Revista "Engineers: Australia" publica artigo com a cobertura completa da 3ª edição da WEC 2008

Brasília, 5 de março de 2009

A promoção da responsabilidade social como princípio para a inovação tecnológica foi o tema principal da declaração oficial do 3º Congresso Mundial de Engenheiros, de 02 a 05 de dezembro, em Brasília. Mais de 5200 participantes de todas as partes do mundo estiveram presentes, incluindo 1500 estudantes. O jornalista Dietrich Georg esteve no evento e escreveu para a edição de janeiro da revista Engineers: Australia.

O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, participou da abertura e reconheceu a importância da engenharia para a economia de qualquer país, inclusive do Brasil.  “A Engenharia é crucial para o setor produtivo e, portanto, para o desenvolvimento de um país,” e ainda,” a crise internacional obriga a todos que usem melhor os recursos disponíveis e proponham soluções.”

Destacando que hoje a demanda de engenheiros é maior que a oferta, Lula fez referência a alguns programas do governo que ajudam a aumentar o interesse pela engenharia nos alunos do ensino médio e, assim, contribuem para a formação de mais graduados nessa área no Brasil. Concluiu o discurso afirmando que “os engenheiros merecem receber melhores salários” e recebeu aplausos entusiasmados.

O presidente da Federação Mundial de Organizações de Engenharia (WFEO), eng. eletr. Barry Grear, focou na necessidade da profissão contribuir para a melhora de vida no mundo, afirmou que “o Congresso Mundial de Engenheiros tem o objetivo de ser um encontro técnico, científico, político e cultural e de agregar profissionais de todo o mundo em benefício da comunidade. E, em nome da comunidade da engenharia, eu digo que estamos preparados para resolver quaisquer problemas.”

Ética
O engenheiro e professor Conrado Bauer da Argentina discutiu ética e responsabilidade social dos engenheiros citando o código de ética da WFEO, atualizado em 2007, como exemplo. O código aborda princípios amplos, responsabilidades específicas e ética relacionada ao meio ambiente com uma interpretação detalhada de seus artigos. Ressaltou que “engenheiros... devem usar seu talento, conhecimento e imaginação para ajudar a sociedade a melhorar a qualidade de vida para todas as pessoas.”

Combate à corrupção
William Henry, ex-presidente da Sociedade Americana de Engenheiros Civis esquematizou o Programa de Educação e Treinamento Anticorrupção (ACET), destinado a desenvolver uma educação abrangente e com material de ensino para distribuição a engenheiros, consultores, construtores, fornecedores, acompanhantes e estudantes.

“O esforço global da indústria de engenharia e construção é exigido no combate à corrupção e esse programa fornece os argumentos porque a corrupção deve ser considerada ruim”, Henry informou.

Nova abordagem
O professor Luiz Scavarda do Carmo, coordenador do Comitê de Programa da WEC 2008, colocou a necessidade de um novo paradigma para desenvolvimento com responsabilidade social. Lembrou que “o resto do mundo não pode mais se desenvolver da mesma forma que os países industrializados faziam. Os recursos naturais não eram vistos como esgotáveis. Esse ponto de vista mudou radicalmente e está claro que os recursos do planeta são finitos e assim, uma nova abordagem é necessária.”

Mobilidade Internacional
O engenheiro Peter Greenwood, representante da Austrália na WFEO, delineou os acordos internacionais sobre delegação de autoridade e licenciamento (registro) de engenheiros, com o objetivo de possibilitar uma maior mobilidade internacional, e com foco especial no impacto nos países em desenvolvimento.

Afirmou que a mobilidade dos engenheiros no mundo tem maior impacto nos países em desenvolvimento, esse impacto tem sido geralmente considerado negativo e inevitável. Porém, há pontos positivos a serem observados, como por exemplo, a questão da autorização para trabalho de profissionais, que protege o exercício profissional dos engenheiros do próprio país, mas também possibilita a reciprocidade.

Relatório Internacional de Engenharia
O Relatório Internacional da UNESCO sobre Engenharia foi lançado durante o Congresso. Intitulado “Engenharia: Questões e desafios para o desenvolvimento”,  discute áreas em comum  direcionadas à engenharia em todo o mundo. O relatório foi coordenado e editado pelo Engenheiro Mecânico Tony Marjoram, chefe da Divisão de  Ciências da Engenharia da UNESCO, em Paris.

O relatório terá oito seções e será publicado em abril. Abordará, entre outros aspectos, o papel da engenharia e da inovação para o desenvolvimento socioeconômico; áreas emergentes da engenharia e a importância da cooperação internacional; algumas estatísticas sobre educação; panoramas regionais e nacionais; aplicações da engenharia e seu papel para a redução da pobreza e alcance da sustentabilidade.

Esse relatório é produzido pela Federação Mundial de Organizações de Engenharia – WFEO, pelo Conselho Internacional de Academias de Engenharia – CAET, e pela Federação Internacional de Engenheiros – FIDIC. Cópias estarão disponíveis em www.unesco.org/publications.

Foco nas mulheres e nos jovens
Dois fóruns tiveram destaque durante a WEC 2008: o Fórum das Mulheres e o Fórum dos Jovens Engenheiros. Segundo Barry Grear, “a WFEO tem trabalhado bastante e lançou o Comitê Permanente das Mulheres na Engenharia, por meio do qual podemos contar com a participação de representantes de 90 países nas tomadas de decisões.”

Engenheira Marlene Kenga, vice-presidente da revista “Engineers Australia” e presidente do Comitê Nacional para Mulheres na Engenharia, apresentou um panorama do trabalho realizado na Austrália e lembrou que as comemorações do Ano das Mulheres, em 2007, repercutiu positivamente para sucesso pelo grande número de iniciativas de seminários e workshops que as encorajam as mulheres a buscar posições de liderança.

O Fórum dos Estudantes e Jovens Engenheiros foi o segundo evento mais popular da WEC, depois da cerimônia de abertura. Contou com dois palestrantes principais, um brasileiro, do Banco de Palmas e um australiano, Peter Greenwood, que abordou acordos internacionais e padronização para práticas internacionais, conectados ao planejamento da carreira e ao desenvolvimento.

Capacitação Técnica na Engenharia
A WFEO e a UNESCO estão produzindo um guia especial para fortalecer a capacitação profissional, especialmente nos países em desenvolvimento.  A versão preliminar será apresentada na próxima Assembléia Geral da WFEO no Kuwait, em novembro deste ano.

O guia tem como objetivo auxiliar países em desenvolvimento a na capacitação dos profissionais da Engenharia e Ciências. Intitulado “O Papel da construção da capacitação técnica na aceleração do desenvolvimento das nações”. Comentários sobre esse projeto podem ser enviados ao Presidente da WFEO, Barry Grear, em bjgrear@netadvantage.com.au.

Colaboração: Eng. e Arq. Carmem Eleonôra