As questões ambientais já fazem parte das Diretrizes Curriculares brasileiras

Brasília, 10 de dezembro de 2009.

"Conselheiro participa de Conferência em Copenhague"
Arquiteto e Urbanista, conselheiro federal e coordenador da Comissão de Educação e Atribuição Profissional do Confea representando as Instituições de Ensino do Grupo Arquitetura, José Roberto Geraldine Júnior, representa o Conselho Federal na delegação brasileira que está na Conferência de Copenhague para discutir as metas de controle das mudanças climáticas.

Confea  Estudo da Organização Internacional para a Migração estima que até 1 bilhão de pessoas deixará suas casas nas próximas quatro décadas devido aos desastres naturais e que 20 milhões já ficaram desabrigadas no ano passado. Qual o papel da Arquitetura e do Urbanismo nesse cenário?
Geraldine Jr.  A área da Arquitetura e Urbanismo tem um papel fundamental na produção de habitações, além da necessária adequação das cidades, que precisarão de técnicos para a reconstrução de sua infraestrutura urbana.
Existem organizações da sociedade civil, lideradas por arquitetos, que têm como objetivo justamente a produção rápida de habitações de emergência para atender às situações de desastres.
Uma dessas organizações é a “Arquitetos sem Fronteiras” (Architectes sans Frontières: http://www.asffrance.org/Objectif), que trabalha desde 1979 em ações voltadas para atender a comunidades que foram atingidas por desastres naturais.

"Participantes da Conferência"
Confea  Que tipo de impacto a Arquitetura poderá sofrer com a aprovação das metas de redução de emissão de gases na Conferência de Copenhague? Haveria alguma alteração na forma de elaborar projetos, para que sejam mais sustentáveis, ou hoje esse procedimento já é feito?
Geraldine Jr.  Atualmente, as Instituições de Ensino de Arquitetura e Urbanismo já tratam do tema em suas estruturas curriculares, seja por meio de disciplinas específicas (como conforto ambiental) ou em atividades complementares. Esta preocupação com as questões ambientais já fazem parte das Diretrizes Curriculares Nacionais desde a Portaria do MEC 1770, de 1994.
Acredito que a preocupação com o tema deverá aumentar após a COP 15, pois será natural que os governos busquem ampliar as ações acerca da melhoria da eficiência energética das edificações, e os arquitetos e urbanistas terão papel fundamental na produção e execução destes projetos.

Confea  Como o senhor vê a prática da construção verde no Brasil hoje? Iniciativas como o selo Procel e o uso de telhados verdes, por exemplo, podem ser considerados uma tendência?
Geraldine Jr.  A cada dia aumentam as práticas de “construções verdes” no país. Na maioria dos casos, isso ocorre por causa do apelo ecológico e atende somente a uma faixa de renda mais elevada. A Habitação Social ainda está muito distante desta prática, principalmente por questões econômicas. As iniciativas dos selos e outras certificações certamente irão aumentar, pois a preocupação com a questão ambiental passou a ter grande expressão. As técnicas de construção sofrerão o reflexo dessa nova perspectiva.

Confea  O Urbanismo está diretamente relacionado à qualidade de vida da população.  Como o senhor vê o ensino dessa “disciplina” nas universidades?
Geraldine Jr.  A questão do Urbanismo está intrínseca à Arquitetura. As instituições de ensino formam o profissional arquiteto e urbanista de forma generalista e unificada. Ele é preparado para elaborar projetos e planos voltados à atender a necessidade da sociedade por ações de desenho urbano e planos Diretores Municipais, além dos projetos de escala regional.
Algumas instituições de ensino chegam a ter aproximadamente 50% de sua carga horária nas disciplinas dedicadas ao estudo do Urbanismo como matéria, o que demonstra a necessidade do país em ter profissionais capacitados para enfrentar esse grande desafio.

Ondine Bezerra e Tânia Carolina Machado
Assessoria de Comunicação do Confea