No Confea, delegação chinesa debate atuação de profissionais estrangeiros no país
No Confea, delegação chinesa debate atuação de profissionais estrangeiros no país
Última atualização: 06/01/2009 às 16h31
Brasília, 06 de janeiro de 2009.
"Delegação chinesa visista o Confea" A formação do profissional, o funcionamento dos conselhos de profissões regulamentadas e os mecanismos para que diplomados no exterior atuem no Brasil são os temas do encontro que, ao longo de todo o dia de hoje, reúne representantes do governo da República Popular da China e a presidência do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), em Brasília.
Entre engenheiros, especialistas em Recursos Humanos e economistas, 16 pessoas compõem a delegação chinesa chefiada por Yao Yingjian, vice-prefeito da província de Ningxia, para quem “os chineses têm muito a aprender com os brasileiros no que se refere à normatização das profissões”. Segundo ele, “enquanto a lei brasileira que rege as atividades tecnológicas existe desde 1933, a da China foi criada há apenas cinco”.
Ao receber a delegação, atendendo solicitação feita pela embaixada da China, o presidente do Confea, Marcos Túlio de Melo, informou que o Brasil está empenhado em atrair a juventude a optar por cursos da área tecnológica a fim de incrementar o desenvolvimento econômico e social do país. “Temos uma população de 183 milhões de habitantes e apenas 10% estão nas faculdades, e essa mesma porcentagem se registra nos cursos da área tecnológica, o que é muito pouco para as necessidades do país”.
A formação profissional oferecida no Brasil por cursos de nível superior, intermediário e técnico, interessa especialmente aos chineses que também realizam testes para avaliar o desempenho dos alunos e a qualidade do ensino oferecida pelas instituições de ensino chinesas.
Ao falar sobre a atuação do Confea, Alceu Molina, superintendente de Integração do Sistema, explicou que, após graduados, os profissionais têm suas competências reconhecidas pelos Creas (Conselhos Regionais) que se baseiam na grade curricular cumprida pelos recém-formados para expedir os registros. “Apenas com o registro dos Creas podem atuar profissionalmente”, afirmou.
Ao falar sobre a graduação e a diplomação, Molina explicou que em função de diferenças na formação, às vezes, o profissional estrangeiro precisa complementar seus conhecimentos de acordo com as exigências brasileiras. Ele lembrou, por exemplo, a Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), da USP, que emite dupla diplomação - brasileira e francesa -.
Otaviano Batista, assessor do presidente Túlio de Melo, por sua vez, lembrou o registro temporário para estrangeiros, emitido pelos Creas, que é necessário assim como a liberação fornecida pelo Ministério do Trabalho. “Esse recurso, segundo Otaviano, é usado quando não temos profissionais especializados para atender à demanda do país em diversos setores”.
Ao informar que o Confea cria as normas para o exercício das atividades relacionadas a sete profissões, Otaviano esclareceu que os Creas fiscalizam a presença de profissionais habilitados à frente de obras e empreendimentos e destacou que o Sistema Confea/Crea reúne perto de 800 mil profissionais e 200 mil empresas, e que somam 320 os títulos profissionais emitidos pelas instituições de ensino ligadas à área tecnológica.
"Marcos Túlio e Yao Yingjian" Para Túlio de Melo, estreitar relações entre os dois países, por meio da busca de identidades como a diversidade e as dimensões continentais, é um dos caminhos a ser trilhado. Ele acredita na possibilidade de criação de uma certificação de reconhecimento internacional e na importância de que os governos brasileiro e chinês também discutam a questão.
Nesse sentido, o presidente do Confea citou o trabalho que está sendo feito pelos países que integram o Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai). “Estamos num processo bastante avançado sobre o reconhecimento de títulos e o trânsito de profissionais e podemos desenvolver diversas questões de forma bilateral para atender aos interesses chineses e brasileiros”. Para ele, um dos grandes desafios atuais é a integração dos países que formam o Bric (Brasil, Índia, China e Rússia).
Yao Yingjian, por sua vez, disse que o reconhecimento e o respeito da sociedade chinesa pelo trabalho desenvolvido pelas autoridades é muito importante. “O Sistema Confea/Crea é uma referência nesse aspecto”, afirmou ele antes de explicar que os diplomas chineses só são emitidos pelo governo após testes de avaliação aplicados nos formandos por especialistas.
Preocupado com a evasão de cérebros, Túlio de Melo acredita que experiências positivas feitas em países desenvolvidos podem servir de modelo para a permanência de especialistas no país. Para o presidente do Confea, o Brasil “precisa mudar sua cultura e apostar na formação de bons profissionais e no investimento em pesquisas. O conhecimento e a capacidade de produzir talentos determina o poderio de uma nação”, afirma.
Maria Helena de Carvalho Equipe de Comunicação do Confea