Reitor da UFPE fala da educação superior para o plenário do Confea

Brasília, 30 de outubro de 2008

A participação do Brasil em três projetos do Programa Erasmos Mundos – que reúne universidades européias e de outros continentes visando facilitar a mobilidade de estudantes de graduação e pós graduação pelo mundo em tempos de globalização – foi confirmada hoje pela manhã por Amaro Henrique Lins, reitor da Universidade Federal de Pernambuco , que participou da plenária 1354 falando do papel da entidade e das parcerias com o Confea.

Lins destacou que a equivalência de diplomas entre universidades de diversos países é uma das questões do programa Erasmos e que a grade curricular brasileira “que se aproxima em muito da européia e da norte-americana não  sofrerá grandes modificações com relação a isso, precisa apenas ser mais flexível”, afirma.

Recém eleito presidente da Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior), com posse marcada para março de 2009, Lins garantiu que terão continuidade as parcerias que aproximam o Sistema Confea/Crea das Instituições de Ensino Superior e numa apresentação rápida falou para um fórum que considera “privilegiado”, sobre os avanços da educação brasileira superior.

Formado em engenharia civil, Lins defende que a Educação deve constar do planejamento político do país, independentemente de governo. “Conhecimento é que separa as nações desenvolvidas das outras”, diz. Diante da crise econômica mundial e da necessidade de se refazer diversos orçamentos já projetados para o próximo ano, o reitor afirmou que a “educação não pode sofrer cortes sob pena de aumentarmos a distância que nos separa dos países com domínio pleno de tecnologias de ponta”.
 
A Andifes que representa 58 instituições de ensino superior com 45 hospitais e 10 mil leitos destinados à população carente, segundo Lins, reconhece que houve uma piora na qualidade do ensino, mas destaca como positiva a expansão de cursos e do número de vagas nas universidades federais, em torno de 10%. “Pernambuco é um bom exemplo. Tínhamos apenas duas universidades no litoral e nenhuma no interior do estado. Hoje são quatro as instaladas no sertão”, lembrou.

Lins mostrou em gráficos que aumentou a disputa por vagas nas universidades públicas de 2,7 candidato por vaga em 1995 para 10,3 em 2005, enquanto que nas particulares esses índices baixaram de 4,3 para 1,2/candidato por vaga, respectivamente, no mesmo período.

Atentos a apresentação do reitor da UFPE, os conselheiros federais concordaram com o presidente do Confea, Marcos Túlio de Melo, quando  afirmou que os grandes desafios da educação “começam ainda no ensino básico e se agravam no 2º Grau, com a carência de professores de matemática e de ciências, além da baixa qualidade do aprendizado oferecido”.

O presidente do Crea-AM, eng. Afonso Lins, presente à plenária, questionou Lins sobre a necessidade de ações que visem valorizar os professores com a oferta de cursos de atualização e de melhores salários. Lins também retratou uma realidade comum ao país: “Muitos professores, mestres, doutores que estudam no exterior voltam para as universidades públicas brasileiras mas acabam se fixando na iniciativa privada com melhores condições de infra-estrutura de ensino e  boa remuneração”.

Lins que também é coordenador do Colégio de Presidentes do Sistema Confea/Crea defendeu ainda a oferta de pós-graduações voltadas para atender o mercado de trabalho.

Maria Helena de Carvalho
Equipe de Comunicação do Confea