Brasília, 10 de fevereiro de 2009

No início de sua apresentação, Takaoka definiu ética como “o que é bom para o indivíduo e para a sociedade” e ressaltou que, quem se preocupa com ética, não tem foco apenas no resultado em si, mas na longevidade dos resultados. Para isso, deve-se ter em mente que o papel das empresas hoje é trabalhar de forma correta e produzir coisas úteis para a sociedade. “Devemos servir a sociedade, e não o contrário”, afirmou ele, ao ressaltar que esse direcionamento é importante, inclusive, para reduzir riscos empresariais.
Uma prova disso seria a crise econômica mundial, que vem sendo potencializada por uma generalizada falta de confiança das pessoas nas empresas. Isso leva a uma retração no consumo e, consequentemente, afeta diretamente o mercado da construção civil, que é um setor de ciclo longo. “As pessoas estão preocupadas com a satisfação de suas necessidades básicas no futuro e, por isso, deixam o consumo de longo prazo para um outro momento”, disse Takaoca.
Nesse contexto, o engenheiro destacou a informação como um fator importante para o processo de retomada da confiança e, consequentemente, da dinâmica econômica. “É preciso que as empresas e os indivíduos que estão por trás delas forneçam informações transparentes e claras para que a sociedade possa ter confiança no trabalho que está sendo feito”, afirmou. “A informação é muito importante para a questão da ética”, ressaltou.
Consumo
Takaoka defende que a “grande oportunidade” para o futuro está na interação das empresas com outros setores principalmente sociais e ambientais de forma sistêmica. Nesse contexto, seria necessário e inevitável uma mudança em relação à dinâmica das relações de consumo. Ou seja, é necessária uma transição entre a dinâmica atual, que ele classificou como de “hiperconsumo”, para uma forma mais sustentável. “Não dá para parar de uma hora para outra tudo o que não é sustentável, mas essa mudança será necessária. Aí está a oportunidade para o futuro”, defendeu.
Antes de encerrar sua apresentação, o palestrante sugeriu alguns pontos de reflexão para a platéia, composta não só por engenheiros, mas por profissionais das diversas profissões abrangidas pelo Sistema Confea/Crea: arquitetos, agrônomos, geólogos, geógrafos, meteorologistas, técnicos e tecnólogos dessas áreas. Um dos pontos foi a questão da auditoria. Ele sugere um rodízio das pessoas que ocupam o cargo de auditor. “Depois de um tempo, é natural que se crie um vínculo emocional com o outro lado. O rodízio seria importante não pela desconfiança nos princípios éticos do auditor, mas para evitar a criação desses vínculos”, explicou.

O conselheiro federal eng. eletric. José Elieser de Oliveira mediou a palestra.
Acesse o site do Instituto Ethos.
http://www1.ethos.org.br/
Assista ao IV Encontro de Lideranças ao vivo.
http://video.nwi.com.br/confea/
Mariana Zanatta
Equipe de Comunicação do Confea
