cursos de graduação para seis milhões de alunos, segundo Wollinger. “E esses números devem dobrar até 2020”, afirmou. Uma meta razoável, de acordo com ele, seria a de 30% dos jovens com ensino superior até aquele ano. “Só que a realidade pode ser adversa e por isso é preciso planejar quais níveis superiores queremos para o Brasil”.
Em sua opinião, não se pode manter no país a mesma distribuição que se observa há alguns anos, com cerca de 50% dos alunos cursando graduações de Direito ou Pedagogia, por exemplo. “Isso não pode permanecer, pois pode levar à carência em algumas áreas e à saturação em outras”, ressalta. “Se compararmos com a Alemanha, a nossa matriz deve mudar radicalmente”, disse. Ele comenta que naquele país metade dos alunos cursa graduações da área tecnológica, enquanto no Brasil esse número não chega a 20%.
Para melhorar esse quadro, ele explica que são necessárias políticas de indução para algumas áreas, o que no caso brasileiro é possível, pois, ainda hoje no país, cerca de 75% dos ingressos nas universidades são filhos e filhas de pais que não cursaram o ensino superior. “Na Engenharia, particularmente, não se pode dizer que faltam engenheiros no Brasil”, declara. De acordo com os dados apresentados, existe hoje pouco mais de 1.200 cursos de Engenharia no país, além das várias solicitações de autorização para abertura de cursos no MEC. “Isso nos preocupa. O que falta não são cursos ou vagas. É a falta de ingressos nesses cursos”.
Na Medicina, por exemplo, Wollinger comenta que 96% dos alunos que ingressam conseguem se formar no tempo previsto. Ao contrário, na Engenharia, esse número não passa de 40%. “Precisamos repensar os critérios de formação e projetos pedagógicos dos cursos de Engenharia no Brasil. Talvez precisemos olhar para o que o mundo vem fazendo e nos sintonizar um pouco mais, rever as áreas de Engenharia que são mais estratégicas para o país. E quando se fala em profissões tecnológicas, não se pode falar apenas em Engenharia, mas também em técnicos e tecnólogos”.
Assim, Wollinger conclui dizendo: “deve haver uma revisão do processo formativo para que tenhamos engenheiros mais sintonizados, não apenas sob o ponto de vista das demandas de mercado, mas também do desenvolvimento científico e tecnológico”.
Além disso, dados do diretor da ISA demonstram que 2 de cada 7 engenheiros atuam na área. Para ele, no entanto, a carência de profissionais qualificados se dá por causa da evasão de cérebros. "Nós investimos em estudantes e universidades da área tecnológica para nos retornarem em infraestrutura. Mas quem pode vai trabalhar em outros países".
A experiência portuguesa
Tânia Carolina Machado e Beatriz Leal
Assessoria de Comunicação do Confea
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