Henrique Meirelles fala sobre crise econômica no Encontro de Lideranças

Brasília, 9 de fevereiro de 2009

"Meirelles ressalta importância das profissões do Sistema"
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, foi um dos palestrantes do IV Encontro de Lideranças do Sistema Confea/Crea e Mútua, que começou hoje no Brasília Alvorada Hotel. Às 10h30 ele falou sobre a evolução recente da economia brasileira, defendeu que o Brasil é um dos países mais bem preparados para enfrentar a crise internacional e disse que as profissões do Sistema estão entre as mais importantes para manter o dinamismo da economia, com vistas à retomada do crescimento.

Em sua apresentação, Meirelles mostrou diversos dados sobre a forma como o país entrou na crise quando houve a falência do Lehman Brothers e o consequente corte nas linhas externas de crédito para o Brasil, entre setembro e outubro de 2008. “Diferentemente de outros países emergentes, entramos na crise crescendo em ritmo forte, impulsionado pelo aumento da demanda doméstica”, afirmou Meirelles.

O presidente do Banco Central explicou que isso é parte de um conjunto de fatores que leva o Brasil a estar mais preparado do que outros países emergentes para enfrentar os efeitos “ainda incertos” da crise que se originou nos Estados Unidos. Ele citou outros fatores financeiros, como a reserva de liquidez compulsória depositada no Banco Central, que somava U$ 259,4 bilhões no final de agosto de 2008; e um montante de reservas internacionais de U$ 205,1 bilhões, no mesmo período.

“Isso não nos isenta de sofrer as conseqüências”, ressalvou Meirelles, ao citar algumas medidas que têm sido adotadas pelo governo para conter os efeitos da crise. Entre elas, a liberação de compulsórios no valor de R$ 99,2 bilhões  o que permitiu a injeção de liquidez no mercado sem a necessidade de recorrer a recursos públicos. Outra medida foi a concessão de linhas de crédito para rolagem de dívidas externas, com um potencial de U$ 20 bilhões, o que tem favorecido cerca de quatro mil empresas. “O importante é que o Brasil tem recursos para fazer isso, o que outros países não têm”, destacou.

Segundo Meirelles, o governo estuda medidas específicas para o setor tecnológico, que envolve as profissões inseridas no Sistema Confea/Crea e Mútua. “Existe uma grande preocupação com o setor, porque é um dos maiores empregadores e, por isso, essencial para manter o dinamismo da economia”, afirmou. O presidente do BC pediu paciência e serenidade para lidar com a situação, visando aos desdobramentos e medidas que estão sendo tomadas pelo governo. “Todos devemos ser realistas, mas atitudes extremamente agressivas, no sentido de se defender, podem ser prejudiciais”, ressaltou.

Henrique Meirelles é engenheiro civil formado pela Universidade de São Paulo (USP), especialista em engenharia de produção e mestre em administração pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Trabalhou durante 28 anos no Bank Boston, onde se aposentou em 2002, para assumir o mandato de deputado federal. Há seis anos, por escolha do presidente da República, aprovada pelo Senado, Meirelles está à frente de um dos mais altos cargos no Sistema Financeiro Nacional (SFI), superado apenas pelo Ministro da Fazenda.

Ao final da apresentação, o presidente do Confea, eng. civ. Marcos Túlio de Melo, agradeceu a participação de Meirelles e ressaltou que sua intervenção foi enriquecedora para a formulação de uma visão de médio e longo prazo, que é o que o Sistema Confea/Crea e Mútua vem buscando para orientar as suas ações. “Nosso objetivo é trazer essa reflexão para o debate social. É essa a nossa orientação ao enfrentar esse desafio que a nossa categoria tem pela frente”, ressaltou Marcos Túlio.

O Encontro de Lideranças do Sistema Confea/Crea e Mútua reúne os principais representantes do Sistema, incluindo o presidente do Confea e o da Mútua; presidentes de Creas; conselheiros federais; representantes de entidades nacionais; coordenadores de Câmaras Especializadas e de Comissões de Ética dos Creas. O evento vai até dia 13 de fevereiro, no Brasília Alvorada Hotel, em Brasília.

Mariana Zanatta
Equipe de Comunicação do Confea