Brasília, 27 de fevereiro de 2009
As estatísticas alarmantes sobre mortes no trânsito no Brasil, que chegaram a 35 mil, em 2008, segundo dados do Ministério da Saúde, e o grande número de feridos, que sobrecarregam o sistema de saúde, despertaram esforços do poder público para diminuir esses acidentes. Junto com a lei seca e fiscalização mais rigorosa das autoridades, há também uma preocupação dos pesquisadores brasileiros com as pessoas que ficam com seqüelas dos acidentes. Por isso, a bioengenharia ganha cada vez mais importância no país.
A bioengenharia é uma interface entre as ciências exatas e as ciências biológicas, e que reúne engenheiros, químicos, neurologistas, médicos, fisiologistas em pesquisas avançadas, busca integrar equipamentos e dispositivos elétricos, mecânicos e eletrônicos com organismos vivos. Uma das aplicações que mais se destacam é a o uso da bioengenharia para a reabilitação ortopédica, mas o bioengenheiro também desenvolve diversos aparelhos utilizados em hospitais, como respiradores, monitores, equipamentos de hemodiálise, tomografia computadorizada, ressonância magnética, entre outros.
Segundo o Ministério da Educação, há apenas um programa de pós-graduação em bioengenharia no Brasil: o da Universidade de São Paulo, em São Carlos. Dados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), indicam que, em 2007, titularam-se mestres em Bioengenharia apenas 26 pesquisadores e o tempo médio para titulação é de 29 meses. A Capes informa que não houve doutores titulados nesse ano. O corpo docente tem apenas 23 professores.
O Programa de Pós-Graduação Interunidades em Bioengenharia da USP/São Carlos tem seis sub-áreas de pesquisa: biomecânica, biomateriais , interação de agentes físicos com sistemas biológicos, instrumentação, fonoengenharia e tecnologias clínicas e de reabilitação.
E mostrando a potencialidade dos pesquisadores brasileiros, a USP tem importantes patentes na área, como as do professor e engenheiro de materiais João Rollo, presidente da Comissão de Pós-Graduação da Bioengenharia na USP. Em 2004, o professor registrou a patente sobre “Processo de tratamento de osteoporose não evasivo e sem regime medicamentoso”, e, em 2005, a patente sobre “Aço inoxidável supermartensítico para ferramental cirúrgico”.
No nível de graduação, há apenas quatro instituições em todo o país que oferecem o curso de Engenharia Biomédica: a Universidade Federal de Pernambuco (Recife-PE), a Universidade do Vale do Paraíba (Jacareí-SP), Faculdades Integradas do Norte de Minas (Montes Claros-MG) e Universidade Federal de Uberlândia (MG).
Thiago Tibúrcio
Equipe de Comunicação do Confea
