Brasília, 22 de abril de 2009

Um dos mais antigos Conselhos Regionais de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do país, o Crea da Bahia completa 75 anos amanhã, dia 23 de abril. Além da sede em Salvador, o Conselho está presente hoje em outras 23 cidades, por meio de 20 inspetorias e três escritórios regionais. Com mais de 35 mil profissionais inscritos no Sistema de Informações Confea/Crea (SIC), o Crea-BA é o 6º maios do país. Leia a seguir entrevista com o atual presidente do regional, o eng. agr. Jonas Dantas, que iniciou este ano seu segundo mandato à frente do Conselho.
O Crea-BA originou-se do Crea da 3ª Região, criado em 23 de abril de 1934, com sede em Salvador e, na época, com jurisdição nos Estados de Alagoas, Bahia e Sergipe. Hoje, segundo dados do Sistema de Informações Confea/Crea (SIC), o Crea da Bahia é o 6º maior do país, com 35.216 profissionais registrados. Nesses 75 anos de atuação, quais foram os fatos mais marcantes na história do regional?
Eu destacaria três pontos fundamentais: agilidade, descentralização e inserção política. Nos dois primeiros casos, refiro-me especificamente à prestação de serviços aos profissionais na capital e no interior. Os investimentos em tecnologia permitem o acesso on line a solicitações importantes como o registro de ART e acompanhamento de processos, sem sair de casa. Documentos que demandavam dias, hoje podem ser retirados na hora. Sem contar que o Crea está representado em 20 Inspetorias e três escritórios regionais que abrangem centenas de municípios. E no item responsabilidade social, somos parceiros da sociedade e dos órgãos públicos no sentido de subsidiá-los tecnicamente sobre assuntos de interesse coletivo.
Além de fiscalizar o exercício profissional da engenharia, da arquitetura, da agronomia, da geografia, da geologia e da meteorologia, de técnicos e tecnólogos dessas áreas função primordial do Conselho , de que outras formas o Crea-BA participa da vida dos cidadãos baianos?
O Crea-BA tem, efetivamente, como autarquia federal, o papel preponderante e constitucional de promover a fiscalização do exercício das atividades profissionais, mas vai além dessa prerrogativa. Ao reconhecermos a nossa importância na agenda dos problemas sociais, contribuímos para a construção de políticas públicas de desenvolvimento e de inclusão. Implantamos o nosso projeto de Engenharia, Arquitetura e Agronomia públicas, como resgate da função social do Sistema Confea/Crea. Também criamos o Grupo de Trabalho em Acessibilidade, que tem atuado no cumprimento às legislações e na garantia do direito de ir e vir do baiano. Os debates, as intervenções e as contribuições dadas pelo Conselho ao poder público refletiram diretamente na inserção do regional em diferentes instâncias do país. Hoje, o Conselho integra o Grupo de Trabalho de Meio Ambiente do Sistema Confea/Crea, o Conselho Municipal de Meio Ambiente Comam, o Ministério do Meio Ambiente para o Projeto de Revitalização do Rio São Francisco, o Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano de Salvador, a Comissão Permanente de Acessibilidade de Salvador, o Fórum de Defesa do Rio São Francisco, entre outras. O nosso objetivo é mostrar que a base tecnológica deve estar diretamente ligada ao que representa em termos de ganhos sociais efetivos, claros. Isso faz com que a sociedade, ao ter acesso à assistência técnica e às discussões de questões como tecnologias de produção agropecuária, saneamento básico, recursos hídricos, esgotamento sanitário e outros mais, possa efetivamente obter do Crea e do Confea o retorno de que ela necessita.
Recentemente foi instalado na Bahia um núcleo do projeto Pensar o Brasil, cujo propósito é debater o desenvolvimento nacional e regional com a área tecnológica. O que tem sido feito e quais as perspectivas do projeto? Qual a importância desse trabalho para a sociedade?
Regionalizar a discussão promovida pelo Pensar o Brasil é uma oportunidade ímpar. O projeto mostra o quanto engenheiros, arquitetos e técnicos podem, a partir de realidades diferenciadas, contribuir para a redução das injustiças sociais no país. A lei 11.888, que trata da assistência técnica gratuita para a população de baixa renda, é exemplo claro da importância dessa atuação. Precisamos pensar políticas públicas para o Nordeste, sobretudo nas áreas ligadas ao desenvolvimento científico e tecnológico. Para isso, devemos integrar o Conselho, as entidades profissionais, as universidades, profissionais e sociedade.
O senhor, como integrante do Colégio de presidentes do Sistema Confea/Crea, tem mostrado preocupação com o meio ambiente, inclusive tendo representado o GT Meio Ambiente. Qual a importância desse trabalho para o Sistema e para seus profissionais?
Nossa proposta é participar ativamente de todas as instâncias que envolvem a área tecnológica e o interesse coletivo, dentro e fora da Bahia. Nacionalmente, estamos na coordenação adjunta do GT de Meio Ambiente do Colégio de Presidentes e representamos o Confea junto ao Ministério do Meio Ambiente para assuntos relativos à Agenda 21 Revitalização de Bacias Hidrográficas. Ou seja, agimos ativamente nas áreas de transporte, acessibilidade, meio ambiente, recursos hídricos e desenvolvimento urbano. Temos a obrigação de defender o interesse público sob o prisma do conhecimento técnico que nós, profissionais do Sistema, acumulamos.
Quais as perspectivas do Crea-BA para os próximos anos?
A expectativa é que a gente consiga ser definitivamente um instrumento de apoio tecnológico e social no que diz respeito ao desenvolvimento de Salvador e da Bahia. A partir do cuidado que temos com o bem público, abrem-se possibilidades imensas para que o Crea participe e contribua nas discussões para a construção de projetos de melhoria da qualidade de vida das pessoas. De mais imediato, estamos criando este ano o Colégio de Entidades, que é a reunião de todas as entidades registradas no Conselho, de maneira que a gente possa estabelecer pontos prioritários que nortearão o trabalho coletivo, uma agenda unificada.
Equipe de comunicação do Confea
