Arquiteto João Filgueiras Lima participa de Plenária do Crea-BA

Salvador, 11 de novembro de 2008

O arquiteto João Filgueiras Lima, Lelé, participou nesta segunda-feira,10, da Reunião Plenária Ordinária no CREA-BA. Lelé foi convidado para falar de sua experiência na elaboração dos projetos da Rede Sarah.  Na palestra O Centro tecnológico do Sarah – Contribuição para a Bahia, o arquiteto deu uma aula sobre projeto que é referência nacional e internacional.

Formado em arquitetura pela universidade Federal do Rio de Janeiro, Lelé iniciou a experiência em projetos hospitales na década de 60, a convite de Oscar Neimeyer, com a construção do primeiro Centro tecnológico da Rede Sarah, em Brasília. A proposta era reformular as questões hospitalares de Brasília, “o que era muito difícil, pois o poder militar era contra a equipe de Oscar Niemeyer”, explica . Em 1976, criou-se o primeiro Centro de referência do sistema, direcionado para o aparelho locomotor. O modelo estrutural deveria ser flexível, por isso a utilização do concreto armado, pré-moldado, para facilitar as ampliações sem derrubar as estruturas físicas já existentes. “A meta era construir um hospital por ano. O modelo priorizava o combate à questão da infecção hospitalar, através de sistemas naturais de ventilação e iluminação. O modelo implantado em 1966, em Brasília, já cresceu três vezes de tamanho sem derrubar uma parede (...) No caso de Belém do Pará, os postos são construídos para atividades laboratoriais, mas têm potencial para virar hospital”, afirma João Filgueiras.

 A humanização era outra preocupação do projeto do Sistema Sarah. A solução veio através de macas que facilitassem a mobilidade e a socialização entre pacientes. “O design da cama hospitalar utilizado, além de dificultar a transferência de bactérias, quando os internos mudavam de lugar, permitia o transporte dos doentes para atividades e terapias ao ar livre”, pontua o palestrante. Segundo Lelé, essa ação promovia a integração com outros e o contato com o meio ambiente, prática comum na Rede Sarah. Ele conta que o modelo não gosta de trabalhar com a verticalização dos edifícios. “Em fortaleza tivemos que verticalizar, mas compensamos com a construção de um ambiente interno de socialização”. Outra novidade foi em relação à formação de equipes médicas de atendimento, que descentralizam o médico responsável, e os cuidados são realizados por profissionais de diversas especialidades. “É fundamental o trabalho em equipe. O trabalho em equipe é uma contingência do trabalho que desenvolvemos, em todos os setores, e acho que é o destino do trabalho para todas as pessoas”, diz.

Depois de Brasília, os primeiros hospitais satélites foram de São Luiz e Salvador. Na capital baiana foram construídas fábricas para a produção de componentes pesados de serralheria, para a estrutura dos prédios, assim como produtos de marcenaria, argamassa armada e pintura. Hoje são 10 unidades espalhadas pelo Brasil. “Tudo no Sarah é produzido nas próprias fábricas, pois trabalhamos com um nível de precisão muito alto”, afirma Lelé. Os auditórios da Rede Sarah sempre possuem um aparte plana para a acomodação de macas e cadeiras de rodas quando necessário. “Quase todas as estruturas são parecidas, pois são componentes de um sistema de industrialização semelhantes. São primos” (risos), brinca o discursador. “A recorrência é o fator de aprimoramento”, afirma.

João Filgueiras explica ainda que as bocas de ventilação em Salvador, são viradas para o mar, para aproveitar a brisa. “No caso da estrutura do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) no Centro administrativo da Bahia, os pilares acompanharam o relevo, mas deixaram intacta a vegetação ao redor do lado”, cita Lelé. Essas ações visam o aproveitamento máximo dos recursos naturais para evitar a utilização de ares condicionados. A rede também investe em eletrônicos e mecatrônica para manipulação das aberturas aéreas de ventilação, pois são todas motorizadas. Os armários são móveis, pois facilitam a mobilidade e diminuem os riscos de infecções. Existe uma preocupação com os móveis e equipamentos referente à otimização de espaços e manuseio de pacientes. Também não se importa equipamentos visto a dificuldade de manutenção.

Filgueiras finalizou a palestra relatando a experiência da unidade do Rio de Janeiro que está em processo de finalização. Foi executada em um terreno pantanoso, sem drenagem. Criou-se um lago para integrar-se com o de Jacarepaguá, para evitar inundações e pensando-se no conforto ambiental. O hospital carioca difere dos restantes, pois não tem galerias construídas para ventilação. “Foi aproveitado o nível do lago e o piso térreo para promover o caminho e circulação do vento vindo do lago, já que para a construção das galerias seria necessário aterramento, o que encareceria a obra. As enfermarias possuem basculantes aéreos móveis que abrem e fecham de acordo com a necessidade de utilização de ar-condicionado. Desta forma pode-se ter três formas de ventilação no Rio de Janeiro: insuflação aérea, térrea e o uso de ar-condicionado. O lago foi usado para ambientação externa e interpenetrar nos ambientes internos. Existem até capivaras por lá, no lago construído. Capivaras atraem jacarés. Espero que eles não comam os pacientes”, brinca e finaliza a palestra.

Ascom/CREA-BA