Brasília, 6 de março de 2009
O Dia Internacional da Mulher é comemorado a cada 8 de março, em razão das lutas, reivindicações e conquistas femininas ao longo da história. As profissionais da área tecnológica, muitas vezes, têm ainda mais dificuldades na execução de seu trabalho, sofrendo preconceitos e obstáculos para serem inseridas nesse extenso campo de atuação.
O Sistema Confea/Crea e Mútua tem pleno conhecimento da importância das mulheres e, por esse motivo, criou um Grupo de Trabalho específico para desenvolver ações que busquem a valorização da mulher no setor. A conselheira federal, téc. edif. Iracy Vieira Santos Silvano, é a atual coordenadora do GT Mulher do Confea. Segundo ela, o grupo “está empenhado na busca da valorização dos trabalhos das mulheres profissionais do Sistema e, para isso, desenvolveu ações no sentido de realizar fóruns temáticos que caracterizem a divulgação das atividades das mulheres no desenvolvimento sustentável com inclusão social”.
Para ela, a participação das mulheres no Sistema ainda é tímida. “Não por falta de espaço, mas por não argumentarem a importância da sua participação nos cargos decisórios”, disse. Esta também é a opinião da conselheira federal, téc. meteor. Maria Luiza Poci Pinto, membro do GT Mulher. Segundo ela, a participação das mulheres no Sistema é muito positiva, mas precisa ser incrementada. “As mulheres têm de se apresentar mais ao Sistema, elas ainda estão muito acanhadas”, afirma Poci.
E no intuito de fortalecer essa participação em cargos de lideranças foi organizado pelo GT, em 2008, um fórum nacional com o tema “Formação de Líderes”. “Entendemos que estas ocupações contribuirão para a construção da igualdade do gênero e aumentarão a posição da mulher nas discussões de assuntos de política pública, economia, meio ambiente, responsabilidade social”, afirma Iracy Silvano.
“O GT Mulher tem tido um papel e uma força importantíssima nesse trabalho de valorização da mulher”, afirmou a conselheira federal, arq. e urb. Ana Karine Batista de Sousa, também membro do grupo. “Eu acredito que nesse ano, com o trabalho que vem sido desenvolvido pelo GT conseguiremos atingir o máximo possível, chegando à instalação do GT em 90% dos regionais”, disse.
Falando sobre o contexto profissional, a conselheira Iracy Silvano conta que, no início de sua história, ela não se preocupou muito com as diferenças entre os sexos. Em sua turma de graduação, havia quarenta mulheres. “Porém, quando comecei a exercer as minhas atividades profissionais observei que a realidade se apresentava diferente daquela que esperávamos”, lembra. Segundo ela, os desafios são ainda maiores para as mulheres da área tecnológica. Entretanto, informa, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres têm alcançado patamares de escolaridade cada vez mais altos, o que pode significar uma tendência de crescimento para as carreiras tecnológicas e para o alcance de uma das Metas do Milênio – igualdade entre os sexos e valorização da mulher. Nesse contexto, a conselheira federal suplente Sandra Selma de Alexandria também ressalta o crescimento profissional da mulher. “Pesquisas comprovam que a mulher já ocupa 41% do mercado de trabalho no Brasil. Isso reflete nossa organização crescente ao longo da história, que não nos foi muito favorável”, diz, ao lembrar de valores femininos como capacidade de trabalho em equipe e cooperação.
Esse pensamento vai ao encontro do pensamento de Maria Luiza Pinto. Para ela, “a mulher é guerreira e tem jogo de cintura para lidar com as diversas situações, principalmente nesse momento de crise”. “Devemos divulgar e mostrar o nosso trabalho de tal forma que as mulheres sintam que têm espaço e que são bem-vindas no Sistema”, afirmou.
Ana Karine Sousa, por sua vez, percebe que, “nos últimos anos, a mulher, em todas as áreas e, especificamente dentro do Sistema, tem conseguido ficar inserida dentro dos trabalhos, galgar posições e buscar ações para garantir um futuro melhor”. “Acredito que o dia da mulher seja apenas uma homenagem, mas que deveria ser comemorado todos os dias, pois o trabalho da mulher deve ser sempre reconhecido”, afirmou.
Por fim, para Iracy Silvano, “estamos vivendo uma mudança de era, onde devemos repensar nosso papel no cotidiano e estar sensíveis a essas mudanças”. “Não devemos pensar no Dia Internacional da Mulher como um dia de confraternização, mas acima de tudo, como um período para pararmos e refletirmos sobre as mudanças que estão acontecendo e qual é nossa posição diante destes acontecimentos”, continua.
Tânia Carolina Machado
Equipe de Comunicação do Confea
