Demolição do Estádio Fonte Nova é questionada pelo Crea-BA

Salvador, 4 de setembro de 2009.
 
As intervenções e as alternativas propostas para o estádio Octávio Mangabeira (Fonte Nova) para a Copa de 2014 foram debatidas por especialistas e autoridades, em Salvador, nesta quinta-feira (03), no auditório do Crea-BA. O objetivo do encontro, promovido pelo Conselho, foi discutir, dentre outras ausências, a falta de detalhamentos dos projetos de demolição e reconstrução do estádio e as intervenções em seu entorno.
 
Na abertura do evento, o presidente do Crea Jonas Dantas ressaltou a importância do debate ao enfatizar que o sucesso da Copa de 2014 não depende apenas do cumprimento às exigências da Fifa. “As intervenções propostas devem estar de acordo com as reais necessidades de Salvador. Precisamos ser responsáveis e atender aos requisitos técnicos, legais e financeiros envolvido. E para que isso ocorra, todos os documentos e anexos que dizem respeito ao projeto devem ser disponibilizados”, disse Jonas.
 
O primeiro debate do dia contou com as presenças do secretário Nilton Vasconcelos, da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte e do arquiteto Marc Duwe, autor do projeto de requalificação do Fonte Nova. Vasconcelos fez apenas um apanhado geral das ações da Secretaria. Coube a Duwe prestar esclarecimentos específicos sobre o projeto contratado pelo governo do Estado e que prioriza as exigências da Federação Internacional de futebol (Fifa). “Fizemos um projeto tendo em vista atender às solicitações da Fifa. É o caso da pista de atletismo que eles pediram para tirar, criação de um espaço maior para a imprensa, área vip e de convidados. Além disso, tivemos a preocupação em atender às normas de segurança e de acessibilidade”, completou Duwe.
 
Para Luiz Antônio de Souza, ex-coordenador da Câmara de Arquitetura do Crea Bahia, o importante é pensar integralmente o projeto da Copa e não somente o do estádio. “Precisamos projetar o evento em relação ao espaço territorial, ao sistema viário, à mobilidade urbana e à ampliação do aeroporto. Temos que analisar os benefícios pós-Copa”, considerou Souza.
 
A necessidade de demolição do Fonte Nova foi um dos principais pontos questionados. Para os especialistas não houve consenso sobre a opção, apontada como precipitada, por não estar baseada em critérios técnicos. Até porque o aproveitamento da estrutura atual representará uma redução significativa dos custos. Foi destacada a pequena participação de representantes do governo do Estado.
 
O debate foi o primeiro de uma série de discussões técnicas que deve acontecer até 2010 com o propósito de apontar os impactos das intervenções propostas para Salvador. Após o término do evento, as diretrizes aprovadas serão encaminhadas aos órgãos públicos competentes.
 
Participaram da mesa-redonda o Instituto dos Arquitetos do Brasil – departamento Bahia (IAB-BA), a Escola Politécnica, a Universidade Federal da Bahia (UFBA),  a Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), o Fórum a Cidade Também é Nossa e o Movimento Vozes de Salvador.
 
Leonardo Coutinho
Assessoria de Comunicação do Crea-BA