Câmaras Especializadas divulgam projetos prioritários para 2009

Brasília, 13 de fevereiro de 2009

Durante o IV Encontro de Lideranças do Sistema Confea/Crea, os novos titulares e adjuntos das Coordenadorias Nacionais de Câmaras Especializadas dos Creas e Comissão de Ética foram eleitos. No primeiro dia de trabalho, iniciaram-se as discussões sobre os projetos prioritários de cada grupo.

O coordenador adjunto da Coordenadoria de Câmara Especializada de Engenharia de Segurança do Trabalho, Harold Sadalla, disse que a principal meta é expandir o número de câmaras nos estados, que hoje são apenas sete. "É uma câmara que foi criada em 2008. Precisamos instalá-la em mais estados e implantar um programa de fiscalização uniforme na Segurança do Trabalho, para informar e proteger os trabalhadores.

Na Coordenadoria de Câmaras Especializadas de Engenharia Civil, o coordenador, Antônio Carlos de Aragão informa que o principal objetivo do órgão será resgatar os interesses da Engenharia Civil. "Hoje há conflitos de atribuições profissionais, por exemplo, com os arquitetos, com engenheiros elétricos e com engenheiros de Segurança do Trabalho. Queremos garantir que perfuração de poços e direção de planos diretores sejam atividades exclusivas de engenheiros civis. E vamos tratar essas questões durante as discussões da Resolução 1010". O coordenador adjunto, Ivo Silva Júnior enfatiza outro conflito com os tecnólogos da área. "Na Engenharia Civil há excesso de profissionais e desejamos preservar as atribuições que são historicamente dos engenheiros civis".

A chamada matriz do conhecimento, conjunto de atribuições das profissões das áreas tecnológicas, que é matéria-prima para a aplicação eficaz da Resolução 1010 é a principal preocupação do coordenador das Câmaras Especializadas de Engenharia Industrial, Júlio Fialkoski. Ele informa que sua coordenadoria foi a única do Sistema a não entregar a sua parte da matriz. Outra meta será contestar órgãos que, segundo Fialkoski estão exorbitando suas funções. "O Inmetro, por exemplo, tem realizado movimentos no sentido de dispensar engenheiros na avaliação veicular. Isso não está correto", afirma.

O geólogo Alexandre Carneiro, coordenador das Câmaras Especializadas de Geologia e Minas diz que um dos principais projetos será colocar em prática o acordo entre o Confea e o Departamento Nacional de Produção Mineral. Carneiro também deseja que o manual de fiscalização de Geologia e Minas, que já está pronto, seja aprovado pelo plenário do Confea. "Temos também que integrar todas as 27 câmaras e, para isso, queremos ter, além dos coordenadores, um representante em cada região. Isso vai facilitar nosso trabalho. O coordenador adjunto, Juberto Oliveira, chama atenção para o trabalho que será realizado em torno das escolas técnicas de Mineração e Geologia. "Muitas estão sendo criadas sem nenhuma qualidade. Há algumas que não tem sequer um geólogo ou engenheiro químico como professor. Como existe falta de mão-de-obra no mercado, a relação torna-se mercantilista e esses cursos são criados. Mas vamos fiscalizar e informar às autoridades educacionais dos governos sobre o problema".

Para o coordenador da Câmara de Agronomia, Fernando Julliati e para o seu adjunto, Cícero Calazans de Lima, a fiscalização foi destacada como um dos projetos mais importantes para 2009. "É importante prestar assessoria aos fiscais dos Creas, além de elaborar manuais e aperfeiçoar os que já existem", disse Calazans. Segundo Julliati, "algumas metas vão apontar para essa intensificação da fiscalização, da valorização profissional e do salário profissional". Entretanto, informou, também, que é importante "acertar, de forma harmônica, o sombreamento nas atribuições que existem com a Agrimensura, Química e Engenharia Civil". Para ele, outras questões importantes referem-se ao crédito rural, às cooperativas e, em especial, à Zootecnia. Segundo Julliati, existe um projeto tentando tirar atribuições da Engenharia de Pesca e da Engenharia Agronômica. "Isso nos preocupa muito", afirmou, lembrando que "a Câmara tem um longo trabalho para fortalecer o Sistema".

Na coordenadoria das Comissões de Ética dos Creas, comunicação, troca de experiências e valores éticos são essenciais. Isto é o que afirma Ana Carmen de Oliveira, representante nacional das Comissões. De acordo com ela, para 2009, há projetos para uniformização dos procedimentos de análise de processos éticos nos Creas e divulgação do Código de Ética para os profissionais e acadêmicos. "De modo geral", afirma, "os profissionais recebem o manual, mas não o leem". As comissões pretendem, então, com palestras e seminários promover a responsabilidade profissional. Em nível acadêmico, por exemplo, "é importante que o futuro profissional conheça o mercado de trabalho e tenha valores éticos", afirmou.

Já as discussões dos Creas-Jr/Jovem, sob a coordenação do conselheiro federal Pedro Katayama, têm como objetivo formular estratégias para a implementação do projeto Crea-Jr nos 27 Creas. Atualmente, Alagoas, Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Piauí, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte são os oito estados com o projeto já existente. Em fase de implementação, mais oito: Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Mato Grosso, Paraíba, Rondônia, Roraima e São Paulo. Segundo Katayama, as ações realizadas pelos Creas-Jr são de grande relevância, pois "aproximam as associações, entidades e instituições de ensino". Como exemplo, ele cita, o projeto que está em fase laboratorial no Crea-Jr/SP. Nele, alguns acadêmicos que têm interesse em conversar com os professores e interagir com o Sistema receberiam bolsa de estudo e, após formados, assumiriam o compromisso de transmitir o conhecimento adquirido para outros. No estado, é rotina a realização de palestras para apresentar o Sistema e suas ações para os estudantes que cursam o último ano. Outras diretrizes dos Creas-Jr visam incentivar a criação de comissões de educação nos regionais e delas junto ao Federal; sugerir ao sistema de ensino a inclusão dos conteúdos de ética profissional e meio ambiente na formação profissional; entre outros.

Nesse contexto de integração entre profissionais e regiões brasileiras, o coordenador recém-eleito do Colégio de Presidentes, eng. civil José Tadeu da Silva, presidente do Crea-SP, destacou o grau de harmonia que o CP alcança hoje em dia. "Essa sintonia é resultado de um grande amadurecimento pelo qual o CP passou nos últimos anos. Prova disso é minha eleição para coordenador. O Crea-SP nunca tinha ocupado essa função no colegiado", afirmou. Tadeu disse estar otimista com a possibilidade de um aprimoramento do atendimento do CP enquanto órgão consultivo do Sistema Confea/Crea. "Neste ano, vamos aproveitar melhor os 27 estados para enriquecer as discussões e aprimorar a troca de experiências entre os Creas. O objetivo é padronizar as ações, levando em conta as diferenças e as contradições regionais", explicou.

A ideia de unicidade de ação também foi abordada na reunião de Colégio de Entidades Nacionais. Segundo o coordenador reeleito, eng. agrônomo José Geraldo Baracuhy, o Planejamento Estratégico, assunto explorado durante o IV Encontro de Lideranças do Sistema Confea/Crea, contribuirá bastante nesse sentido. "O desafio do CDEN para 2009 é cumprir as 12 metas definidas no Planejamento Estratégico. Uma delas já foi cumprida: a aprovação do novo Regimento Interno", contou Baracuhy. Ainda segundo o coordenador, essas metas têm como propósito contribuir para a construção de um pacto profissionalizante dentro de políticas públicas.

Há no país nove Câmaras Especializadas de Engenharia Química (SP, MG, RJ, SC, BA, SE, CE, PR e RS), sendo que Maria Helena Caño de Andrade é coordenadora da Câmara de Minas Gerais. Desde ontem, ela assumiu também a coordenação nacional. Para ela, “a fiscalização é o melhor caminho para fortalecer e valorizar os profissionais ligados ao Sistema” e, embora poucas, considera “positivas” as perspectivas de instalação em estados onde a modalidade é item essencial na economia, como Pernambuco e Rio Grande do Norte. Uma fiscalização atuante, com pessoal preparado para entender a complexidade das atividades relacionadas à Engenharia Química – que agrega dezenas de atividades – “é da maior importância”, diz Maria Helena que esclarece que a fiscalização abrange da exploração de petróleo à indústria têxtil, por exemplo.

Intensificar a fiscalização, fortalecer as Câmaras de Agrimensura existentes e incentivar a criação em Creas onde ainda não foram criadas fazem parte dos desafios de Mariângela Braga Pinto, reconduzida à Coordenação Nacional das seis Câmaras Regionais de Agrimensura instaladas. A modalidade que se relaciona com a Geografia e Cartografia, segundo Mariângela, “carece de maior divulgação quanto à importância”, acredita, ao constatar os poucos agrimensores formados diante da demanda de um país com as dimensões do Brasil. Segundo ela, a profissão “é o primeiro olhar a ser considerado quando do início de um projeto de qualquer área que interfira no meio ambiente”, Mariângela vê poucas, mas boas perspectivas de expansão das Câmaras. Para ela, o melhor caminho para que os agrimensores ocupem mais espaços dentro do Sistema “passa pelo envolvimento do profissional com as questões de sua profissão e sua aproximação do Conselho, e esse trabalho depende de nós”, afirma.

Eleito para a coordenação nacional das 27 Câmaras de Arquitetura, Lúcio Dantas, terá Edmar Andrade, como adjunto. Para Lúcio, entre os desafios da coordenadoria estão as questões relacionadas ao Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) e “a transição que se estenderá da saída do Confea à instalação do próprio CAU”. A normatização da Lei 11.888, que garante assistência técnica gratuita para construção de casas populares, a intensificação da fiscalização, assim como os preparativos do Brasil para receber os jogos da Copa do Mundo de Futebol, em 2014, estão entre os temas tratados na reunião em Brasília e serão tema constante na pauta de trabalho do ano.

De Tocantins, Luiz Cláudio Werner coordenará nacionalmente as Câmaras Especializadas de Engenharia Elétrica. Como adjunto, João de Deus Barros, da Paraíba Depois do balanço das atividades desenvolvidas em 2008 e da definição do plano de trabalho da Câmara para este ano, Werner acredita que a questão do sombreamento com ouras modalidades e a questão das concessionárias que estão avançando suas atividades para a área de instalação e não somente concessão e distribuição de energia elétrica estão entre os projetos prioritários.

Beatriz Leal, Maria Helena Carvalho, Tânia Carolina Machado e Thiago Tibúrcio
Equipe de Comunicação do Confea