Brasília, 10 de julho de 2009.
A água é a base para a existência humana. Seu tratamento e proteção ainda são ignorados por muitas autoridades. A poluição das águas pode resultar num efeito dominó: a falta de saneamento básico contamina os rios, as lagoas, o solo e, consequentemente, altera a cadeia alimentar dos ecossistemas. A irrigação das plantações com água poluída faz com que o alimento ingerido seja prejudicial à saúde. O esgoto e o lixo a céu aberto, por sua vez, atraem insetos que transmitem doenças como: hepatite A, cólera, dengue e malária.
Esta é a realidade de muitas cidades brasileiras. No Amapá, por exemplo, apenas 1,42% da população têm acesso à água tratada. Para começar a pagar essa dívida social, o Governo Federal, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), destinou R$ 170,8 bilhões para a infraestrutura urbana.
É nesse contexto que trabalha o engenheiro sanitarista – responsável pelo estudo da exploração e do uso da água nos projetos de saneamento em geral: abastecimento de água potável, limpeza urbana, tratamento de esgoto e dos resíduos sólidos. Esse profissional do Sistema Confea/Crea também trabalha na elaboração dos Planos Diretores de Abastecimento de Água e em projetos de construção de canais, de irrigação e de drenagem.
Na visão do professor da UERJ e assessor do Crea-RJ, Adacto Ottoni, no próximo dia 13 de julho – Dia do Engenheiro Sanitarista, não há motivos para comemorar e sim para refletir sobre os caminhos que o poder público vem tratando a questão sanitária e ambiental no Brasil.
“O Brasil faz mau uso do dinheiro público e aplica soluções caras e ineficientes na área do saneamento. Temos que adotar soluções com sustentabilidade e considerar as especificidades de cada região. As soluções, hoje, atendem a interesses de certos grupos econômicos. Temos que realizar diagnósticos, planejar mais e fazer monitoramentos”, afirma Adacto.
O coordenador-adjunto da Coordenadoria Nacional das Câmaras de Ética nos Creas, o engenheiro civil e sanitarista Antônio de Lima Furtado, compartilha da mesma ideia que Adacto. Para ele, os quadros técnicos das secretarias municipais, estaduais ou federais devem ser ocupados por engenheiros.
“Nós temos uma missão muito grande na área ambiental, mas, no Brasil, o interesse político e patrimonialista prevalece sobre a técnica. Muitos desses cargos são preenchidos por administradores ou advogados. Isso representa um desastre na condução das políticas públicas. Como sou um otimista por natureza, acredito que vamos prosperar nesse sentido”, afirmou Antônio.
O Brasil possui um vasto campo para a atuação dos engenheiros sanitaristas. No país vivem cerca de 170 milhões de pessoas, distribuídas em 8,5 milhões de Km2. Um território com uma extensa fronteira agrícola e grandes centros populacionais, muitas vezes, em áreas irregulares. Para dar conta de toda essa dimensão, o Brasil tem 20 instituições de ensino e 1.531 engenheiros sanitaristas – um número ainda pouco representativo num país com tamanha proporção.
Melissa Ornelas
Assessoria de Comunicação do Confea
