Empreendedorismo como motor da inovação tecnológica

Manaus, 07 de dezembro de 2009.

“O Brasil precisa de engenheiros”. Essa não é a opinião de um profissional há anos no mercado e, sim, de um estudante. Bruno Gaudino, de 22 anos, pela primeira vez na Soeaa, está no 6º período de Engenharia Elétrica na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e é presidente do Centro Acadêmico de seu curso. E quem partilha dessa opinião é o engenheiro eletricista e coordenador do curso de Engenharia Elétrica do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB), Alfrêdo Gomes, durante o Fórum Inovação Tecnológica: Estado da Arte das Profissões – Engenharia Elétrica, realizado nesta quarta-feira, dia 2.

De acordo com o engenheiro, dentre as 100 empresas que investem em tecnologia e inovação, não há nenhuma empresa brasileira. “O Brasil precisa revolucionar, transmitir e inovar tecnologia, e os nossos desafios imediatos estão nas seguintes áreas: microeletrônica, nanotecnologia, mecânica fina e tecnologia de materiais”, afirmou, enfatizando a importância da formação do engenheiro com foco em teoria, simulação e experimentação. Outro ponto destacado por Alfrêdo foi a falta de espaços “engenheiradores”, isto é, espaços que inspirem invenções e criações. “Temos que encarar a criatividade brasileira como patrimônio que assegura a soberania nacional por meio da inovação tecnológica”, acrescentou.

Também acompanharam como painelistas os engenheiros eletricistas Marly Guimarães e Amarildo Almeida. Segundo Marly, a inovação nos campos de telecomunicações e radar atuam diretamente nas áreas que envolvem a medicina e as questões climáticas. Ela também defende a criação de espaços “engenheiradores” citados por Alfrêdo.  “Invenção por si só não é inovação. É importante a mobilização de um espaço propício para que o conhecimento se torne um produto ou um processo novo que gere riqueza”, ela pontuou. Já Amarildo apresentou um estudo de caso sobre o monitoramento de consumo energético das empresas.

Marly apontou a necessidade de renovação e expansão da atual geração de professores e o fomento dos cursos de Engenharia Elétrica em diversos lugares do país, já que a oferta de empregos tem caído, assim como a remuneração. “Hoje, o cenário é outro, cheio de condições adversas para quem pretende ingressar no mercado de trabalho sem experiência profissional: crise internacional, corte de gastos e competitividade. Uma das saídas para esses jovens é o investimento no empreendedorismo”, ela alertou. Uma outra questão que dificulta a inovação tecnológica, segundo Marly, foi o desmonte do setor tecnológico no Brasil por meio das privatizações. “Nosso país sempre investiu em tecnologia, mas com o desmonte do setor isso acabou. Por isso, precisamos priorizar capacidade intelectual, iniciativa, persistência e empreendedorismo”, finalizou.

Camila Marins
Assessoria de Comunicação da Fisenge