Mercado em efervescência

Recife, 28 de abril de 2008

Depois de ficar estagnada na década de 80, a profissão de engenheiro civil está em plena expansão no país. Em Pernambuco, lançamentos de novos empreendimentos também ajudaram a alavancar a carreira. Basta conferir o número de vagas criadas no estado, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego. Até março passado, a construção civil admitiu 3.606 pessoas, enquanto que 8.999 foram desligados dos seus postos no mesmo período, um crescimento significativo de 9,84% em relação ao primeiro trimestre do ano passado.

A valorização da profissão também pode ser observada no aumento da remuneração profissional. De acordo com pesquisa realizada pelo Grupo Catho, empresa de RH, os salários de engenheiros tiveram um aumento médio de 30% nos últimos três anos. Só para ter uma idéia, o engenheiro civil sênior recebia em 2005, R$ 4,1 mil e agora ganha em torno de R$ 5,2 mil. A mudança desse comportamento é percebida até nas salas de aula das universidades. Segundo o engenheiro civil João Recena, que ensina as disciplinas de material de construção e gerenciamento de projetos, diz que grandes empresas, como a OAF, estão buscando estagiários nas faculdades. "Tive quatro alunos contratados recentemente", informa.

Recena, que foi secretário de Planejamento no governo Arraes, acredita que a efervescência do mercado de trabalho está associada à retomada do crescimento econômico do país. "Se o Brasil continuar crescendo 4%, a engenharia civil não vai parar mais", avalia. Segundo o professor, outro fator que também contribuiu com o quadro positivo foi o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal. "O PAC fez com que grandes obras fossem executadas no estado, como a duplicação da BR-101 e o estaleiro", observa.

Segundo o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura de Pernambuco (Crea-PE), somente nos quatro primeiros meses desse ano foram registrados 594 profissional, número que ultrapassou a quantidade de engenheiros civis cadastrados no órgão nos últimos três anos. O presidente em exercício do Crea-PE, Roberto Freitas, diz que apesar do aumento do número de formandos ter subido, há uma carência de profissionais mais experientes. "Como a indústria da construção civil ficou parada por muito tempo, profissionais como engenheiros, mestre-de-obras até pedreiros, migraram para outras áreas ou deixaram de se atualizar por falta de oportunidade no mercado", diz. Hoje, segundo Freitas, um engenheiro com especialização e experiência profissional recebe em média entre R$ 10 a R$ 15 mil por mês. "Há dez anos, o salário não passava dos R$ 3 mil", completa.

A Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco (Ademi-PE) também confirma o aquecimento da construção civil. Segundo presidente da entidade, Eduardo Correia de Carvalho, a partir de 2004, a indústria da construção civil tomou um impulso com a lei 10.931, que autorizou a liberação de recursos da poupança para investimentos na construção, dando mais segurança jurídica para o consumidor, construtores e agentes financeiros. "Em 2003, foram liberados no Brasil R$ 3 bilhões, enquanto que no ano passado, R$ 18,5 bilhões, um crescimento de 500% nos últimos três anos", ressalta. Em Pernambuco, o total de imóveis novos colocados a venda no ano passado teve um crescimento de 24% em relação a 2006. Para este ano, a Ademi espera um incremento de 50%.

Fonte: Diário de Pernambuco