Diretor da Petrobras discute quebra de monopólio do pré-sal

Brasília, 28 de maio de 2009
 

"Estrella explica seu posicionamento"
Os investimentos da Petrobras para perfurações de poços de petróleo são de risco. “Para cada descoberta, dez poços são perfurados. Ou seja, há um risco de 90%”, explicou o geólogo Guilherme Estrella, diretor de Exploração e Produção da Petrobras. “Depois, empresas internacionais que não correram o risco se beneficiam do nosso investimento”, argumentou durante palestra concedida nesta quarta-feira (27), no plenário do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia.
 
Estrella  manifestou sua opinião pessoal contra a quebra de monopólio do óleo extraído do pré-sal. O presidente da República deu prazo até a próxima semana para que a ministra da Casa Civil e o ministro das Minas e Energia lhe entreguem a proposta do governo para o marco regulatório do pré-sal. A primeira extração de petróleo do pré-sal aconteceu no último 1º de maio.
 
De acordo com Estrella, de toda a produção nacional de petróleo, 80% estão nas mãos dos concessionários. “Ainda que o subsolo pertença à União, a concessão dá o petróleo ao proprietário”, explicou. Para ele, o óleo produzido deve ser de propriedade da União, para que o governo faça o planejamento estratégico da produção e da capacitação energética nacional. “O petróleo faz parte de um patrimônio natural brasileiro”, disse. “Com o mercado aberto, as empresas internacionais ficam com a maior fatia do negócio, enquanto as brasileiras não fazem investimentos tão elevados”.
 
Nacionalização de equipamentos
Outra dificuldade apontada por Estrella foi a questão de equipamentos. Segundo ele, cada unidade de exploração de petróleo necessita de quatro tubos geradores de eletricidade, sendo que a Petrobras pretende implantar 40 dessas unidades. “Não é possível importarmos 160 turbinas, além de outras dezenas de itens que também são importados. A produção nacional de equipamentos está acéfala”, disse.
 
Para ele, se faz necessária a importação da capacitação técnica para a construção e adaptação das máquinas à realidade brasileira. “Temos que levar ao governo a necessidade de elaboração de políticas incentivadoras da formação de escritórios de projetos de engenharia que comecem a projetar essas máquinas”, afirmou, e completou que o Confea é um órgão “extremamente qualificado” para abordar o governo no âmbito dessas políticas.
 
Marcos Túlio de Melo, presidente do Conselho Federal, ressaltou a importância desse debate não apenas na área técnica, mas como conceito de perspectiva de futuro para o país. Além disso, ele destacou a atuação da Petrobras enquanto mantenedora de empresas incubadoras de universidades. “Essa motivação à inserção do estudante no mercado de trabalho é uma ferramenta para a plena formação do futuro profissional brasileiro”, disse. 
 
CPI
Durante o encontro, Estrella comentou sobre a Comissão Parlamentar de Inquérito que investigará se a Petrobras evitou pagamentos fiscais e criou contratos ilegais. “Primeiro devemos lembrar que a CPI é, antes de tudo, uma ferramenta de Congresso, uma ferramenta política. Em ano eleitoral, não se deve dispensar o aspecto político que as CPIs tomam. Por isso, muitas questões de CPI dependem de opiniões, consensos, ideologias, premissas políticas, etc”, disse, ao afirmar que a Petrobras está pronta para responder qualquer questionamento com transparência.
 
De acordo com ele, a Petrobras tem uma auditoria interna muito rigorosa, além de entre 50 e 60 equipes do Tribunal de Contas da União (TCU) em permanente processo de verificação dos contratos da empresa. “A Petrobras tem muitas ações. O Congresso tem, portanto, toda a liberdade para verificar o que quiser”. Estrella disse ainda estar tranquilo sobre os investimentos na faixa de petróleo. “Não acredito que a CPI influenciará nos investimentos do pré-sal, pois esses números fazem parte do nosso plano estratégico”, afirmou.

Mais:

Leia aqui o manifesto do Confea sobre a operação do Pré-sal.  

 
Beatriz Leal
Assessoria de Comunicação do Confea