Brasília, 12 de novembro de 2009.
Para uma plateia formada por reitores, diretores, coordenadores de cursos, professores, chefes de departamentos, alunos e representantes de entidades relacionadas à área, Túlio de Melo reconheceu o avanço do processo educacional brasileiro comandado pelo MEC, principalmente a partir de 2002: “a visão da Educação tem que ser estratégica”, disse, e reafirmou que o país, voltando a crescer a patamares de 5% ao ano, “não terá profissionais em número suficiente para atender a demanda”.
“Na área tecnológica temos que triplicar, quadruplicar o número de vagas “em função dos pouquíssimos profissionais que temos se comparados a outros países”, afirmou o presidente do Confea ao defender que “a formação de profissionais tem que ser atualizada, dinâmica e primar pela qualidade”.
Túlio de Melo chamou a atenção também para a Resolução 1.010/05, do Confea, que traz mudanças no processo de concessão de atribuições profissionais e que estará implantada em todo o país até 2012 e que “se adianta”, segundo ele, “às possíveis mudanças na grade de matérias do ensino de Engenharia e de Arquitetura”.
Sem esquecer a valorização do profissional, o presidente do Conselho criticou as licitações públicas que privilegiam o custo, o que pode significar perda de qualidade nas obras e empreendimentos que levam a assinatura do governo.
Outro ponto destacado pelo presidente do Confea, um dos parceiros dos eventos realizado no campus universitário do UniCeub (Centro de Ensino Unificado de Brasília), foi a acreditação de cursos no âmbito do Mercosul, o que facilitará a contratação de engenheiros e arquitetos para trabalhos temporários nos países que formam o bloco. Para Túlio de Melo, “tema deve atrair a atenção das faculdades e universidades”.
Reflexão e desafios - Para Paulo Wollinger, diretor de Regulação e Supervisão da Educação Superior, da Secretaria de Educação Superior, do Ministério da Educação, o ensino da Arquitetura e Urbanismo “tem alguns desafios a vencer, a começar pela resistência de algumas faculdades em receber e adotar novas metodologias”.
Na qualidade de anfitrião, José Galbinski, diretor do curso de Arquitetura e Urbanismo do UniCeub, destacou a “reflexão” proposta por Túlio de Melo sobre a formação dos arquitetos brasileiros e ligou a crise habitacional no Brasil aos cursos de pós-graduação: estamos nos preparando para atender a essa demanda?, indaga.
Por sua vez, João Suplicy, presidente nacional do Instituto dos Arquitetos do Brasil IAB relacionou a preparação de estudantes para atender a demanda apresentada por um déficit habitacional que atinge a população de baixa renda. “Teremos um déficit de 22 milhões de habitações até 2020 e, ao atender essa faixa da população, os recém-formados ajudarão a diminuir o índice indicativo de 80% das habitações não têm um profissional responsável por elas”.
Ao encerrar a cerimônia, José Antonio Lanchoti, presidente da Abea (Associação Brasileiro de Ensino de Arquitetura e Urbanismo), chamou a atenção para questões como a da acessibilidade “que deve constar de todo e qualquer projeto arquitetônico”. Ele também abordou as oportunidades criadas pela Lei 11.888, que oferece assistência técnica gratuita para quem ganha até três salários mínimos e da importância da Resolução 1010, do Confea.
Também participaram da cerimônia de ontem à noite, Elizabeth Manzur, pró-reitora do Uniceub, Marina Semper, da Agência de Acreditação Argentina, José Roberto Geraldine Jr, coordenador da Ceap (Comissão de Educação e Atribuição Profissional), do Confea e Eduardo Bimbi, da Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas.
Congresso e Encontro - O XV Conabea (Congresso Nacional da Associação Brasileira de Ensino Superior de Arquitetura e Urbanismo) e o XXVIII Ensea (Encontro Nacional do Ensino de Arquitetura e Urbanismo Encontro) iniciados dia 11 pela manhã terminam no sábado 14, e a programação gira em torno dos novos perfis da área e padrões de qualidade dos cursos de Arquitetura e Urbanismo, tendo como subtemas recomendações para o ensino da assistência técnica nos cursos e a Resolução 1010, além da Lei de Engenharia e Arquitetura Públicas, de número 11.888.
A UnB (Universidade de Brasília), o Unieuro Centro Universitário e a Faciplac (Faculdades Integradas da União Educacional do Planalto Central, também são parceiros na realização dos eventos.
Maria Helena de Carvalho
Assessoria de Comunicação e Marketing do Confea
