Programa Bolsa Floresta incentiva alteração na lógica do desmatamento na Amazônia

Manaus, 04 de dezembro de 2009.

"Virgílio Viana"
Defensor da implantação de políticas públicas rigorosas que melhorem a qualidade de vida da população e, ao mesmo tempo, reduzam o desmatamento na Amazônia, o engenheiro florestal e diretor geral da Fundação Amazonas Sustentável, Vírgilio Viana, foi um dos destaques do painel principal “Mudanças Climáticas”, realizado na manhã de hoje (4), na 66ª Semana Oficial da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia (Soeaa).

Para ele, essas duas metas serão possíveis na medida em que os produtos da floresta tenham um maior valor e ocorra o pagamento de serviços ambientais pelo Programa Bolsa Floresta, que visa a recompensar e melhorar a qualidade de vida das populações tradicionais pela manutenção dos serviços ambientais prestados pelas florestas tropicais. "O desmatamento é fruto de uma decisão racional movida principalmente por uma lógica econômica. Para alterar essa lógica do desmatamento, a floresta precisa valer mais em pé do que derrubada", diz Virgilio.

O Programa Bolsa Floresta (PBF) é um dos principais projetos da Fundação Amazonas Sustentável (FAZ)  instituição público-privada sem fins lucrativos criada em 2007  e é pioneiro no pagamento de serviços ambientais para as populações que vivem em áreas florestais da Amazônia e que se comprometem com a redução do desmatamento. Foi instituído pelo Governo do Amazonas para valorizar e compensar economicamente os esforços de conservação ambiental das famílias moradoras de Unidades de Conservação do Estado. O programa está direcionado para o desenvolvimento da cadeia produtiva dos serviços e produtos ambientais de base florestal.

Uma das principais evoluções do PBF foi o desdobramento do Plano de Investimento Comunitário (PIC) em Bolsa Floresta Renda e Bolsa Floresta Social. Essa mudança ocorreu em função da necessidade de dar mais clareza aos objetivos dos componentes social e renda e, adicionalmente, reforçar o conceito de não se configurar num programa assistencialista, mas em uma ação coerente com os princípios de sustentabilidade, de acordo com a disponibilidade financeira da FAS.

A evolução do Programa Bolsa Floresta em quatro modalidades resultou num sistema mais completo de concessão dos benefícios, estruturado de modo a propiciar com mais clareza o associativismo, a renda, a produção sustentável e os benefícios sociais básicos.
Todos os beneficiados do PBF participam de uma oficina de formação sobre mudanças climáticas e sustentabilidade. Ao final desta oficina assinam, voluntariamente, um termo de compromisso de desmatamento zero.

Até outubro de 2009, o programa já envolvia mais de 6,8 mil famílias em mais de 10 milhões de hectares de Unidades de Conservação (UCs), uma área maior do que Portugal.

O Programa Bolsa Floresta (PBF) possui quatro componentes:

Renda
Investimento de R$ 140 mil ao ano por unidade de conservação, o PBF Renda é destinado ao apoio à produção sustentável: peixe, óleos vegetais, frutas, mel, castanha entre outros. A meta é promover arranjos produtivos e certificação de produtos que aumentem o valor recebido pelo produtor. São elegíveis todas as atividades que não produzam desmatamento e que estejam legalizadas e que valorizam a floresta em pé.

Social
O segundo componente é o Bolsa Floresta Social. Um investimento de R$ 140 mil por ano por unidade de conservação. Este componente é destinado à melhoria da educação, saúde, comunicação e transporte, componentes básicos para a construção da cidadania dos guardiões da floresta. As ações serão desenvolvidas em parceria com os órgãos governamentais responsáveis e instituições colaboradoras

Associação
O Bolsa Floresta Associação, terceiro componente, destinado às associações dos moradores das UC´s do Estado. Equivale a 10% da soma de todas as Bolsas Floresta Familiares. Sua função é fortalecer a organização e o controle social do programa. Este é um dos programas mais importantes da história da Amazônia, quanto ao fortalecimento das organizações de base comunitária. O BFA promove a gestão participativa por meio do fortalecimento da organização comunitária, empoderamento das comunidades e o controle social do Programa Bolsa Floresta, visando a implementação da unidade de conservação. Além disso, contribui para o exercício da liderança associativa nas unidades de conservação do Estado do Amazonas. 

Familiar
O quarto componente, o Bolsa Floresta Familiar, tem como objetivo promover o envolvimento das famílias moradoras e usuárias das unidades de conservação estaduais para redução do desmatamento e valorização da floresta em pé. Esta modalidade também atua no sentido de promover o entendimento da realidade sócio-econômica e ambiental para melhorar a eficiência na aplicação dos recursos e avaliação dos resultados dos investimentos.

Na prática, diz respeito ao pagamento de uma recompensa mensal de R$ 50 por mês pago às mães de famílias residentes dentro de unidades de conservação que estejam dispostas a assumir um compromisso de conservação ambiental e desenvolvimento sustentável. É um importante mecanismo para envolver a população nas atividades de combate ao desmatamento. O BFF não é um salário e não pretende ser a principal fonte de renda das famílias. É um complemento de renda pago a título de recompensa pela conservação da floresta.

Thais Loiola
Assessoria de Comunicação do CREA-PI